
Turismo em Dubai
Não é ficção. Com a construção de duas ilhas artificiais, tão grandes que podem ser vistas do espaço, o projecto Palm Island pretende acrescentar qualquer coisa como 120 km à linha costeira do Dubai, aumentando em 166% a costa deste pequeno emirato de 2500 km2 de área total.
Burj Al Arab, o hotel mais alto do mundo
Baptizadas como The Palm Jebel Ali e The Palm Jumeirah, estas ilhas em formato de palmeira começaram a ser construídas em 2001, estando a sua finalização total prevista para 2007. Até lá, centenas de trabalhadores vão colocar de pé, 24 horas sobre 24, aquela que já é considerada como "a oitava maravilha do mundo", a competir em popularidade com a Torre Eiffel, o Taj Mahal ou as pirâmides de Gizé.
A ideia é criar um imenso e exclusivo complexo turístico "flutuante" - ligado ao continente por pontes - que ofereça uma qualidade de excepção. Aqui vão nascer cerca de 100 hotéis, 10 000 apartamentos e villas de luxo, vários centros comerciais, restaurantes e cinemas, campos de golfe, sete marinas e inúmeras infra-estruturas de lazer e divertimento. Tudo pensado e realizado ao pormenor.
A ilha Jumeirah, a de menores dimensões e que será concluída já em finais de 2005, terá fins essencialmente residenciais, oferecendo aos seus habitantes (residentes ou não) sossego e tranquilidade. Por seu lado, a sua congénere de maior porte promete ser o paraíso do divertimento e do lazer, estando planeada a construção de vários parques temáticos.
maquetes e imagens digitais das villas a construir nas ilhas
E para que tudo isto seja possível, o consórcio liderado pelo Governo do Dubai vai fazer movimentar aproximadamente 4,5 mil milhões de dólares e 100 milhões de metros cúbicos de areia, terra e rochas. Há, sem dúvida alguma, que reconhecer a grandiosidade do projecto. As imagens das maquetes, falam por si.
Destino das Arábias
A imprensa mundial apaixonou-se por este projecto - como já tinha acontecido, aliás, quando o hotel Burj Al Arab foi inaugurado - e tem vindo a divulgá-lo amplamente. E não é para menos. Segundo a Organização Mundial de Turismo, o Dubai é um dos destinos que mais têm crescido e se têm desenvolvido, tanto em número de visitantes como na quantidade e na qualidade dos seus investimentos.
De facto, o pequeno emirato do Dubai - um dos sete que constituem os Emiratos Árabes Unidos -, localizado na costa Oeste do Golfo Pérsico, deu um passo de gigante na última década, assumindo-se como um centro de excelência - ou de luxo, para sermos mais exactos - dos universos empresarial e turístico.
Com projectos de grandes dimensões como este, o Dubai pretende vir a liderar o turismo mundial, passando dos actuais cinco milhões de visitantes por ano para 15 milhões em 2010. É esta, pelo menos, a vontade do Sheikh Mohammed bin Rashid al-Maktoum, príncipe e ministro da Defesa do Dubai, que quer tornar o emirato numa espécie de Hong Kong do Médio Oriente, dotando o território das melhores infra-estruturas do mundo.
O projecto Palm Island é disso exemplo, muito embora já outros planos grandiosos estejam pensados e até com datas de conclusão previstas. Uma pista: em 2008, o ano de todos os acontecimentos no Dubai, haverá novidades.
Regressemos às ilhas The Palm para lhe falar um pouco mais das suas histórias das mil e uma noites. A palmeira Jumeirah possui um tronco com 4 km de comprimento e 17 ramos com o mesmo diâmetro. No tronco principal, por onde se vai fazer a ligação ao continente, vão estar instalados apartamentos, hotéis, lojas, restaurantes e duas marinas. Por sua vez, nos braços de terra vão ser construídas habitações com 28 estilos arquitectónicos distintos, entre eles o veneziano, o mediterrânico, o gótico e o escandinavo.
Em todo o seu redor, exemplo também seguido na ilha Jebel Ali, está a ser erguido um braço de areia com 11 km de extensão, denominado como Crescent Island e que, além de funcionar como protecção face às marés, contará com 40 boutique hotels de cinco estrelas, recriando os ambientes de países como Marrocos, México, Grécia e Bali. Também com o especial cuidado de nunca danificar os fundos marinhos da costa, vai ser criado um paraíso para os mergulhadores, duplicando o ambiente subaquático de regiões como o Mar Vermelho, as Maldivas e o Belize.
