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Num contexto em que as autoridades marítimas têm sido bastante contestadas por algumas decisões mal compreendidas (refiro-me nomeadamente à promoção d

Num contexto em que as autoridades marítimas têm sido bastante contestadas por algumas decisões mal compreendidas (refiro-me nomeadamente à promoção das maçãs de Alcobaça e às massagens nas praias), na qualidade de especialista nesta matéria, conferida pelos meus 50 anos de praia, é meu dever fazer aqui um elogio público às nossas autoridades.
Comecemos pela questão das maçãs. De facto, à primeira vista, comer uma maçãzinha sumarenta entre um mergulho e outro, ainda por cima “à pala”, pode parecer algo inofensivo. Mas, por trás desta aparência, encontra-se uma cabala bem planeada pelo lobby da laranja (embora haja quem diga que o lobby da alfarroba também está a colaborar com informação e tecnologia). Já se sabe que, quando comemos uma maçã, o acto começa numa simples trinca, mas não sabemos como acaba. Efectivamente, as maçãs, grandes e bem rijinhas, constituem uma arma de arremesso bastante eficaz, e numa altura em que, para podermos estender a toalha na praia, por vezes se torna necessário fazer ocupações territoriais selvagens, é bem possível que uma maçã na tola faça dissuadir o invasor mais afoito. Ora, se todos estiverem dotados de tão eficaz equipamento bélico, certamente que iríamos transformar as nossas praias numa gigantesca maçãnada. E é precisamente esta a jogada do lobby da laranja: desacreditar a maçã e estender a sua quota de mercado. O plano é simples e eficaz! Só não contavam com a argúcia das nossas autoridades...Já no que diz respeito às massagens, a decisão tomada tem como fundamento critérios de natureza proteccionista que deve ser louvada em nome da nossa economia veraneante. Quanto a mim, o âmago da questão é este: todos nós sabemos como acabam as massagens! Ora, partindo do princípio que a maioria dos portugueses ainda têm vergonha na cara (refiro-me evidentemente aos que não ocupam cargos políticos) e não pretendem transformar a praia numa orgia, terão forçosamente que ir terminar a massagem noutras paragens. Esta situação implica menos consumos nos concessionários que pagam as suas taxas, o que pode levar à sua consequente ruína económica. Mais uma vez, muito bem visto! Por mim, até ia mais longe e proibia a passagem de cremes protectores e bronzeadores sem ser pelo próprio.Mas, quanto a mim, o que caracteriza o elevado génio das nossas autoridades é a capacidade para intervir apenas quando existem perigos ocultos para o comum dos cidadãos e a adopção de uma postura liberal nos restantes casos.É por essa razão que não actuam quando, no meio dos largos milhares de veraneantes que frequentam as praias, algumas centenas teimam em mostrar os seus dotes no futebol, no vólei e nas raquetes. Estes são perigos perfeitamente visíveis, pois só há hipótese de aleijar quem estiver distraído, pelo que uma raquetada na cabeça ou uma bolada no estômago serve simultaneamente como um alerta e um castigo: «é bem feito, vê lá se na próxima tens mais atenção e não interrompes o jogo!».Da mesma forma, toda a gente sabe que os cães constituem um perigo para a saúde pública, não só pelas dentadas com que podem presentear os utilizadores das praias, como também por serem um elemento transmissor de doenças. Porque a perigosidade inerente a estas situações é do senso comum, também as autoridades marítimas optam - e muito bem - por não actuar, até porque qualquer criança sabe disso! Além do mais, também temos que contar com factores exógenos, pois em tantos milhares de pessoas que frequentam as praias, qual é a probabilidade de um veraneante ser contemplado com uma dentada, com um presente deixado pelo seu (ou dos outros) melhor amigo, ou pela transmissão de uma doença? Em linguagem estatística, existe um termo que retrata esta situação: «é preciso ter um azar do caraças!».Como é evidente, entre uma situação de «azar do caraças» e uma situação latente de maçãnada, dada a tradicional falta de meios, há que atacar aquela que reveste mais perigo para o comum do cidadão, e assim sendo, mais vale um cão na praia do que uma maçã a voar! *Cidadão frequentador das praias
22 de Agosto de 2008 13:31José Banhista Encartado* que levou massagens e creme do cabo do mar gay