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Exmo Senhor Director: do campismo,tendeiros e ciganos

Exmo Senhor Director:
Venho responder ao v/ artigo sobre as rusgas que as autoridades várias andaram a fazer ao longo da Costa Vicentina, que conheço razoavelmente bem, porquanto vou para lá de férias todos os anos (já lá estive em Maio).Sou autocaravanista e vou para essa zona desde há seis anos, tendo tido oportunidade de apreciar as belezas naturais da região, integradas e muito bem dentro de uma zona protegida.No entanto, e porque já fui funcionária do ex-ICN, sei o quanto é controversa e impraticável a política ambiental em Portugal, especialmente quando há excessivos radicalismos por parte do Ministério do Ambiente, e também das autarquias, no sentido diametralmente oposto, com a senda da construção desmesurada e dos recentes PIN deste país que só quer turismo para ricos e não pensa nas classes médias, e em todos aqueles que gostam de gozar férias perto da natureza.Isto porque, só tem sentido fazer rusgas quando há suficientes alternativas, para que os turistas não façam turismo selvagem. Nesta perspectiva, a oferta é demasiado escassa.Senão vejamos: o parque de campismo de Sines (camarário) está fechado, vai para dois anos. Porquê? Perguntem à Câmara de Sines. Esta autarquia não criou alternativas para os campistas, nem autocaravanistas, que podem fazer turismo fora dos parques de campismo, porque têm autonomia para tal; só não têm áreas de serviço para autocaravanas - sabem o que isto é? Estas servem para fazer a manutenção dos depósitos de águas limpas/sujas e WC, e para carregar a 220 volts, e mediante um pré-pagamento, as baterias dos seus carros. Ora este tipo de política serve para quê? Para evitar estes comportamentos que não são devida e regularmente vigiados, porque não há vigilantes da natureza suficientes para uma área protegida tão grande, bem como de outras forças da ordem mais vocacionadas para este efeito. Se não há fiscalização regular, a anarquia impera, porque a alternativa é, como já disse, muito pouca. (…) Não faço campismo selvagem, não deito águas sujas borda fora, nem resíduos dos WC, não deixo lixo de espécie nenhuma, mas já tenho ficado em determinados sítios devidamente seguros, fora dos parques, e que já conheço, e onde sei que não tenho problemas de má vizinhança. Depois da Zambujeira do Mar, ainda há o Parque do Monte do Carvalhal da Rocha - perto da Praia do Carvalhal - é bom, mas um pouco caro.Na zona de Aljezur, o parque municipal fechou há cerca de cinco anos e não há alternativa para aquela zona, tendo de se andar cerca de cinco quilómetros até ao parque do Serrão, ou seja, para trás, para se poder aí ficar. A agravante são os acessos directos à Praia da Amoreira serem feitos por uma estrada que só dá para jipes. Resultado: tem de se ir até à estrada nacional, andar mais uns poucos de quilómetros e entrar na estrada que circunda a lagoa de Aljezur, para ir à Praia! Isto é para tratar bem quem? Do lado do Vale da Telha não há nada! Isto é uma novela muito grande, tão longa quanto a extensão do PNSACV. Poderia continuar até à Carrapateira, onde costumo ficar na Bordeira, e continuar até Vila do Bispo, sem parques nos arredores.Nesta zona, há surfistas, mergulhadores, pescadores, caravanistas, pessoas de todo o mundo, que querem levar e divulgar uma boa imagem deste país, com grandes potenciais para o turismo, mas que não respeita quem viaja por estas estradas fora, que pára, consome, compra produtos regionais, gosta do comércio local e tradicional, e leva a imagem deste país pela Europa fora.Tenho falado com muitos turistas e era bom que as entidades responsáveis, todas em conjunto, programassem acções concertadas para estas zonas, para receber os turistas e não para os fazer fugir daí para fora, tais são as condições que se lhes oferece!(…)Como vêem, assim não vamos a lado nenhum, e entretanto Portugal é que está a perder - e muitíssimo!Haja infra-estruturas em condições e compatíveis com uma área protegida, bem como fiscalização regular, que então é correcto haver rusgas e multas pagas com multibanco na hora. Caso contrário, isto tudo é ridículo!Madalena CrespoLourel, Sintra