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Martinho Fortunato - Marlagos



“Com a expansão da Marina, todos os que operam no Porto de Abrigo como os pescadores e outros agentes ligados ao mar, vão passar a ter melhores condições
Como sempre acontece quando alguma obra de grandes dimensões vem mexer com a fisionomia de uma cidade, os comentários começam a surgir e alguns debates começam-se a manifestar. Foi assim com as grandes obras e, naturalmente, foi assim com a Marina de Lagos. Desde então para cá, tem-se vindo a afirmar e a ter uma palavra a dizer em todo o crescimento da Meia Praia. Inserida no interior da cidade, já dificilmente se poderia conceber Lagos sem a Marina a funcionar, sem o conjunto imobiliário que a rodeia e sem os equipamentos que a estão a rodear.
Neste seu percurso ao longo do tempo, a Marina, cada vez mais, faz questão de se ligar à cidade e de crescer sem pôr em causa os seus valores e a sua própria identidade. Aliás, conforme faz questão de nos dizer o seu administrador, Engº Martinho Fortunato, uma das mais valias da Marina é a sua inserção no interior da cidade e é o usufruto de todos os seus valores históricos, da sua cultura e de um urbanismo que lhe dá rosto e identidade. Este filão, diz-nos Martinho Fortunato, é para se continuar a explorar pois, é nesta ligação da Marina com a cidade que as duas realidades se conseguem valorizar.
Mas, embora os trabalhos da Marina ainda estejam na retina de muitos, ela aí está já com uma história para contar. Não nos podemos esquecer que, durante o mês de Julho, acabou por celebrar já quinze anos de vida. E é em tempo de celebração que novos planos se começam a forjar e que a Marina equaciona a sua expansão. Diz-nos o Engº Martinho que, assim como há mais de quinze anos atrás, quando a Marina se começou a construir, algumas vozes de contestação também se fizeram ouvir, é natural que, agora, o mesmo possa acontecer. Mas, na prática, todo o recinto em torno do Porto de Abrigo se vem valorizar. Haverá novas instalações e com outra dignidade para quem aí opera, a pesca passará a dispor de muito melhores condições e outras actividades ligadas ao mar disporão de instalações que, de outra forma, dificilmente poderão alcançar. Mas as melhorias a introduzir no Porto de Abrigo, ainda segundo Martinho Fortunato, vêm requalificar todo o seu espaço e contribuir para a evolução e modernização da cidade de Lagos.
Para melhor se compreender em que é que vai consistir essa expansão e, também, num momento de comemoração dos 15 anos da Marina, fomos ter com o Engº Martinho Fortunato para ouvir as suas explicações e as transmitir aos nossos leitores. É o que se poderá ver nas páginas desta entrevista.

CORREIO DE LAGOS - A Marina de Lagos completa, durante este mês de Julho, quinze anos desde que foi inaugurada. E a maior parte deles contou já com o Engº Martinho Fortunato à sua frente. Há quantos anos está comandar os destinos da Marina de Lagos?
Engº Martinho Fortunato - De facto, celebramos durante este mês de Julho quinze anos da inauguração da Marina. E para os celebrar, pusemos de pé vários eventos ligados ao mar como o da organização de uma regata que, há anos, vem de Inglaterra para Portugal e, mais concretamente, para Lagos. Organizámos também uma regata transatlântica entre as Bermudas e Lagos. E, este ano, esta regata registou um número recorde de participantes. Para dar mais visibilidade a esta comemoração e criar um impacto maior na cidade de Lagos, organizámos, conjuntamente com uma empresa que‘nasceu’e trabalha na Marina, uma regata durante três dias que deu um colorido e um ar de festa à baía de Lagos. Através de um conjunto de outros eventos, temos vindo a comemorar os 15 anos de inauguração desta Marina. Estou como administrador da Marlagos há cerca de nove anos, acompanhei uma boa parte da história destes quinze anos de Marina

C. de L. - Apesar de não estar aqui desde os tempos do seu começo, chegaram-lhe ecos do tempo da sua construção e da cerimónia da sua inauguração.
