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Todas são árvores de amar,

Parabens C.M.L.
Todas são árvores de amar,

estas que moram à nossa beira:
A amendoeira, de namorar;amante esplêndida, a figueira;mas moça séria, para casar,fecunda e firme - a alfarrobeira.
A mais bonita encanta e desesperaos namorados com seu riso breve.Trouxe o inverno pássaros de neveque acharam no Algarve a Primavera,
e deles a amendoeira fez um véupara os turistas que se encantam, vendo-a

Mas cada flor que a tonta ofereceué menos uma amêndoa...
A figueira é diferente: com seus modos de matrona de beijos pequeninos,embala a fome aos donos e a todos- pássaros, vagabundos e meninos.
Mas no inverno já ninguém a ama, e atira ao vento os braços desprezados,como uma mãe que chama moços mortos no mar ou emigrados...
A alfarrobeira, não! Séria, quieta, mal se vê, não se despe nem se perde:concebe os frutos, íntima e discreta,no silêncio da sua copa verde.
Fruto? Um esquife negro, nunca centro

de um bucólico olhar ou de uma gula.

O que é uma alfarroba? Pão de mula, com lágrimas lá dentro...
Suor que em choro enrolatanta esperança morta...Sementes de alfarroba que o Algarve exporta

e que depois importacomo tinta, como cola.
Tinta para um cartaz com amendoeiras,cola de caixa com figuinhos lampos,- são as lágrimas negras que nos campospor nós choraram as alfarrobeiras.
Eu, que de todas sou bom amigo

e bom vizinho, sempre vos digo:
A amendoeira, de namorar... Amante esplêndida, a figueira...Mas moça séria, para casar,-

a ALFARROBEIRA