Investimentos estão dependentes de pequenos actos administrativos que não obrigam a alterações na dimensão dos projectos.
Três novos grandes espaços comerciais a construir no Algarve ainda não reuniram todos os requisitos para serem aprovados pela Comissão Regional de Licenciamento Comercial, mas os processos dependem apenas de simples procedimentos administrativos.Nesta lista, incluem-se o futuro centro comercial de Tavira (Gran Plaza), um grande centro comercial (semelhante ao Fórum Algarve) a instalar junto à Boavista (Portimão) e um retail center, também a construir na cidade do Arade.Contactado pelo «barlavento», Macário Correia, presidente da Comissão Regional de Licenciamento, refere que os projectos apenas não foram aprovados por estarem dependentes de pequenos actos administrativos, mas aventa que tudo aponta para que o licenciamento ocorra em condições normais durante as próximas reuniões do organismo.No caso de Tavira, o processo foi suspenso para a reunião seguinte para que seja concretizada uma pequena alteração no Plano Director Municipal. «Trata-se de uma nuance meramente administrativa, já que o projecto contemplava a palavra industrial, quando deveria englobar o termo comercial».«Há apenas um acto normativo a resolver, sem o qual não é possível ser emitida a licença. O centro não morre aqui e vai manter a mesma configuração», sintetiza Macário, aventando que a instalação da superfície já foi aprovada por unanimidade na Assembleia Municipal.Casos pontuais à espera de clarificaçõesQuando aos restantes investimentos, Macário Correia afirma que os entraves apenas estão relacionados com casos pontuais que carecem de pequenas clarificações: «são arranjos administrativos que não vão condicionar a construção de nenhum destes edifícios nem obrigam os promotores a redimensionar a volumetria dos projectos».O futuro centro comercial de Portimão – cujo avanço do processo estava dependente da aprovação de um plano de urbanização – contempla mais de 30 mil metros quadrados de construção e prevê a instalação de múltiplas lojas, salas de cinema e um hipermercado.Quanto a Tavira, o projecto contempla 54 espaços comerciais, uma dezena de restaurantes, quatro ou cinco salas de cinema e 1100 lugares de estacionamento subterrâneo. Terá ainda associado um hipermercado da cadeia Carrefour, que deverá abrir ao mesmo tempo do centro, ou seja, dentro de dois anos.Ainda no Sotavento, também Olhão se deverá render às novas superfícies, estando prevista a criação de um espaço comercial com várias lojas e algumas salas de cinema.ACRAL preocupada com grandes superfíciesEm declarações ao «barlavento», o presidente da Associação de Comércio e Serviços da Região do Algarve (ACRAL) Gilberto de Sousa manifestou o desagrado em relação à implementação destas novas grandes superfícies e alerta que os mercados «não são elásticos e têm um ponto de saturação».A questão da saturação dos mercados também já foi abordada pelo presidente da delegação regional da Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (Deco) Henrique Dias.Em entrevista à rádio Gilão, na passada semana, o responsável da Deco revelou estar para breve o encerramento de uma superfície comercial de média dimensão no concelho de Tavira. Este cenário vem assim denunciar a fragilidade dos mercados algarvios – muito condicionados pela população flutuante – que já estão a ser disputados taco a taco com o mercado espanhol, depois de Ayamonte também ter inaugurado um espaço comercial de grande dimensão e ter como meta a angariação de clientes portugueses.Área comercial por habitante subiuPortugal tem das mais elevadas densidades comerciais na Europa, se se considerar o poder de compra do país, de acordo com um levantamento da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP).Nesse levantamento comparativo com outros países europeus, com referência a 2004, verifica-se que Portugal, tendo por base valores ajustados ao poder de compra, tem 209,3 metros quadrados de grandes superfícies para cada mil habitantes, enquanto a média europeia está nos 195,6 e Espanha aparece com 207,5 metros quadrados. A CCP ajustou esses dados a 2006 e, face às unidades já aprovadas, conclui que o índice aumentou 57,87 metros quadrados, alcançando os 267,17 metros quadrados por cada mil habitantes.
24 de Março de 2007 10:56Filipe Antunes