Engº M. F. - Revejo, com alguma frequência, o arquivo desses tempos. E é com bastante curiosidade que observo algumas dessas fotografias. Verifico que, desde então para cá, muito coisa se modificou. E algumas radicalmente. Até no que diz respeito às próprias pessoas. É interessante rever fotografias como as do Professor Cavaco Silva, ainda como Primeiro Ministro, a presidir à cerimónia de inauguração ou apreciar como era esse sapal antes da Marina se construir. Trata-se de um arquivo histórico que dá gosto percorrer.
C. de L. - Não pensaram convidar, numa data como esta, o Professor Cavaco Silva a revisitar a Marina de Lagos?
Engº M. F. - Seria uma ideia muito interessante. Não nos ocorreu porque não tivemos nenhuma cerimónia formal de comemoração. É possível que no futuro o possamos convidar e seria com muito gosto que o receberíamos para, num dos nossos aniversários, revisitar a Marina de Lagos.
C. de L. - Apesar da Marina se ter inaugurado há quinze anos atrás, o seu projecto, na altura, não se encontrava todo acabado uma vez que se foi desenvolvendo no tempo.
Engº M. F. - O projecto da Marina de Lagos tem uma particularidade, em relação às outras marinas. Foi-se desenvolvendo em várias fases à medida que se ia comercializando. No ano em que a Marina foi inaugurada, apenas contemplava a área administrativa e a área comercial. A partir daí, fomos desenvolvendo diversas fases. Uma delas incluiu a unidade hoteleira, o Marina Club Suite Hotel. No ano transacto, mais uma frente se concluiu com o edifício da Fábrica da CAFI. Este é o ano da reabilitação. Vários dos edifícios existentes na Marina têm sido reconhecidos com prémios com que temos vindo a ser contemplados, como o Óscar do imobiliário atribuído ao edifício Gil Eanes.
C. de L. - A ocupação da Marina tem vindo a responder às vossas expectativas ou ainda há muito a trabalhar nesse sentido?
Engº M. F. - A ocupação da Marina tem vindo a crescer ao longo dos anos. Posso mesmo assegurar que apresenta um dos níveis de ocupação mais elevados do nosso país.
C. de L. - Devido à sua localização, poder-se-á dizer que esta é considerada uma Marina urbana. Esta característica é um factor de valorização ou um constrangimento?
Engº M. F. - É, sem dúvida, um factor de valorização. Costumo dizer que os dois principais factores de sucesso de uma marina são o planeamento e a localização. E quando falo em localização, refiro-me ao posicionamento desta Marina, por um lado, praticamente dentro da cidade e, por outro, à sua localização geográfica no contexto do país. E para quem atravessa o Atlântico em direcção ao Mediterrâneo, depara com a cidade de Lagos num dos melhores pontos dessa rota marítima. E este é um dos pontos fortes da nossa Marina. Além disso, quem aqui permanece, praticamente tem a cidade no seu interior com os supermercados, a padaria, o restaurante, o restante comércio, os museus e monumentos.

C. de L. - O facto de se estar perante uma Marina urbana então é motivo de atracção para muitas embarcações que procuram a Marina de Lagos.
Engº M. F. - Temos muitos clientes que optam por um contrato de nove meses de inverno. Começam a 15 de Setembro e acabam a 15 de Junho. E, naturalmente, o facto da Marina se encontrar no interior da cidade é importante. Dá acesso a que, sobretudo durante o inverno, possam usufruir das suas infraestruturas. E, no Verão, aproveitam para sair, navegar pelo mediterrâneo adiante e regressar novamente no Inverno.
C. de L.- Dispõe, certamente, de instrumentos que permitam aferir da avaliação que os clientes da Marina fazem da cidade de Lagos. Como é que a cidade é vista pela clientela da Marina?
