Mostrar mensagens com a etiqueta estabilizador de ph. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta estabilizador de ph. Mostrar todas as mensagens

“Hoje constrói-se aqui a sustentabilidade do Algarve”


Esta novela parece que chegou ao fim”, foi a afirmação em jeito de desabafo feita por Carlos Tuta, presidente da Câmara de Monchique e um dos anfitriões da cerimónia de encerramento da comporta de fundo da Barragem de Odelouca, fazendo menção ao longo processo de criação de toda a estrutura, que se iniciou, ainda em fase embrionária, no longínquo ano de 1972. Ora o enredo entrou na recta final na manhã desta sexta-feira, depois de algumas reviravoltas e retrocessos como a paragem de construção durante três anos fruto da acção interposta pela Liga para a Protecção da Natureza em 2003 que motivou a criação das medidas de compensação ambientais, quando com um simples toque num botão José Sócrates encerrou a comporta de fundo da barragem, marcando o início do armazenamento de água na albufeira. Nunes Correia, ministro do Ambiente, também ele presente na cerimónia, considerou este um dia importante. “Hoje constrói-se aqui a sustentabilidade do Algarve”, afirmou, concluindo que “esta barragem é essencial para essa sustentabilidade”. Para o ministro do Ambiente, a conclusão deste projecto é “o triunfo das boas razões”, tendo ainda aproveitado para criticar os intervenientes que dificultaram o término das obras, considerando que esta é “a derrota daqueles que, evocando qualquer pretexto, estão sempre dispostas a desistir, a baixar os braços”. Considerando a barragem e a fiabilidade dos sistemas de abastecimento dois elementos “de extrema importância em qualquer local”, Nunes Correia destacou a maior relevância que tal facto têm no Algarve, tendo em conta “as características da sua economia”, uma linha de pensamento suportada também por José Sócrates. “Esta barragem é absolutamente essencial para o Algarve mas também para a economia portuguesa, porque não há região turística que se possa afirmar como região de excelência se não garantir a todos que não terá problemas de abastecimento de água”, declarou o primeiro-ministro. Falando sobre o período em que os trabalhos de construção da barragem estiveram parados, José Sócrates afirmou que "a suspensão da construção da Barragem de Odelouca foi um erro, um erro para a nossa economia, um erro para o Algarve e um erro para a qualidade de vida”. Com uma capacidade útil de armazenamento de 134 milhões de metros cúbicos de água, a barragem virá a armazenar cerca de 122 milhões de metros cúbicos do precioso líquido, numa região que consome qualquer coisa como 71 milhões, com 40 milhões no barlavento e cerca de 31 no sotavento algarvio, segundo dados revelados por Artur Ribeiro, administrador da empresa Águas do Algarve, aos jornalistas. A capacidade de abastecimento efectivo foi também destacada por Nunes Correia, que realçou o facto da barragem abranger nesta fase inicial água nove municípios, no caso Albufeira, Aljezur, Lagoa, Lagos, Monchique, Portimão, Silves, Vila do Bispo e parte de Loulé, situação que será alargada no futuro aos concelhos do sotavento, através de duas Estações Elevatórias Reversíveis. Com um custo total de 125 milhões de euros, o projecto da Barragem de Odelouca incluiu ainda a construção de um colector reversível de ligação entre o sistema Odelouca/Funcho, situado no barlavento e o sistema do sotavento Odeleite/Beliche, permitindo que cada um dos sistemas possa abastecer as carências do outro e vice-versa. Desses 125 milhões de custo total, cerca de 81 milhões “saíram do bolso” da Águas do Algarve, num investimento que, ao invés de ser amortizado através do aumento das tarifas dos municípios foi resolvido com o prolongamento da concessão de exploração da barragem à Águas do Algarve até ao ano de 2037, segundo revelou Artur Ribeiro aos jornalistas. Ao Região Sul, Castelão Rodrigues, director-geral de Agricultura e Pescas do Algarve, revelou ainda que a Barragem de Odelouca irá também “diminuir o esforço de outras [barragens] que estão mais direccionadas para a agricultura, como a barragem da Bravura ou do Arade”, que muitas vezes acabam por ser utilizadas noutro sentido durante os meses de maior seca. “O facto de a Barragem de Odelouca ser hoje uma realidade permite que se encarem com muito mais objectividade as necessidades e sem receios de enfrentar o futuro”, concluiu Castelão Rodrigues. Com um prazo de execução de empreitada previsto de 40 meses, o projecto leva já decorridos 29, sem de esperar que seja finalizado até Junho de 2010, data em que deverá estar concluída a construção do descarregador de cheias e de todas as acessibilidades. Entretanto, alguns dos projectos previstos nas das medidas de compensação ambientais pela construção da barragem num valor de 11 milhões de euros já estão concluídos, como o Centro de Reprodução do Lince Ibérico, que até ao final do ano deverá receber cerca de 20 espécimes oriundos de Espanha, numa estrutura que Nunes Correia acredita que possa vir a ser “um ex-libris da região”.