Pavimentação e Drenagem: dois aspectos conjuntos para garantia de segurança
O pavimento adaptado à circulação de bicicletas deve ter em conta algumas características como:
Resistência do material – deverá suportar a quantidade e tipo de tráfego a que se destina, assim como, o peso da maquinaria de construção e, permitir esporadicamente, a passagem de veículos na área ciclável de veículos de urgência.
Regularidade da superfície – todas as deformações e ressaltos no pavimento devem ser evitados e minimizados, porque implicam com a estabilidade e equilíbrio dos utilizadores.
Deve ter-se em consideração que:
as situações de existência de lancil nos limites do espaço ciclável, deve-se optar por um rebordo clivado e sem arestas para minimizar os riscos de desequilíbrios, ou mesmo ocorrência de acidentes em situação de queda;
as grelhas dos sumidouros, no caso de faixas cicláveis devem encontrar-se nos limites da área ciclável, niveladas com o resto do pavimento;
as tampas e buracos de acesso a infra-estruturas devem ser colocados fora da área ciclável;
as juntas de dilatação do pavimento betuminoso e de betão devem ser niveladas e sem regularidades, com uma orientação perpendicular ao sentido de circulação da bicicleta;
deve-se controlar o crescimento de ervas daninhas entre juntas.
Resistência no deslizamento – a área especificamente destinada à circulação de bicicletas deve apresentar uma superfície suave e com pouca rugosidade, sem no entanto ser derrapante. Em situações coexistência de tráfego ciclável e pedonal, ou outras situações onde se pretende diminuir a velocidade do ciclista, o pavimento deve apresentar uma maior rugosidade, eliminando a possibilidade de transições abruptas de alteração de pavimentos.
Deve ter-se em consideração que:
em situações onde a inclinação não permite a construção de rampa, ou mesmo, situações de adaptação de escadas ao transporte de bicicletas, deverá existir uma calha ao longo da inclinação das escadas, para colocar a roda da bicicleta e deslizar nas subidas e descidas, quando esta é transportada à mão. Entre a superfície de encaixe da calha e os pedais da bicicleta deve haver uma distância de 0.20m para permitir rodar os pedais quando a bicicleta está a ser transportada; (foto Aveiro)
as rampas devem ter um pavimento com boa resistência e aderência, sem grandes rugosidades de forma a não colocar em causa a segurança do ciclista.
A Drenagem implica com a aderência da bicicleta ao pavimento, como também com a comodidade, devido a salpicos de água ou lama quando chove se a bicicleta não tem guarda-lamas. É importante evitar a formação de poças assegurando uma rápida drenagem da água, através de pavimentos com características permeáveis ou preparados para o escoamento da mesma, para áreas livres da circulação de bicicletas e peões.
Deve ter-se em consideração que:
as rampas de atravessamento desnivelado não devem ter mais de 6% de inclinação numa extensão máxima de 6m, com lanços de plataformas de descanso de comprimento de 1,50m (DL nº 123/97);
pequenas rampas para ultrapassar desníveis de lancil não devem ultrapassar os 20 -25% de inclinação. (Ministério do Fomento Espanhol, 1999);
todos as superfícies pavimentadas devem ter uma inclinação transversal variável entre os 1,5% – 3% de inclinação (2 – 5% de inclinação);
a inclinação transversal da ciclovia deverá ser só num sentido;
nas situações de taludes a drenar para a ciclovia, deverá haver drenos na base dos taludes de forma a água ser colectada debaixo do pavimento da ciclovia, ou a existência de calhas colectoras de água (valas) com material permeável;
os sumidouros devem apresentar as ranhuras da grelha orientadas transversalmente ao sentido de circulação das bicicletas e uma abertura máxima das grelhas de 0.02m (DL nº 123/97), de lado ou diâmetro;
Diferenciação por cor e textura – através do pavimento, o ciclista deverá reconhecer a sua funcionalidade e adoptar uma postura adequada à circulação nesse espaço. Poderá atingir-se esse objectivo com a coloração do pavimento assim como pela existência de texturas de contraste entre o espaço pedonal e ciclável, não devendo no entanto existir grande diversidade de materiais, o que levaria a confundir a compreensão e leitura do espaço.
Deve ter-se em consideração que:
nos atravessamentos da faixa viária é importante definir bem a circulação de bicicletas e peões ou a situação de coexistência de tráfego;
é sempre preferível uma separação física do tráfego ciclável do viário, que pode ser concretizado em espaços verdes, ou em pavimento, devendo constituir uma faixa de largura mínima 0.5 a 1.0m (0.6 – 0.9m);
em caso da faixa de separação física ser em pavimento diferenciado, deverá ter uma guarda de protecção, sobretudo em larguras inferiores a 1m;
Pintura – as tintas que são utilizadas na sinalização horizontal deverão evitar a resistência de deslizamento, assim como o próprio material de pigmentação utilizado na superfície ciclável, quando colorida.