Engº M. F. - Os nossos clientes gostam muito da cidade. Têm um grande apreço pela cidade e pelo seu passado. Comparam, frequentemente, esta Marina com as que nos são próximas. E a inserção da Marina numa cidade muito bonita é um factor primordial. Enquanto olham para as outras como um projecto artificial, consideram que esta está inserida num contexto de cidades com uma extensa baía e com praias excelentes. Hoje em dia o Turista procura autenticidade, procura uma experiência real da cidade que visita e da forma como os locais a vivem. Ir para o sul de Espanha ou para a República Dominicana e ficar fechado num resort turístico é o mesmo. Acredito que, cada vez, esse turismo é menos apreciado.
C. de L. - Não foi só a Marina, através das suas diversas fases, que cresceu e foi adquirindo a forma actual. Também a cidade se desenvolveu e se dotou de novas infra-estruturas. Como é que os homens da Marina têm visto o crescimento da cidade durante os seus últimos 15 anos?
Engº M. F. - Quem veio para aqui, há nove anos, como foi o meu caso, sentia um inverno bastante vazio e muito abatido. Hoje, tudo é diferente. Deparamos com uma cidade cheia de vida, com muito mais animação e com um programa cultural muito mais vasto. Além de tudo isto, deparamo-nos com novas infra-estruturas e com muito mais e melhores acessibilidades. Durante estes anos, a cidade modernizou-se muito. E penso que, para esse desenvolvimento, a Marina também deu a sua contribuição. Como se costuma dizer, a cidade de Lagos foi colocada no mapa. Para esta maior movimentação e para a nova face que Lagos está a adquirir, muito contribuiu também a abertura da Via do Infante. Devido à sua abertura, muitos operadores turísticos começaram a trabalhar com Lagos e a trazer bastantes mais turistas para aqui. Com a abertura facilitada de novos acessos, a qualidade turística subiu muito em Lagos.
C. de L. - Os novos acessos, nomeadamente a abertura da Via do Infante, vieram aumentar a procura da Marina de Lagos e motivar essa ampliação que estão a pensar concretizar?
Engº M. F. - Apesar dessas novas infra-estruturas nos trazerem bastante mais turistas, não trazem barcos para a Marina. Facilitou muito nas ligações ao aeroporto e, consequentemente, tornam-nos mais atractivos para quem necessita da ligação aérea. Trazem também mais visitantes às áreas comerciais, mais clientes potenciais compradores de apartamentos e mais clientes que ficam alojados na unidade hoteleira. Temos também vindo a constatar que, devido a uma grande ocupação da Marina de Lagos, muitas embarcações não podem ficar em Lagos como seria seu desejo. E esses turistas têm um gasto médio por dia muito superior ao de qualquer outro turista. Gastam, em média, bastante mais do que os outros, sem contar com os gastos com a embarcação ( amarração, reparações,etc.). Por isso, estamos a envidar esforços para ampliar a Marina de Lagos a fim de podermos responder a uma procura para a qual não encontramos resposta.
C. de L. -Tem havido, da vossa parte, alguma sensibilização junto dos agentes ligados à pesca e ao mar para que o alargamento da Marina para o Porto de Abrigo se venha a concretizar ou apenas negociaram com o IPTM?
Engº M. F. - O que sempre dissemos e pretendemos é que as pessoas que trabalham e estão relacionadas com actividades a desenvolver no Porto de Abrigo o possam fazer nas melhores condições. E se o processo de ampliação da Marina para o Porto de Abrigo se concretizar conforme esperamos, tudo faremos para que as pessoas que ali trabalham disponham das melhores condições. Todos sabemos que a situação actual é muito má e não serve a ninguém. Não serve aos pescadores, não serve a docapesca, não serve a Sopromar, não serve ao Clube de Vela, não serve acidade, não serve à Marina e não contribui nada para o nosso turismo. Já foram contactadas algumas das entidades envolvidas uma vez que projectos desta natureza são tutelados por entidades diversas. E o objectivo é tentar viabilizar essa ampliação e dotar aquela zona da melhores condições. Com a valorização do porto de Abrigo, mesmo todo o seu espaço envolvente passará a dispor de uma outra qualidade e a apresentar, a dignidade que deve ter no contexto urbano de Lagos. Quanto mais valorizado e mais qualidade apresentar melhor será para todos. E, neste caso, poder-se-á quebrar alguma desconfiança que poderá existir. Embora ainda não estivesse cá quando a Marina se iniciou, sei, no entanto, que algumas pessoas também estavam de pé atrás. Mas quando a Marina se concluiu, todos passaram a gostar e, hoje, todos sentem orgulho da cidade de Lagos possuir este equipamento náutico. E ficam mesmo satisfeitos quando comparam com outras marinas do Algarve. O nosso objectivo, é tornar a cidade melhor, é melhorar a envolvente da actual Marina e cativar mais e melhores turistas.

