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OPWAY adia objectivo de facturação de mil milhões para 2012

Grade Mendes critica actuação do GovernoA crise no sector da construção que se arrasta há seis anos ainda está longe do fim. Esta é pelo menos a opinião do presidente da OPWAY Engenharia, Jorge Grade Mendes, que em entrevista à Agência Financeira fala sobre o seu sentimento sobre a área.
«Este e o próximo serão anos difíceis. A crise começou em 2002 e deve arrastar-se até inícios de 2010», comentou.
De acordo com o mesmo, em Portugal há falta de capacidade de execução e não de planeamento, onde estará a génese dos problemas.
Quanto à postura do Governo no sector, Grade Mendes faz parte do grupo crítico. Considera que o Executivo não tem dado os incentivos certos e opõe-se ao Código de Contratos Públicos (regime das empreitadas de obras públicas e aquisição de bens e serviços), que parece ter ignorado as sugestões do sector e que aumenta a conflitualidade no mesmo. «Há mais coisas negativas que positivas», acrescentou.
Para o responsável da OPWAY, a proposta contém algumas partes que não contribuem da melhor forma para o desenvolvimento.
«Apesar de tudo, somos optimistas», garante à AF. Grade Mendes aguarda assim com expectativa os grandes projectos nacionais para os próximos dez anos-Novo Aeroporto de Lisboa, comboio de alta velocidade (TGV), terceira ponte sobre o Tejo, novas estradas e as novas barragens-«desde que vão para terreno nas datas previstas
Dimensão mínima é requisito essencial para IPOO plano da OPWAY de se tornar uma cotada pode tornar-se realidade já em 2012. A revelação foi feita pelo presidente da OPWAY Engenharia, Jorge Grade Mendes, em entrevista à Agência Financeira.
A entrada em bolsa da empresa que juntou a OPCA e a SOPOL era já uma carta em cima da mesa. Agora, Grade Mendes assume que um dos requisitos essenciais é que o Grupo «tenha uma dimensão mínima». E, questionado se o «timing» ideal seria 2012, ano em que a OPWAY pretende facturar mil milhões de euros, o presidente da unidade de Engenharia admitiu essa hipótese.
Antes disso, uma Oferta Pública Inicial (IPO) do Grupo parece pouco provável, até porque, de acordo com a mesma fonte, «neste momento, o objectivo é crescer, ter um bom portfólio e ir criando valor para os accionistas».
Refira-se que a sociedade é participada em 80 por cento pela Espírito Santo Resources e os restantes 20% pertencem ao presidente do Grupo, Filipe Soares Franco.
Crise na construção deve-se à falta de execuçãoA construtora que resultou da fusão entre a OPCA e a SOPOL estabeleceu objectivos ambiciosos, numa altura em que a crise do sector já se arrasta há seis anos. Mas a perspectiva destas dificuldades serem ultrapassadas está para longe, uma possível razão para a OPWAY vir agora a adiar a meta de facturação de mil milhões de euros para 2012, dos quais 550 milhões terão proveniência precisamente do negócio da construção.
Há cinco meses, o Grupo tinha falado em 2010 ou 2011 no máximo, mas agora, o presidente da unidade de Engenharia e que antes presidia à SOPOL, Jorge Grade Mendes, em entrevista exclusiva à Agência Financeira mostra-se apreensivo.
«Este e o próximo serão anos difíceis. A crise começou em 2002 e deve arrastar-se até inícios de 2010», referiu.
Já este ano a empresa deverá facturar cerca de 600 milhões de euros, o que, a confirmar-se, lhe permite ultrapassar a Soares da Costa.
Avizinham-se grandes projectos nacionais
Para o mesmo, os tempos difíceis na construção são «fruto do passado próximo e devem-se à falta de capacidade de execução e não de planeamento».
Apesar de tudo, Grade Mendes garante estar optimista numa perspectiva a mais longo prazo com os projectos públicos que se avizinham nos próximos dez anos-Novo Aeroporto de Lisboa, comboio de alta velocidade (TGV), terceira ponte sobre o Tejo, muitos quilómetros de novas estradas e o plano de barragens.
«Vamos estar seguramente em todos os grandes projectos que se realizem nos próximos anos. Temos já formada a única parceria para o novo aeroporto e estaremos no mesmo grupo do Mota-Engil e da Espírito Santo Concessões», adiantou à AF.
Espanha e Angola são os destinos estratégicos
Quanto aos dez empreendimentos hidroeléctricos que o Governo lançou a concurso, o presidente da OPWAY Engenharia reafirma que vão participar pelo menos em alguns dos projectos. «Não temos compromissos, mas há conversas. Até porque a EDP já é nossa cliente», comentou.
Sobre a internacionalização, Grade Mendes assume dois destinos fundamentais: Espanha e Angola. «Temos vindo a aproveitar outras oportunidades, mas sem fim estratégico. Estamos a trabalhar na Argélia e Cabo Verde e vamos brevemente começar no México».
Ainda acerca de uma racionalização de pessoal que a OPWAY também admitiu aquando a apresentação da nova marca, o responsável afasta agora essa hipótese. «Foram despedidas pouco mais de 20 pessoas desde Janeiro e que não eram dos quadros. Temos um projecto conjunto de crescimento pelo que faz todo o sentido que não haja grandes alterações. Queremos melhorar o futuro das duas empresas», rematou.
De referir que o Grupo conta com cerca de 800 colaboradores desde que a OPCA se juntou à SOPOL