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Jardins Sustentáveis


Painéis solares, técnicas geotérmicas, plantas autóctones, purificação e reaproveitamento da água. Estes são os pilares em que assentam o projecto da Quinta das Mil Flores, que pretende assumir-se como uma montra de tudo o que pode ser feito no âmbito da ecologia em casa e no jardim.
Numa antiga quinta na zona do Sobreiro, Pedrógão Grande, vai nascer um projecto paisagístico ecológico, baseado numa política de gestão a longo prazo, assente na utilização das energias renováveis e do desenvolvimento sustentável.
A promotora do projecto é a condessa Annabellle de La Panouse, que em conjunto com o famoso paisagista francês Alain Richert, com quem já trabalha há mais de 15 anos , e o engenheiro Bertram Clemens Hipp, decidiu trocar o Castelo e os jardins de Thoiry, a poucos quilómetros de Paris, para dar vida à Quinta das Mil Flores e criar em Pedrógão um espaço único na região e provavelmente em todo o país.
Um jardim de água, plantas raras e um solar, constituem os alicerces do projecto que se estende por cerca de um hectare de terreno e que pretende vir a ser uma referência como modelo ecológico, com vocação para a educação ambiental e o turismo.
A poucos metros da casa principal da quinta, Alain Richert projectou a Folie du Jardin, um pequeno pavilhão, local privilegiado de lazer e ponto de encontro de quem se passeia pelo jardim.
O telhado desta instalação será ajardinado, isolado por terra e plantas floridas e as paredes decoradas a azulejos fabricados num antigo atelier de Lisboa, em actividade desde o séc. XVIII.
Entre a Folie du Jardin e a grande ramada em ferro forjado já existente, no lado Sul da quinta vai nascer um espaço a que chamou Jardim Secreto e um outro que denominou Salão de Verão exterior.
No primeiro, as cores das flores serão em tons de azul e branco, "procurando-se desta forma a harmonia entre a decoração de azulejos da Folie e a cisterna, que será enfeitada com uma fonte", explica.
Projecto prevê reciclagem das águas
Do lado Norte da quinta, encontra-se o poço coberto por uma estrutura antiga em ferro forjado que será o suporte para rosas antigas e outras trepadeiras perfumadas. No poço será instalada uma bomba de água e construída uma fonte.
No interior do túnel, bancos instalados em semi-círculo convidam ao descanso, à leitura ou à simples contemplação. Ao lado do túnel, crescerá um jardim ornamental de culinárias aromáticas e medicinais.
O projecto paisagístico de Alain Richert contempla a construção de uma piscina natural, rodeada de terraços em calçada e de lagos ornamentais ligados entre si por uma escada em forma de cascata que desce a encosta até ao grande lago quadrado, situado no fundo do jardim.
Os três lagos superiores em forma de canal serão decorados com fontes nas extremidades. Estas zonas aquáticas, que terão lírios, lótus e nenúfares, desempenham um papel fundamental na recuperação e reciclagem das águas utilizadas provenientes dos apartamentos para irrigação do jardim, da horta e do pomar.
De resto, dois poços asseguram grande autonomia de água para consumo da casa e das restantes infra-estruturas. Os lagos também podem funcionar como reserva de água quer para a quinta quer em necessidade de abastecer os meios de socorro em caso de incêndio na floresta.(continua)
Pavilhão japonês paredes-meias com a água
Junto às margens do lago, será edificado em madeira sobre estacaria um pequeno pavilhão japonês, miradouro tranquilo de onde será possível contemplar, além da paisagem, as carpas koi com as suas magníficas cores, e os patos e cisnes negros, entre outras aves aquáticas.
De ambos os lados dos lagos e cascatas ficarão cabines de verdura, floridas de acordo com os temas dos cinco sentidos: cor, som, tacto, sabor e perfume.
Em contraste com estas cabines de verdura, a Sul e a Norte do jardim encontram-se o olival e as colecções de árvores e arbustos raros. A Sul do último lago, ficará uma enorme horta ornamental.
Reviver memórias na casa da árvore
Para deleite de crianças e adultos, está prevista a construção de uma casa num dos grandes pinheiros da Quinta das Mil Flores, que permitirá uma panorâmica diferente sobre o espaço e a sua envolvente e servirá também como espaço de jogos e brincadeiras ou de simples escapadelas.