C. de L.- Desenvolveram algum processo de sensibilização junto das forças políticas locais ou a Marina de Lagos satisfaz-se com a apresentação que teve lugar no decurso de uma reunião do executivo municipal?
Engº M. F. - Fomos convidados pela Câmara Municipal a fazer uma apresentação do projecto. A essa apresentação seguiu-se um debate destinado a esclarecer todas as dúvidas que nos quiseram colocar. E continuaremos abertos e disponíveis a esclarecer e a responder a todas as questões que nos quiserem colocar. Penso que, em relação a este projecto, a avaliar por essa apresentação e por esse debate, há um consenso entre as diversas forças políticas.
C. de L. - Quais são as linhas gerais em que assenta esse projecto de expansão da Marina para o Porto de Abrigo e como é que está a ser recebido pelos diversos agentes ligados ao mar?
Engº M. F. - Fizemos e distribuímos esse projecto por todas as entidades que têm por competência a sua apreciação. . Continuamos a ter reuniões com essas entidades e, se for caso disso, a melhorar no que seja necessário, possível e exequível. Temos também falado com as principais entidades que hoje têm actividade naquela área.Quanto ao projecto em si, não é um projecto de grandes dimensões. Apenas vamos criar mais cerca de 100 lugares dentro de água (actualmente temos 462). Criaremos também uma unidade hoteleira e estacionamento em seco para cerca de 90 embarcações de pequena dimensão. Trata-se de um sistema que não existe ainda em Portugal. Queremos trazê-lo para Lagos. Em termos de Marina, a expansão não é muito grande. Destina-se apenas a criar mais alguns lugares para embarcações de maiores dimensões. Vai haver lugares suficientes para as embarcações de pesca e espaço para a lota. E no que à pesca e à lota diz respeito, as condições vão melhorar muito. Serão criados pontões para que os barcos de pesca possam estacionar e serão criadas condições adequadas para que os próprios turistas possam visitar algumas destas áreas. Serão ainda construídos novos edifícios e de melhor qualidade para darem apoio à pesca. No que ao espelho de água diz respeito, a área mantém-se como está. No topo mais a norte, ficará numa área confinante com a Marina. No meio, criar-se-á um canal de acesso aos estaleiros da SOPROMAR. E na ala nascente ficará uma zona de estacionamento, em seco, maior do que a que existe actualmente. Todo o espaço restante será dedicado à pesca e ao edifício da lota.
C. de L. - Quando se apresentou o programa da REFER, Estações com Vida, falou-se numa nova travessia entre as duas margens para se incrementar a ligação da cidade à Meia Praia. Com a expansão da Marina para o Porto de Abrigo, vai-se intensificar a navegação no canal e obstruir ainda mais essa ligação. Como é que se poderá contribuir para reforçar essa ligação?
