O sonho é simples e recomenda-se. Os veículos eléctricos prometem mudar a forma como vivemos e estão prestes a chegar em força.
Já vimos algumas potencialidades dessa quase realidade no grande ecrã, em filmes como o Regresso ao Futuro III. Por lá, o extrovertido e incapaz de ouvir a palavra «medricas» Martin McFly passeia pela cidade de Hill Valley e há algo diferente para além dos cenários modernos e dos fatos e carros futuristas: não se ouve qualquer ruído dos transportes.
Quanto muito, há um som leve ao estilo das naves espaciais. Ora, o futuro próximo pode mesmo passar por aí mais cedo do que se possa pensar: cidades sem ruído constante e com zero de emissões de CO2.
Portugal colocou-se na linha da frente dos países que irão acolher os primeiros veículos eléctricos capazes de responder às exigências das massas (já existem carros eléctricos, mas muito limitados na autonomia e na velocidade).
A semana passada, o Governo português assinou um protocolo com a aliança Renault-Nissan para comercializar uma gama completa de veículos eléctricos de características semelhantes aos automóveis tradicionais em 2011.
O Governo compromete-se em criar infra-estruturas para carregamento dos novos veículos que ainda não existem (nem tão poucos protótipos) e a ajudar com ausência de imposto automóvel (o que pela actual legislação já é possível).
Prometidos estão 160 km de autonomia e um carregamento fácil: cinco minutos para trocar a bateria numa estação; 30 minutos para um carregamento rápido numa estação; seis horas para carga lenta e económica em casa. É garantido ainda conforto e velocidade ao nível dos automóveis actuais. Israel e Dinamarca têm um protocolo semelhante.
Marcas apostam no eléctrico
O Governo deixou a porta aberta para outras parcerias com outras marcas. Aliás, a corrida ao carro eléctrico começa a ser grande e comum a várias marcas. Um estudo do MIT (Instituto norte-americano) citado pelo presidente da Renault-Nissan, Carlos Ghosn, indica que em 2016 o mercado dos automóveis eléctricos deverá vender 12 milhões de unidades (num universo de 69 milhões).
i Miev na linha da frente
Os testes das baterias de iões de lítio de grande capacidade para veículos eléctricos são constantes em várias marcas. A Mitsubishi está na linha da frente nesta nova "batalha" com o seu eléctrico i Miev.
A marca nipónica anunciou recentemente que irá comercializar no mercado japonês o veículo no Verão de 2009 (bem mais cedo do que se esperava), podendo chegar ao mercado europeu pouco depois (os britânicos já mostraram interesse).
A Mitsubishi Portugal explicou ao Destak que, para já, não há planos para comercialização por cá, nem existem contactos para parcerias com o governo português, mas não é de excluir. O i Miev tem 160 km de autonomia e permite uma velocidade de 130 km/h.
Surgem depois marcas como a Volkswagen que está a preparar um Golf eléctrico e onde o presidente da empresa admitiu mesmo: «o futuro pertence aos carros eléctricos.» A Opel e a Toyota também têm na forja veículos eléctricos para o mercado e a BMW anunciou ontem que irá testar 500 Minis com um sistema eléctrico.
Mas há mais projectos neste domínio e outros que englobam os veículos híbridos e outros movidos a hidrogénio. Em breve as baterias e células de hidrogénio devem começar a fazer parte dos condutores e mecânicos de todo o mundo. O futuro parece não ter emissões de CO2 nem barulho de motor.