Como se trata de um projecto essencialmente ecológico, a quinta vai estar dotada de painéis solares e as águas pluviais serão armazenadas em reservatórios próprios para posterior utilização em múltiplas aplicações, nomeadamente na irrigação dos terrenos.
Por outro lado, as culturas não serão adubadas com produtos sintéticos nem pesticidas e os melhoramentos do solo através de culturas com fertilizantes naturais de pastagens verdes, ou seja composto resultante da reciclagem dos materiais orgânicos da própria quinta.
De acordo com Alain Richert, "a escolha dos vegetais serão de origem local, tendo sempre em conta a muito antiga tradição portuguesa de cultivar plantas trazidas pelos viajantes, de forma a criar uma zona arborizada com espécies variadas".
Deste modo, os locatários da quinta poderão desfrutar do prazer de colher os legumes da horta e as frutas do pomar para a confecção dos seus próprios menus.
No que diz respeito à casa, esta foi concebida de forma a recriar o estilo dos solares portugueses e a decoração evoca o passado marítimo português com móveis e tapeçarias da colecção pessoal de Annabelle de La Panouse. Do seu espólio particular virão também cerca de mil livros, revistas e jornais dedicados a jardins, plantas, arte arquitectura e decoração, para enriquecer a biblioteca.
O pátio será coberto por vidro de forma a albergar um jardim de Inverno/solário e uma piscina ornamental. Um parque para autocarros e cerca de 50 automóveis permite o fácil estacionamento aos visitantes e aos locatários dos apartamentos.(continua)
OS AUTORES DESTA CRIAÇÃO
Alain Richert
Licenciou-se em Medicina mas rapidamente assumiu a sua verdadeira paixão, os jardins e a botânica. Na realidade, nunca chegou a exercer mas em matéria de jardins a sua vastíssima experiência não se fica pela concepção de espaços verdes.
Consultor, conselheiro de programas de televisão, autor e tradutor de livros diversos sobre a temática e das Enciclopédias Quillet, colaborador de revistas da especialidade, director de ateliers sobre paisagismo, aos 60 anos Alain Richert já conta com mais de 30 dedicados ao mundo das plantas.
Actualmente divide a actividade profissional entre França e Pedrógão Grande, onde se instala periodicamente para acompanhar o projecto que concebeu para a Quinta das Mil Flores. É na pequena localidade de Sobreiro que juntamente com a condessa La Panouse discute e acerta os pormenores do futuro empreendimento ecológico-turístico que promete agitar a pacatez da zona.
No ano passado foi co-realizador de um filme sobre plantas de Paris, dando continuidade a outros trabalhos que já tinha desenvolvido no campo da realização cinematográfica.
Bertram Clemens Hipp
O engenheiro responsável pela Quinta das Mil Flores nasceu na Alemanha em 1968. Começou a sua actividade profissional em 1992 na mais importante empresa de engenharia de Zurique e em 1994 foi engenheiro-chefe da ANDA, NGO na construção de um centro de formação na Índia.
O seu percurso profissional passou pelo Botswana, por São Tomé, pela Jordânia e pela Argentina. Como independente, abriu um gabinete de projectos especializados no desenho e concepção de vivendas de luxo baseadas nas técnicas ecológicas de baixo consumo de energia.
Em 2006 decide viver em Portugal e fixa-se no concelho de Pedrógão Grande.
Annabelle de La Panouse
Queria construir um jardim para si própria mas decidiu franquear as portas ao público deste espaço ecológico quando descobriu que no tempo de ócio os habitantes de Pedrógão pouco mais tinham disponível do que um simples passeio no centro comercial.
Não tem ainda um jardim preferido. "Vai ser este que estou a construir", assegura, com a convicção de quem já edificou dois espaços verdes e de quem já visitou centenas de jardins por esse mundo fora.
O projecto da Quinta das Mil Flores é influenciado de certa forma por essas experiências, onde cada jardim revelou ser "uma verdadeira descoberta".
Conta com uma ponta de orgulho que já plantou mais de 30 mil árvores e arbustos na propriedade da família, perto de Paris.
É membro de associações de castelos e jardins em França e durante mais de 10 anos dirigiu os destinos do Castelo Éden Medieval e do Parque do Colombier, junto a Rodez. Os dois jardins agraciados pelo Ministério da Cultura Francês com o título Jardin Remarquable [Jardim Exemplar].
