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Era uma fábrica de grande tradição em Lagos. Se recuarmos há trinta anos atrás, víamos uma multidão a sair e a entrar que, diariamente, lhe dava grand



Era uma fábrica de grande tradição em Lagos. Se recuarmos há trinta anos atrás, víamos uma multidão a sair e a entrar que, diariamente, lhe dava grande movimento e, ao interior dessa unidade fabril, ia buscar o seu sustento.
Nesses tempos, ainda relativamente próximos de nós, Lagos dispunha de um tecido económico relativamente diversificado. Embora o turismo já estivesse a prosperar, as fábricas, a pesca, a agricultura e outras actividades ainda não faziam adivinhar que, um dia, tudo se viesse a submeter à monocultura de uma actividade que nos faz dependentes das suas oscilações e das perturbações que o seu mercado tem de enfrentar.Sem o casario novo que agora se vê e sem essas mega-urbanizações que proliferam por todos os lados, os silvos das fábricas, como o da CAFI da Cortiça, faziam-se ouvir e, à sua chamada, uma multidão de trabalhadores começava a entrar ou a sair. E no seu interior, esse movimento constante em torno das máquinas que trabalhavam e de toda azáfama que as rodeavam fazia crer que esse trabalho ir-se-ia prolongar por décadas a fio. Esta percepção ganhava ainda mais consistência com a matéria prima que alimentava a sua produção. Sendo Portugal o primeiro produtor mundial de cortiça, não era de prever que, por escassez de matéria prima, esta unidade fabril pudesse ser afectada. E, assim, com uma laboração tranquilizante e com seus produtos a escoar, foi criada a sensação que continuaria, por muitos e bons anos, a laborar. Mas também a crise lhe começou a bater à porta, os seus produtos a não terem a comercialização desejada e a fábrica a perder muita da sua vida passada. Começou-se, então, a sentir que, como unidade fabril, estava lentamente a decair. Essa decadência acabou por se concretizar quando teve de encerrar. Com as paredes ao alto e entregues ao seu próprio silêncio, viu o tempo passar até que os seus terrenos se tornaram apetecíveis ao mundo da construção e esse motivo provocou a sua transacção. Passaram então novos projectos a ser desenhados para o seu interior e, entretanto, ainda sentiu novos sopros de vida com novas funções temporárias por que passou e com novas multidões que recebeu. Passado estes tempo de transitoriedade, chegou o dia da sua demolição com novas construções que começaram a surgir, como a da nova Câmara Municipal, e com outros prédios que a começaram a invadir. Já praticamente nada resta da velha fábrica da CAFI da Cortiça. Apenas a estrutura que acompanha a rua dos celeiros ainda se vê no ar, mas já se está a destelhar. É, a par de alguns mais, dos poucos vestígios que ainda restam. Mas mesmo esses poucos vestígios em breve irão desaparecer e a CAFI da cortiça apenas permanecerá na memória e postais ou fotografias da época.