
ALGARVE - Flora e Vegetação
A tão característica vegetação da orla mediterrânea, está quase extinta, encontrando-se os últimos vestígios, precisamente na região do Algarve.
Essa vegetação é designada por Oleo-Ceratonion, devido ao nome das duas árvores mais características que a constitui: o zambujeiro ou oliveira brava (Olea europaea) e a Alfarrobeira (Ceratonia siliqua).
O zambujeiro, é uma árvore que se pode confundir com a oliveira, sendo mesmo considerado como o seu parente selvagem. No entanto, as folhas e as 'azeitonas' são muito mais pequenas. Na maioria dos casos, os zambujeiros não passam de pequenos arbustos, embora por vezes possam atingir os 8 a 10 metros.
A vegetação mediterrânica, já quase não forma florestas, por ter sido destruída, mas adquire o porte de matagal, a que se dá o nome de maquis.
Os cerca de 100.000 ha de solos agrícolas algarvios, coincidem quase exclusivamente com a orla Litoral e o Barrocal meridional. A área florestal ocupa 62.000 ha predominando o sobreiro, o medronheiro, o eucalipto, o pinheiro e a azinheira. Nas culturas de sequeiro dominam, embora em fase de degradação progressiva, a figueira, amendoeira, alfarrobeira, oliveira e videira. Destas árvores, a mais generalizada é a figueira, que se estende desde o Cabo de S. Vicente ao Guadiana.
A alfarrobeira, concentra-se principalmente na região calcária mais acidentada, embora se encontre também, mas de forma esporádica, no litoral onde predomina a amendoeira.
A vegetação espontânea mais característica na maior parte da região, parece ser constituída pela floresta de azinhal, abundando também arbustos elevados e pequenas árvores como o medronheiro e o carrasco.
A Floresta Algarvia localiza-se principalmente na Serra, na área correspondente ao complexo xisto-grauváquico do Carbónico (296.860 ha) e à mancha dos sienitos de Monchique (6.684 ha).
O litoral Algarvio divide-se fisiograficamente em duas regiões distintas: a oriental, o Sotavento constituída por uma praia arenosa que se estende da Quarteira a Vila Real de Santo António, e a ocidental, o Barlavento, falésia rochosa, que vai da Quarteira até ao Cabo de S.Vicente.
As principais formações vegetais encontram-se nas dunas e apresentam adaptações morfológicas e fisiológicas que lhes permitem sobreviver às condições extremas das zonas costeiras: salsugem, ventos fortes e carências de água doce. Esta vegetação localiza-se nas dunas móveis, nas dunas consolidadas da costa SW, incluindo a Península de Sagres, nas dunas consolidadas artificialmente na Mata Nacional de Vila Real de Santo António.
Os sapais são ecossistemas que surgem em zonas estuarianas, lagos e baías. Caracterizam-se por possuírem uma cobertura vegetal muito peculiar, que se encontra submersa durante a preia-mar e fica a descoberto na baixa-mar.
Os sapais não são tão atractivos como as praias, devido ao seu solo escuro, lodoso e escorregadio e por apresentarem uma vegetação pouco variada, mas onde por vezes surgem pontos coloridos como é o caso da espécie Cistanche phelypaea. São ecossistemas muito produtivos, raros na costa SW e muito notáveis na costa Sul..
Barrocal - partindo da orla costeira para o interior, encontram-se formações degradadas, sucessoras das florestas de azinheira (Quercus rotundifolia) e onde foi introduzida a alfarrobeira (Ceratonia siliqua).
A azinheira, a oliveira e a alfarrobeira, são plantas de ambientes quentes e secos com folhas pequenas, duras e persistentes, que se encontram sobretudo no sul do país.
A amendoeira, é uma pequena árvore proveniente da Ásia e Norte de África. As paisagens de amendoeiras floridas logo em Janeiro, são o cartão de visita do Algarve.
É na Serra Algarvia que ocorrem formações degradadas da antiga floresta de sobreiro (Quercus suber) e de azinheira (Quercus rotundifolia).
Entre as primeiras têm interesse os medronhais. O medronheiro (Arbutus unedo) floresce entre Outubro e Dezembro. É uma árvore de folha perene e as flores são brancas ou rosadas e os frutos são bagas vermelho-alaranjadas.
Os frutos do medronheiro, os medronhos, são comestíveis mas não são muito apreciados pelo seu sabor amargo. Já o mesmo não se pode dizer, da aguardente que se obtém da sua destilação, e que tem exploração comercial nas serras de Monchique e Caldeirão.
Na serra encontram-se ainda algumas formações de montado de sobro e ainda grandes manchas de esteva (Cistus ladanifer), tojos (Ulex argenteus e Stauracanthus genistoides) rosmaninho (Lavandula luisieri) e outras num conjunto de plantas aromáticas, medicinais e melíferas.
Na serra de Monchique ainda se encontra um núcleo de carvalhos (Quercus canariensis e Quercus faginea). Estas duas espécies são endemismos ibéricos, já raras em Portugal, apenas com área de distribuição nesta serra e seriamente ameaçados.
A "palmeira anã", é a única que é espontânea na Europa, encontrando-se por toda a costa norte mediterrânica. No Algarve, assume geralmente uma forma anã, constituindo pequenas moitas dispersas.
Esta é a única região do país onde surge espontaneamente, em terrenos arenosos ou pedregosos e em colinas e barrancos secos e ensolarados. As folhas perenes, fazem lembrar um leque pouco denso (sendo também designada por 'palmeira vassoura'). As flores são pequenas e amarelas e os frutos, não comestíveis, são amarelo-escuros ou acastanhados