A 22 quilómetros da primeira ilha, fica a Palm Jebel Ali, "a palmeira do lazer". Com cerca de 15 km de comprimento total - 40% maior do que a sua irmã gémea -, terá à disposição três marinas instaladas no seu "tronco", um espaço que vai também ser partilhado por hotéis de luxo, habitações, restaurantes, parques de diversões, seis marinas e uma "aldeia marinha" que emerge do primeiro oceanário do Médio Oriente. Seguem-se 1060 villas construídas sobre estacas e suspensas acima do nível das águas transparentes e cálidas - o clima subtropical do Dubai, em que a chuva é rara, proporciona temperaturas ambiente nunca inferiores a 10º no Inverno e sempre acima dos 40º no Verão. Vista de cima, esta estrutura ostenta um verso árabe que diz: "Sê sábio como os sábios. Nem todo o que monta é cavaleiro."
O mercado, por sua vez, já começou a fazer as suas aproximações, com cadeias internacionais como o Hilton, o Marriot, o Metropolitan ou o Sheraton a mostrarem intenção de ali instalarem unidades da marca. Aliás, um dos maiores investidores e promotores da Palm Jumeirah é o conhecido empresário kuwaitiano Jassim al-Bahar, proprietário do Sheraton Algarve Hotel & Pine Cliffs Resort, no Algarve, cujo modelo de gestão vai ser aplicado no Dubai.
Ao que tudo indica, e de acordo com informações facultadas pelos promotores, quem mais tem vindo a investir neste projecto têm sido os europeus. Estes investidores, assim como os respectivos familiares e staff, vão ter automaticamente direito a visto de residência enquanto forem proprietários de posições contratuais no projecto Palm Island. Para tal, no entanto, terão de desembolsar mais de 400 mil euros para adquirir uma casa com cerca de 350 m2, de tipologia T2. Os valores podem ascender a somas superiores a um milhão de euros, quando falamos de uma villa com cinco a sete divisões e 650 m2 de área total de construção.
Um destino exclusivo somente ao alcance de um restrito número de comuns mortais e que pretende pautar-se pela discrição. É que, apesar de entre os proprietários já se contarem algumas celebridades, nomeadamente David Beckham, o "galáctico" futebolista do Real Madrid, os seus investidores são essencialmente anónimos, como os 20 portugueses - dados fornecidos pelos promotores - que já compraram posições na primeira ilha a ser comercializada.
... e a obra nasce. Prova disso é o facto de outros ambiciosos projectos estarem na manga das autoridades do Dubai. Para não falar daqueles que já são uma realidade, destacando-se, a título de exemplo, o mais alto hotel do mundo, o Burj al Arab, com 321 metros, construído, como parece ser tradição no Dubai, sobre uma ilha artificial e inaugurado em 1999. Ou as Emirates Towers, em que uma das torres (a outra é um hotel) ostenta o título de mais alto edifício de escritórios do Médio Oriente e da Europa, com os seus 355 metros de altura.
Como a ambição quebra qualquer barreira, outros projectos vão em breve ganhar forma. Um deles chama-se The World, e deverá situar-se a cinco quilómetros da faixa costeira deste pequeno emirato árabe. Um retiro luxuoso e, prometem, paradisíaco, que se vai elevar no meio das águas do Golfo Pérsico com a forma do mapa-múndi. Nada mais nada menos do que a terra miniaturizada ao mais ínfimo pormenor. Acessível apenas por barco e sem qualquer ligação terrestre, The World pretende representar em 223 ilhas todos os países, povos e continentes. Estima-se que este arquipélago artificial, que começou a ser construído no final de 2003, venha a estar concluído em 2008.
Maquete do "tronco" da ilha Palm Jumeirah, por onde se faz a ligação ao continente
Também para esse ano prevê-se a finalização do Burj Dubai, um outro edifício que vai seguramente "arranhar" os céus, erguendo-se muito acima de qualquer outro que então ostente o título de mais alto do mundo. Dele apenas se sabe que terá cerca de 200 andares, um hotel, escritórios e habitações. Tudo o resto vai ser mantido em segredo, nomeadamente a sua altura exacta, até ao dia da inauguração. Entretanto, os trabalhos de escavação das fundações do Burj Dubai iniciaram-se este mês, tudo apontando para que, também em 2008, nasça o maior arranha-céus do planeta.
Fonte: http://www.rotas.xl.pt/