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No flexível mercado de trabalho do emirato, a lealdade à empresa existe até à proposta de trabalho seguinte, queixam-se os gestores portugueses.


No flexível mercado de trabalho do emirato, a lealdade à empresa existe até à proposta de trabalho seguinte, queixam-se os gestores portugueses.

Num mercado de emprego em que as portas se abrem e fecham muito depressa e no qual competem cada vez mais empresas, uma das dificuldades de quem tem de gerir um negócio é construir uma equipa leal e de qualidade, dizem os profissionais portugueses reunidos pelo Diário Económico.“A mão-de-obra local é difícil e com os expatriados o problema está nos salários, que aumentaram brutalmente nestes últimos anos”, avança Paulo Madeira, director da Visabeira nos Emiratos. “Não há lealdade nenhuma às empresas: as pessoas que aqui estão, vieram pelo dinheiro e trocam de emprego assim que aparece uma proposta melhor”, explica. Muitas vezes as “propostas melhores” significam o dobro ou o triplo do salário – num mercado ainda escasso em talentos, a permanência compensa.A escalada nos salários é um dos principais problemas para as empresas no Dubai e explica-se não só pelas condições do mercado de trabalho, mas também pela inflação, que atinge os 15%. Um mercado aberto aos portugueses

Basta abrir o suplemento de emprego do jornal diário “Gulf News” para perceber que o mercado de trabalho do Dubai está em plena ebulição. A maior procura é por profissões técnicas e ligadas ao turismo e os requisitos são claros: “Gulf experience” dá créditos, assim como um percurso sólido nos países de origem. “O Dubai está ávido de pessoas que saibam fazer coisas e muitas empresas de recrutamento andam à procura delas. As engenharias são áreas muito procuradas”, aponta Paulo Madeira. Guilherme Santos, engenheiro civil, há três anos no Dubai pela britânica Mace, confirma o interesse do mercado, mas deixa alguns avisos. “Os portugueses com mais experiência são mais procurados para a área de projecto: os directores de obra são sempre asiáticos”, indica. “Em muitos casos, pedem 15 a 20 anos de experiência e são muito rigorosos a confirmar os currículos”, explica.

As oportunidades surgem também noutras áreas, como conta Sara Costa Apostolidis, 30 anos, há três no Dubai, a trabalhar para a Denton Wilde Sapte, uma multinacional na área jurídica. “Cheguei aqui sem nada, enviei currículos e passado um mês consegui este emprego”, diz. Sara, formada em Direito em Lisboa, não se arrependeu de ter seguido o marido para o emirato. “Em Portugal, para o nível de rendimento que tenho, teria de trabalhar muito mais.”Os profissionais reunidos pelo Diário Económico indicam que 25 mil dirahms (cerca de cinco mil euros) é o mínimo que um quadro com família deve aceitar para ir para o Dubai – o que permite ter uma vida confortável no emirato onde as rendas sobem 30% por ano. “As pessoas gostam de vir para aqui”, diz Alessandro Gomes, CEO da Odebrecht no Dubai. “As escolas são boas, o ambiente é internacional e a integração é fácil”, acrescenta. E o país não tem problemas de segurança.