Texto: Rita GonçalvesIlustração: Alain RichertFotos: Luís Melo
A responsabilidade editorial desta informação é da revista
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Pode encontrar este artigo em:
http://mulher.sapo.pt/jardins/artigos/arquitectura_paisagista/779357.html

Jardins Sustentáveis


Painéis solares, técnicas geotérmicas, plantas autóctones, purificação e reaproveitamento da água. Estes são os pilares em que assentam o projecto da Quinta das Mil Flores, que pretende assumir-se como uma montra de tudo o que pode ser feito no âmbito da ecologia em casa e no jardim.
Numa antiga quinta na zona do Sobreiro, Pedrógão Grande, vai nascer um projecto paisagístico ecológico, baseado numa política de gestão a longo prazo, assente na utilização das energias renováveis e do desenvolvimento sustentável.
A promotora do projecto é a condessa Annabellle de La Panouse, que em conjunto com o famoso paisagista francês Alain Richert, com quem já trabalha há mais de 15 anos , e o engenheiro Bertram Clemens Hipp, decidiu trocar o Castelo e os jardins de Thoiry, a poucos quilómetros de Paris, para dar vida à Quinta das Mil Flores e criar em Pedrógão um espaço único na região e provavelmente em todo o país.
Um jardim de água, plantas raras e um solar, constituem os alicerces do projecto que se estende por cerca de um hectare de terreno e que pretende vir a ser uma referência como modelo ecológico, com vocação para a educação ambiental e o turismo.
A poucos metros da casa principal da quinta, Alain Richert projectou a Folie du Jardin, um pequeno pavilhão, local privilegiado de lazer e ponto de encontro de quem se passeia pelo jardim.
O telhado desta instalação será ajardinado, isolado por terra e plantas floridas e as paredes decoradas a azulejos fabricados num antigo atelier de Lisboa, em actividade desde o séc. XVIII.
Entre a Folie du Jardin e a grande ramada em ferro forjado já existente, no lado Sul da quinta vai nascer um espaço a que chamou Jardim Secreto e um outro que denominou Salão de Verão exterior.
No primeiro, as cores das flores serão em tons de azul e branco, "procurando-se desta forma a harmonia entre a decoração de azulejos da Folie e a cisterna, que será enfeitada com uma fonte", explica.
Projecto prevê reciclagem das águas
Do lado Norte da quinta, encontra-se o poço coberto por uma estrutura antiga em ferro forjado que será o suporte para rosas antigas e outras trepadeiras perfumadas. No poço será instalada uma bomba de água e construída uma fonte.
No interior do túnel, bancos instalados em semi-círculo convidam ao descanso, à leitura ou à simples contemplação. Ao lado do túnel, crescerá um jardim ornamental de culinárias aromáticas e medicinais.
O projecto paisagístico de Alain Richert contempla a construção de uma piscina natural, rodeada de terraços em calçada e de lagos ornamentais ligados entre si por uma escada em forma de cascata que desce a encosta até ao grande lago quadrado, situado no fundo do jardim.
Os três lagos superiores em forma de canal serão decorados com fontes nas extremidades. Estas zonas aquáticas, que terão lírios, lótus e nenúfares, desempenham um papel fundamental na recuperação e reciclagem das águas utilizadas provenientes dos apartamentos para irrigação do jardim, da horta e do pomar.
De resto, dois poços asseguram grande autonomia de água para consumo da casa e das restantes infra-estruturas. Os lagos também podem funcionar como reserva de água quer para a quinta quer em necessidade de abastecer os meios de socorro em caso de incêndio na floresta.(continua)
Pavilhão japonês paredes-meias com a água
Junto às margens do lago, será edificado em madeira sobre estacaria um pequeno pavilhão japonês, miradouro tranquilo de onde será possível contemplar, além da paisagem, as carpas koi com as suas magníficas cores, e os patos e cisnes negros, entre outras aves aquáticas.
De ambos os lados dos lagos e cascatas ficarão cabines de verdura, floridas de acordo com os temas dos cinco sentidos: cor, som, tacto, sabor e perfume.
Em contraste com estas cabines de verdura, a Sul e a Norte do jardim encontram-se o olival e as colecções de árvores e arbustos raros. A Sul do último lago, ficará uma enorme horta ornamental.
Reviver memórias na casa da árvore
Para deleite de crianças e adultos, está prevista a construção de uma casa num dos grandes pinheiros da Quinta das Mil Flores, que permitirá uma panorâmica diferente sobre o espaço e a sua envolvente e servirá também como espaço de jogos e brincadeiras ou de simples escapadelas.
