O ministro do Ambiente, Francisco Nunes Correia, afirmou hoje que a aprovação de projectos turísticos com uma qualidade ambiental de excelência vai impedir que o Litoral Alentejano se transforme num novo Algarve. Hoje foi entregue o alvará do empreendimento Costa Terra, na Aberta nova, em Grândola."O nosso objectivo ao autorizar projectos destes, e em obrigar que a qualidade ambiental seja de excelência, é justamente evitar o desvario da construção sem controlo, como já começava a acontecer em alguns sítios, de construção de legalidade duvidosa e de vazamento de entulhos", disse Nunes Correia."O turismo de que o Alentejo precisa é o turismo de excelência respeitadores dos valores ambientais", disse Nunes Correia Segundo dados da Costa Terra, o empreendimento tem um investimento previsto de 510 milhões de euros, distribuídos por quatro fases de desenvolvimento ao longo dos próximos dez a 12 anos, e prevê a criação de 1260 postos de trabalho directos e mais de três mil postos de trabalho indirectos. O projecto, que deverá ocupar 124 dos 1350 hectares da herdade da Costa Terra, inclui três suites/hotéis, cinco aparthotéis, quatro aldeamentos turísticos, 204 moradias de turismo residencial, um campo de golfe, um centro equestre do cavalo lusitano, uma clínica de medicina desportiva, geriatria e talassoterapia, dois clubes de ténis e ginásios, um fórum comercial e um centro ecuménico, e será objecto de certificações internacionais no plano ambiental. O empreendimento inclui ainda um Centro de Documentação da Natureza, uma Reserva Ornitológica, um Parque de Flora Mediterrânica, um Borboletário, uma Quinta e Vinha Biológica com produções certificadas para consumo do complexo turístico.A cerimónia de entrega do alvará, após uma espera de 18 anos e a realização de mais de 130 estudos, como sublinhou o arquitecto Tomás Leal, contou também com a presença do ministro da Economia.Manuel Pinho desafiou os promotores dos empreendimentos turísticos do litoral alentejano a construírem mais quatro campos de golfe para além dos seis que já estão previstos, para que a região seja considerada como um destino turístico."O golfe é para Portugal o mesmo que a neve é para a Suíça. E eu queria deixar aqui o desafio de transformarmos os seis campos de golfe em dez, porque, em termos internacionais, dez campos de golfe correspondem a um destino turístico", justificou o ministro da Economia. Apesar das garantias dadas pelos governantes, presidente da Câmara de Grândola e pela Costa Terra quanto à excelência ambiental do empreendimento, os ambientalistas da Quercus e do GEOTA avançaram em Maio com uma acção judicial no Tribunal Administrativo e Fiscal de Lisboa, a requerer a nulidade dos despachos governamentais que viabilizam os dois projectos turísticos.As duas associações ambientalistas pedem a nulidade dos despachos conjuntos 164/2006, de 9 de Fevereiro de 2006, e 165/2006, da mesma data, dos ministérios do Ambiente e da Economia, que "reconhecem a ausência de alternativas e razões imperativas de interesse público para os projectos turístico-imobiliários Costa Terra e Herdade do Pinheirinho