Engº M. F. - Temos de compreender que a actual travessia já, hoje, funciona como um obstáculo à navegação no canal. E quando se colocou essa hipótese, ainda com o Presidente anterior, manifestámos, de imediato, a nossa oposição ao IPTM. Ter-se-á de compreender que a Marina é uma mais valia para Lagos. E no dia em que se construir uma nova ponte, a Marina de Lagos deixará de ter qualquer viabilidade. Hoje em dia, o principal ponto fraco apontado pelos nossos clientes é a ponte existente. E se com uma ponte já é o problema que é, com duas então tudo se complicaria e comercialmente inviabilizaria a Marina de Lagos. Quem tem um barco e tem navegado neste canal, sabe bem do que estou a falar. A ligação entre as duas margens do canal poder-se-ia fazer com o recurso a uma embarcação moderna e funcional. Procurar-se-ia também não descurar os aspectos mais típicos desta embarcação bem como dos circuitos de ligação. Este percurso procuraria, inclusivé, revitalizar e divulgar a história da cidade com ligações constantes ao seu Centro Histórico, ao Centro de Ciência Viva e a outros espaços com um carácter marcadamente cultural . A actual embarcação de ligação, o “Vai e Vem”, não cumpre essa função.Outra hipótese mais cara seria a do recurso a um túnel viário entre as duas margens.
C. de L. - Mas caso não se construa uma nova ligação, a actual ponte pedonal e a actual entrada pelo Monte Moleão não serão suficientes. Todo o movimento de saídas e entradas ter-se-á de efectuar a partir da Torre ou de Odeáxere.
Engº M. F. – Não concordo. A ponte pedonal e a de D. Maria dão vazão a muitos milhares de pessoas. Já constituem um bom ponto de ligação. A pressão de ter ainda mais viaturas sobre as dunas da meia praia terá um impacto muito negativo.
C. de L. - O grupo MSF, através da Marina de Lagos e de toda a vertente turística a ela associada, através da sua frente imobiliária e através do sector da construção civil com a NEOCIVIL, detém em Lagos uma frente de negócios assinalável. Estamos perante uma das suas maiores apostas ou há outras cidades onde tenham investimentos superiores?
Engº M. F. - O grupo MSF está dividido em várias “holdings”. Uma delas é a do Imobiliário e turismo (MSF Tur IM SGPS). E esta detém a Marlagos. Ainda dentro da holding turística, a MSF conta com outros empreendimentos, nomeadamente com um resort turístico na zona de Óbidos, também associado a uma cidade histórica.

C. de L. - E de todos os empreendimentos da holding turística da MSF, Lagos é a cidade onde têm um peso maior?
Engº M. F. - É, sem dúvida, é a cidade que tem mais empreendimentos concretizados. Foi o primeiro projecto do género, desenvolvido pela MSF e é aquele que está numa fase mais madura. Em termos de futuro, é natural que deixe de ser assim. Mas se juntarmos a actividade turística à da construção civil, Lagos é, seguramente, a cidade onde temos mais obra. Temos que ter em conta que a NEOCIVIL é a maior construtora do Algarve. Tem gerado muito emprego em Lagos e tem realizado obras importantes em toda a região.
C. de L. - Com quantos lugares de amarração vão ficar quando os dois espaços da Marina estiverem a funcionar?
Engº M. F. - Como o actual espaço da Marina já dispõe de 462 lugares, ao ficarmos com mais 100 após a expansão para o topo norte do Porto de Abrigo, ficaremos a dispor de 562 lugares.
C. de L. - Que tipo de unidade hoteleira pretendem construir no topo norte do Porto de Abrigo?
Engº M. F. - Será uma unidade hoteleira de quatro ou de cinco estrelas. E não terá mais de cem quartos. Posso é assegurar que será de grande qualidade. Disporá de uma sala de congressos e de salas de conferências por constatarmos que a cidade tem carência desses equipamentos. E como temos de estar preparados para combater a sazonalidade, temos que dotar o hotel de qualidade superior e de o preparar para eventos de relevo que aqui se possam realizar. Será uma forma de captar, por exemplo, golfistas, congressos, etc.
C. de L. - Em face do que tem vindo a surgir e de tudo o que já está projectado, a Meia Praia está-se a transformar numa espécie de resort turístico. É a favor de que o turismo a venha dominar retirando-se-lhe habitação permanente do seu interior?
Engº M. F. - Penso ser importante a coexistência das duas realidades. Qualquer projecto turístico que surja na Meia Praia vai ter de trabalhar muito para ter vida todo o ano. E se a residência permanente lá existir, é uma forma de dotar a Meia Praia de vida durante os doze meses.
