Portimão e o Futuro

Portimão e o Futuro

Cumpre-se em meados do próximo mês de Outubro a primeira metade do actual mandato autárquico. No que diz respeito ao concelho de Portimão, é cada vez mais claro, pelo menos para os mais atentos, que, para além do balanço destes quase dois anos, é tempo de perspectivar a segunda metade do actual mandato e o que poderá suceder nas eleições autárquicas de 2013.
Quanto ao balanço da governação, consideramos que é mais ou menos óbvio que a acção autárquica limitou-se, nos últimos quase dois anos, à mera gestão corrente da autarquia. As graves dificuldades financeiras que Portimão atravessa – amplamente denunciadas por toda a Oposição durante a última campanha eleitoral – levaram à inevitabilidade do plano de saneamento financeiro, que, mesmo se vier a ser aprovado, será um verdadeiro garrote para a capacidade de investimento da autarquia durante os próximos 12 anos.

A sucessão de diversos episódios (seja a falta de pagamento dos salários dos professores das actividades extra – curriculares do 1º ciclo, sejam as várias transferências financeiras da EMARP para os cofres da autarquia) mostram à saciedade que custa a haver dinheiro para ir satisfazendo os compromissos correntes, quanto mais para os investimento que o programa eleitoral do PS prometeu aos indígenas em 2009.

Tratou – se, durante quase dois anos, de gerir o dia a dia da autarquia sem lastro financeiro para pensar para além das obrigações mais prementes. A tudo isto – que, convenhamos, já não é pouco – junta-se o verdadeiro desgoverno político que grassa no seio do Executivo Municipal. Coesão e solidariedade políticas são palavras vãs por aqueles lados, sendo relativamente comum constatar, em reuniões públicas, as evidentes cissões que minam a acção do Executivo Municipal.

Decorridos quase dois anos sobre a eleição, percebe-se que Manuel da Luz não quer ocupar o cargo muito mais tempo, quanto mais não seja pelas incompatibilidades evidentes com o Vice-Presidente e pela quase impossível gestão da pesada “herança” financeira que irá deixar na autarquia. Além do descalabro financeiro em que a autarquia está mergulhada, o Vice – Presidente da Câmara terá que lidar com uma vereação do seu partido que lhe é politicamente hostil, a que acresce uma candidata outsider(Isilda Gomes) que não lhe dará tréguas na hora de escolher quem será o candidato socialista em 2013.

É este o cenário económico e político em que está a autarquia de Portimão a meio do actual mandato. A tudo isto acresce a falência do modelo de desenvolvimento local e financiamento autárquico que pautaram a acção governativa dos últimos 25 anos. Ora, como é bom de ver, os tempos que aí vêm não podem ser de divisão, de combate entre forças políticas e pessoas que não se revêem no PS e que não aceitam o estado a que este partido levou a autarquia.

A situação financeira da autarquia é, além de extremamente preocupante, um pesado fardo para quem vier a seguir, pelo que os tempos têm que ser de responsabilidade, clareza e verdade na hora de falar com os Portimonenses e, sobretudo, dedicação à governação da cidade, com a certeza que só os melhores devem ser chamados num momento de tanta dificuldade.

A definição de um novo paradigma de desenvolvimento local (seja económico, seja urbanístico) exige que os partidos da Oposição assumam todos eles que será mais aquilo que os une do que o que os divide. É tempo de dar lugar a políticos experientes, com curriculum e provas dadas, que consigam unir partidos políticos até aqui divididos e agregar independentes que, pelo seu percurso, preparação profissional e bom-nome, possam ser uma mais valia para a construção de um projecto alternativo para Portimão.

Não será a altura para homens providenciais, mas certamente que no concelho de Portimão existem pessoas que saberão, na altura certa, assumir as responsabilidades que o momento impõe. A hora não é de ideologias arreigadas, será antes de apelo e resposta da alma portimonense, daqueles que sentem a sua terra como uma parte de si mesmos e que numa hora difícil, não viram a cara às dificuldades.
11 de Agosto de 2011 | 16:39
João Gonçalves Caetano*

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