Como se trata de um projecto essencialmente ecológico, a quinta vai estar dotada de painéis solares e as águas pluviais serão armazenadas em reservatórios próprios para posterior utilização em múltiplas aplicações, nomeadamente na irrigação dos terrenos.
Por outro lado, as culturas não serão adubadas com produtos sintéticos nem pesticidas e os melhoramentos do solo através de culturas com fertilizantes naturais de pastagens verdes, ou seja composto resultante da reciclagem dos materiais orgânicos da própria quinta.
De acordo com Alain Richert, "a escolha dos vegetais serão de origem local, tendo sempre em conta a muito antiga tradição portuguesa de cultivar plantas trazidas pelos viajantes, de forma a criar uma zona arborizada com espécies variadas".
Deste modo, os locatários da quinta poderão desfrutar do prazer de colher os legumes da horta e as frutas do pomar para a confecção dos seus próprios menus.
No que diz respeito à casa, esta foi concebida de forma a recriar o estilo dos solares portugueses e a decoração evoca o passado marítimo português com móveis e tapeçarias da colecção pessoal de Annabelle de La Panouse. Do seu espólio particular virão também cerca de mil livros, revistas e jornais dedicados a jardins, plantas, arte arquitectura e decoração, para enriquecer a biblioteca.
O pátio será coberto por vidro de forma a albergar um jardim de Inverno/solário e uma piscina ornamental. Um parque para autocarros e cerca de 50 automóveis permite o fácil estacionamento aos visitantes e aos locatários dos apartamentos.(continua)
OS AUTORES DESTA CRIAÇÃO
Alain Richert
Licenciou-se em Medicina mas rapidamente assumiu a sua verdadeira paixão, os jardins e a botânica. Na realidade, nunca chegou a exercer mas em matéria de jardins a sua vastíssima experiência não se fica pela concepção de espaços verdes.
Consultor, conselheiro de programas de televisão, autor e tradutor de livros diversos sobre a temática e das Enciclopédias Quillet, colaborador de revistas da especialidade, director de ateliers sobre paisagismo, aos 60 anos Alain Richert já conta com mais de 30 dedicados ao mundo das plantas.
Actualmente divide a actividade profissional entre França e Pedrógão Grande, onde se instala periodicamente para acompanhar o projecto que concebeu para a Quinta das Mil Flores. É na pequena localidade de Sobreiro que juntamente com a condessa La Panouse discute e acerta os pormenores do futuro empreendimento ecológico-turístico que promete agitar a pacatez da zona.
No ano passado foi co-realizador de um filme sobre plantas de Paris, dando continuidade a outros trabalhos que já tinha desenvolvido no campo da realização cinematográfica.
Bertram Clemens Hipp
O engenheiro responsável pela Quinta das Mil Flores nasceu na Alemanha em 1968. Começou a sua actividade profissional em 1992 na mais importante empresa de engenharia de Zurique e em 1994 foi engenheiro-chefe da ANDA, NGO na construção de um centro de formação na Índia.
O seu percurso profissional passou pelo Botswana, por São Tomé, pela Jordânia e pela Argentina. Como independente, abriu um gabinete de projectos especializados no desenho e concepção de vivendas de luxo baseadas nas técnicas ecológicas de baixo consumo de energia.
Em 2006 decide viver em Portugal e fixa-se no concelho de Pedrógão Grande.
Annabelle de La Panouse
Queria construir um jardim para si própria mas decidiu franquear as portas ao público deste espaço ecológico quando descobriu que no tempo de ócio os habitantes de Pedrógão pouco mais tinham disponível do que um simples passeio no centro comercial.
Não tem ainda um jardim preferido. "Vai ser este que estou a construir", assegura, com a convicção de quem já edificou dois espaços verdes e de quem já visitou centenas de jardins por esse mundo fora.
O projecto da Quinta das Mil Flores é influenciado de certa forma por essas experiências, onde cada jardim revelou ser "uma verdadeira descoberta".
Conta com uma ponta de orgulho que já plantou mais de 30 mil árvores e arbustos na propriedade da família, perto de Paris.
É membro de associações de castelos e jardins em França e durante mais de 10 anos dirigiu os destinos do Castelo Éden Medieval e do Parque do Colombier, junto a Rodez. Os dois jardins agraciados pelo Ministério da Cultura Francês com o título Jardin Remarquable [Jardim Exemplar].
Texto: Rita GonçalvesIlustração: Alain RichertFotos: Luís Melo
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