Envolvida na mais verde paisagem, com o azul do mar e do céu num bailado constante fomos encontrar aquela que é a ilha mais ocidental da Europa, no meio do Oceano Atlântico. Falamos da ilha das Flores, uma das nove pertencentes ao Arquipélago dos Açores, onde a Natureza continua a ser rainha.
Os 143,11 quilómetros quadrados de superfície que a compõem estão repletos de surpresas para quem a visita e, ao virar de cada curva, um novo cenário se nos depara com uma nova luz, cores e sons únicos.
Vizinha da ilha do Corvo - que se avista na perfeição, caso o tempo o permita - as Flores são ideais para os amantes da Natureza, dos longos caminhos pedestres, da observação das aves ou apenas das ondas do mar. Praias, piscinas naturais e lagoas são constantes por ali e convidam ao mergulho e ao descanso.
Apesar de se desconhecer ao certo em que data terá sido descoberta, os historiadores acreditam que esta terá sido povoada entre 1450 e 1452 pelo navegador Diogo Teive. No entanto, o seu isolamento levou ao abandono da mesma e só em 1504 terá assistido ao seu povoamento definitivo com gentes provenientes das ilhas da Terceira e Madeira e alguns continentais.
Mas voltemos ao presente, já que a ilha, que durante anos viveu mais isolada, começa agora a ganhar mais vida, principalmente com a abertura recente do Hotel das Flores, uma unidade hoteleira de quatro estrelas cuja exploração está a cargo da Inatel e que desde os finais de Agosto garante à ilha um serviço que há muito se esperava.
Para Morais Lopes, director daquele hotel cujo investimento rondou os cinco milhões de euros, a ocupação tem sido uma agradável surpresa e o feedack dos turistas, essencialmente alemães, franceses e italianos "é muito positivo e já temos muitas reservas para o ano que se avizinha".
Com 26 quartos, um quarto para pessoas com deficiências motoras e uma suite, o Hotel das Flores, em Santa Cruz das Flores, para além da vista com o Corvo no horizonte, disponibiliza um restaurante, bar, ginásio, piscina exterior, room service, entre outros serviços.
Para Morais Lopes a estadia de uma semana é o ideal para quem procura as Flores e actividades é coisa que não falta por aqui.
Senão veja-se...
Percursos Pedestres
Visitar a ilha através dos percursos pedestres existentes é talvez a melhor opção. Comecemos pelo mais fácil. São quatro quilómetros para fazer em duas horas no percurso Fajã de Lopo Vaz. O início e o fim são no Miradouro da Fajã de Lopo Vaz e progride por uma descida em que o trilho alterna entre terra batida, calçada e degraus em pedra. A exploração da Fajã fica ao critério de cada um dos visitantes, que podem encontrar uma fonte com água potável, uma praia, pequenos terrenos agrícolas e cabras selvagens.
Passando para o percurso seguinte, este com sete quilómetros e uma caminhada de três horas, o seu início dá-se no Miradouro das Lagoas, terminando na Poça do Bacalhau. Pelo caminho é possível ver-se a Caldeira Seca, a Fajã Grande e seguir junto à Ribeira das Casas até à Poça do Bacalhau.
E se percorrer trilhos bem juntinho à Natureza é já razão mais do que suficiente para visitar as Flores, encontrar uma aldeia recuperada para turismo é no mínimo tentador. Para lá do aeroporto das Flores, a oeste da ilha, na freguesia da Fajã Grande fomos encontrar a Aldeia da Cuada. Um pequeno planalto sobranceiro à foz da Ribeira Grande. Ficar nas pequenas e grandes casas de pedra que se espalham pela aldeia, conservando mobiliário e objectos de outrora, transporta-nos a tempos idos. Equipadas com cozinhas e casa de banho, além de amplos quartos, as 16 moradias da Aldeia da Cuada respeitam todas as regras de segurança. Se é fã de turismo da aldeia, apresse-se a fazer a reserva. É que este é um empreendimento muito procurado, principalmente nos meses de Verão. Para quem quiser ficar a conhecer mais, nada melhor do que visitar o site www.aldeiadacuada.com.
Fazer rafting ou um passeio marítimo para ficar a descobrir as inúmeras grutas que circundam a ilha e que já foram esconderijos de piratas podem ser programas alternativos.
A antiga fábrica da baleia, em Santa Cruz das Flores, deu agora lugar a um Centro de Interpretação da ilha. Ao longo de várias salas, o visitante é convidado a conhecer de perto a génese da ilha, os animais terrestres e aquáticos que a compõem e o fundo do Oceano Atlântico. Pelo meio ouvem-se os cagarros, aves muito observadas na zona e que são agora espécie protegida.
Já falámos de passeio, já arranjámos estadia, está na hora de comermos qualquer coisa. A oferta não é muita, mas nós recomendamos um restaurante na Fajãzinha, o Pôr-do-Sol.
Com decoração rústica, o restaurante faz-nos sentir em casa. Albacora no forno com batata-doce, Carne assada com castanhas ou uma Feijoada Tradicional com inhame faziam parte do menu quando por lá passámos. A Delícia de Amoras ou o Pudim de Côco fechavam com chave de ouro uma ementa onde não faltaram os queijos regionais, o pão de milho e os torresminhos, tudo regado com vinho Terras de Lava.

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