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Conduril é empresa do ano



A construção continua em crise, mas esta empresa familiar conseguiu bons resultados com rigor na gestão e aposta na internacionalização, que já garante 89% da facturação. Consulte no fim do texto o índice das 500 Maiores & Melhores empresas deste ano.




A internacionalização já garante 89% da facturação da Conduril


Paulo Alexandrino


Quando o presidente do conselho de administração da Conduril relata um episódio passado no século iii a. C, percebe-se que tanto nos negócios como na guerra os bons resultados alcançam-se tendo em atenção o mais pequeno pormenor. Aníbal, general cartaginês é uma das referências de António Amorim Martins. Numa batalha durante a Segunda Guerra Púnica contra Roma, aquele estratego militar mandou atear fogo às suas próprias embarcações para que os seus soldados não tivessem sequer hipótese de fugir. Eram obrigados a lutar.




Não sendo "tão exigente" quando Aníbal, António Amorim Martins desde cedo soube que um dos factores para o sucesso da sua construtora passava pelos soldados que estão no terreno. "É em momentos difíceis e menos confortáveis que os melhores mostram as suas potencialidades", explica. Na realidade, a boa performance dos colaboradores na hora de tomar decisões, em especial quando estão a abrir novos mercados internacionais, demonstra que a confiança e a delegação de responsabilidades os leva a querer fazer melhor e a "mostrar o que realmente valem". Também por isso este empresário considera que quem está a trabalhar nas filiais da Conduril (até agora concentradas no continente africano) "tem de receber uma melhor remuneração".


Contra a corrente No ano passado a empresa sediada em Ermesinde, especializada em infra-estruturas de engenharia civil, como estradas, instalações hidráulicas, barragens, pontes e estações de comboio, apresentou um lucro de 26,3 milhões de euros. As vendas globais do grupo passaram de 123,8 milhões de euros, em 2007, para 223 milhões, em 2008 - um aumento de 76%. Com mais de 90% da actividade centrada nas obras públicas, em 2008, a Conduril gerou um Ebitda de 53,9 milhões de euros, 130% mais do que os 23,4 milhões, de 2007. Em paralelo, o VAB cresceu 79%, para 82,3 milhões de euros.






A boa performance da sociedade surge numa altura em que o sector da construção em Portugal enfrenta sérias dificuldades. Segundo a Fepicop - Federação Portuguesa da Indústria da Construção e Obras Públicas, "em 2008, pelo sétimo ano consecutivo, a produção do sector voltou a registar uma quebra de 3,1% em termos reais, gorando as expectativas favoráveis do início do ano que apontavam para uma recuperação que marcaria o fim do ciclo negativo". O que não é estranho ao facto de, no ano passado, ter rebentado a bolha do subprime nos Estados Unidos a que se seguiu a grave crise financeira e económica que ainda hoje se sente.

Força internacional Apesar destas dificuldades, a construção conheceu um desenvolvimento positivo da actividade internacional que, como refere o relatório da Fepicop, "registou uma taxa de crescimento médio anual de 24,3%, possível apenas através do reforço e consolidação da actividade das empresas nacionais nos mercados africanos". Em 2006, 55% do total do volume de negócios da construção portuguesa tinham origem em África, em 2007 passou para 62% e, no ano passado, subiu para 69%. Angola é o país que regista o maior volume de negócios, seguindo-se Moçambique e os países do Magreb. (...)