C. de L. - Face a tudo o que já está construído e ao que se irá construir, como é que antevê o futuro da Meia Praia?
Engº M. F. - Não conheço todos os projectos que aí vão ser construídos. Apenas conheço alguns. E como são de elevada qualidade e dignificam a nossa oferta turística, vejo-os com bons olhos. Lagos tem tido falta de hotéis e empreendimento que qualifiquem a oferta. E todos sofremos na pele com isso. Há operadores turísticos que não trabalham com a nossa unidade hoteleira nem com a cidade de Lagos por o número de hotéis ser reduzido. Quanto mais empresas estiverem a promover Lagos, melhor será para este destino turístico.

C. de L. - Ao planearem o vosso crescimento, devido à especificidade deste equipamento, estão a determinar o futuro da cidade. Planeiam a pensar apenas no interesse da Marina ou também na orientação que podem dar ao próprio crescimento da cidade?
Engº M. F. - Aqui como em qualquer outro lado, qualquer projecto acaba sempre por ter impacto na cidade onde se venha a desenvolver. E o nosso projecto de expansão da Marina não foge à regra. Assim como o projecto inicial veio valorizar e dar uma nova face a essa zona pantanosa em frente da estação, também este vem valorizar e dignificar a zona do Porto de Abrigo. Além da Marina, todos os que aí operam como os pescadores e outros agentes ligados ao mar vão passar a ter melhores condições. Como se encontra, acaba por ser mau para todos; para nós, para o turismo e para os que aí trabalham. Todos ganhamos com a sua requalificação.
C. de L. - Há motivos pessoais para apostarem tanto na cidade de Lagos ou fica a dever-se às suas condições naturais?
Engº M. F. - Apostamos na cidade de Lagos, primeiro por ser uma cidade lindíssima e com imenso interesse. Existe também bastante afecto, por parte do Presidente do grupo MSF. O facto de, aqui, ter passado muitas das suas férias na infância, faz com que tenha uma paixão enorme por Lagos. Também o simples facto de abraçarmos este projecto faz com que fiquemos envolvidos com a cidade durante muitos anos. Como se compreenderá, pelo facto de um projecto estar concluído não se esgota automaticamente no tempo. O grupo MSF estrategicamente continua ligado aos projectos, gerindo-os da melhor forma numa óptica de melhoria contínua.
C. de L. - Em que ponto se encontra o processo do alargamento da Marina de Lagos?
Engº M. F. - Neste momento, estamos à espera de um passo decisivo para que todo o projecto se possa desenvolver. Refiro-me ao processo de concessão por parte do IPTM. Depois disso, desenvolveremos o projecto e submetê-lo-emos à Câmara Municipal.
C. de L. -E quanto tempo ainda vai demorar ao todo este processo até que possamos ver a ampliação da Marina e o novo visual do Porto de Abrigo?
Engº M. F. - Todo o projecto deverá demorar cerca de dois ou três anos a desenvolver. Haverá um conjunto de fases por que terá de passar. Primeiro, teremos que construir novos edifícios e realojar as pessoas. Depois, teremos de proceder à sua demolição. E tudo isto leva o seu tempo. Se tudo correr normalmente, dentro de três anos tudo estará concluído.
C. de L. - Então, quando a Marina completar 20 anos, estão em condições de inaugurar a sua nova ampliação?
Engº M. F. - Espero que sim.
C. de L. - Há outras entidades ligadas à vida náutica, nomeadamente o Clube de Vela de Lagos, que vão ser integradas nessa nova fase da Marina?
Engº M. F. - O Clube de Vela terá instalações neste novo projecto. Haverá um edifício comercial que disporá de vários espaços. Mas nós não temos qualquer influência sobre o seu destino futuro. Há também um espaço que vai ser protocolado com a Câmara e o com o IPTM. E é natural que todos os agentes ligados ao mar, como o Clube de Vela, disponham de instalações condignas para poderem desenvolver a sua actividade.