
A aposta estratégica no turismo por parte do Governo tem por fim reanimar a economia portuguesa. Mas por si só não garante um desenvolvimento sustentado.
Os empreendimentos imobiliários com uma componente residencial para estrangeiros previstos para Portugal, durante os próximos quatro anos, estão avaliados em mais de 3,6 mil milhões de euros. Este valor apenas diz respeito a um pequeno lote de projectos orientados para segundas habitações e referenciados recentemente. Os seus promotores estão interessados no Algarve, região turística por excelência, mas também na região Oeste e no Alentejo. O mercado potencial ronda os 600 mil proprietários estrangeiros. Esta fasquia, a ser atingida, movimentaria 150 mil milhões de euros em compras de imóveis, O valor de investimento (3,6 mil milhões de euros) em cima da mesa, tem somente em conta os principais mega-empreendimentos turísticos (resorts) que vieram a público nos últimos dois meses. O segmento de turismo residencial tem sido destacado pelo ministro da Economia, Manuel Pinho, como uma prioridade estratégica do Governo socialista, que quer induzir crescimentos económicos rápidos. Os exemplos referidos pelo governante são as Ilhas Baleares e a Florida. Espanha e os Estados Unidos são os países que lideram este negócio a nível mundial. Portugal tem já uma pequena fatia do mercado de aquisições residenciais no Sul da Europa, sendo procurado sobretudo por ingleses, que adquirem casas em propriedade plena para segundas habitações e em regime de time sharing. Recentemente, os irlandeses começaram a investir também no país, mas neste caso o objectivo é auferir de um rendimento garantido (adquirem casa contratualizando um rendimento com o gestor do resort).Estima-se que existam 100 mil estrangeiros com propriedades imobiliárias em território português. Os analistas consideram que este número pode ser multiplicado por seis, o que movimentaria 150 mil milhões de euros - um valor que tem por base um preço médio por habitação de 300 mil euros. Este segmento é gerador de postos de trabalho e atrai capitais, com efeitos positivos imediatos no emprego (pouco qualificado), no produto e na balança externa. Mas não constitui a base de um desenvolvimento tecnológico, pelo que deve ser acompanhado de uma actuação que promova o emprego de mão-de-obra qualificada e as exportações de bens de valor acrescentado. Os economistas admitem que a aposta no turismo pode abrir portas para negócios de maior valor acrescentado, como os relacionados com o sector da saúde (os estrangeiros são geralmente da terceira idade e de segmentos altos, necessitando de serviços especializados). É também uma forma de alavancar produtos tradicionais: o turismo residencial surge muitas vezes inserido em resorts, onde coexiste com hotéis e equipamentos de lazer, como campos de golfe e Spas. Todavia, quando é um investimento isolado e mal dirigido, pode também desviar fluxos turísticos dos estabelecimentos hoteleiros.Por outro lado, o impacto deste segmento na hotelaria e na construção é significativo, mas o seu crescimento descontrolado constitui um risco, pois pode agravar os desquilíbrios territorais e macro-económicos. "Existe necessidade de regular este sector através de um organismo que aprove os projectos, evitando que haja excessiva pressão imobiliária", disse André Jordan, para quem o negócio das segundas residências para estrangeiros constitui uma alavanca do crescimento económico. "É uma questão de planeamento". O empresário luso-brasileiro, que construiu a Quinta do Lago e detém o Belas Club de Campo, admite que "não se pode exagerar como fez a Espanha", onde toda a economia gira à volta do sector da construção civil. Jordan apresentou recentemente ao Governo um estudo sobre este micro-sector do Turismo. 30 mil camas no AlentejoOs investimentos referidos nos últimos dois meses pela comunicação social podem gerar cerca de 50 mil camas. Só na região do Litoral alentejano, os resorts conhecidos envolvem investimentos superiores a 2,2 mil milhões de euros (30 mil camas). Para além do Algarve, é a região do Oeste que parece estar agora na mira dos investidores. Estes têm vindo a adquirir terrenos para edificar habitações e hotéis de grandes cadeias internacionais. São os casos das herdades do Campo Real, em Torres Vedras, e Praia d"el Rei, em Óbidos, onde estão a ser construídas unidades ligadas a hotéis das redes Westin (Meridian) e Merriot. E por exemplo, no Algarve dois grupos anglo-saxónicos (ingleses e irlandeses) comunicaram ter recebido luz verde para desenvolver projectos na região: em Castro Marim, o Corte Velho, e em Lagos e Silves, vários empreendimentos do grupo Oceânico, que já adquiriu também terrenos em Óbidos e nos Açores. No entanto, os investidores lamentam que o Governo não tenha ainda assumido este sector como uma indústria e uma actividade económica muito importante, à semelhança do que fizeram os franceses, os italianos e mais recentemente os espanhóis. Esta situação obrigaria as autoridades a criar os mecanismos necessários a tornar o sector competitivo internacionamente, produzindo um quadro legal mais favorável - o anterior Governo penalizou a tributação aos residentes não nacionais - , unidades de saúde especializadas na terceira idade e assegurar ligações frequentes entre Lisboa, Porto e Faro às principais cidades europeias. Uma questão que classificam como vital.
Os empreendimentos imobiliários com uma componente residencial para estrangeiros previstos para Portugal, durante os próximos quatro anos, estão avaliados em mais de 3,6 mil milhões de euros. Este valor apenas diz respeito a um pequeno lote de projectos orientados para segundas habitações e referenciados recentemente. Os seus promotores estão interessados no Algarve, região turística por excelência, mas também na região Oeste e no Alentejo. O mercado potencial ronda os 600 mil proprietários estrangeiros. Esta fasquia, a ser atingida, movimentaria 150 mil milhões de euros em compras de imóveis, O valor de investimento (3,6 mil milhões de euros) em cima da mesa, tem somente em conta os principais mega-empreendimentos turísticos (resorts) que vieram a público nos últimos dois meses. O segmento de turismo residencial tem sido destacado pelo ministro da Economia, Manuel Pinho, como uma prioridade estratégica do Governo socialista, que quer induzir crescimentos económicos rápidos. Os exemplos referidos pelo governante são as Ilhas Baleares e a Florida. Espanha e os Estados Unidos são os países que lideram este negócio a nível mundial. Portugal tem já uma pequena fatia do mercado de aquisições residenciais no Sul da Europa, sendo procurado sobretudo por ingleses, que adquirem casas em propriedade plena para segundas habitações e em regime de time sharing. Recentemente, os irlandeses começaram a investir também no país, mas neste caso o objectivo é auferir de um rendimento garantido (adquirem casa contratualizando um rendimento com o gestor do resort).Estima-se que existam 100 mil estrangeiros com propriedades imobiliárias em território português. Os analistas consideram que este número pode ser multiplicado por seis, o que movimentaria 150 mil milhões de euros - um valor que tem por base um preço médio por habitação de 300 mil euros. Este segmento é gerador de postos de trabalho e atrai capitais, com efeitos positivos imediatos no emprego (pouco qualificado), no produto e na balança externa. Mas não constitui a base de um desenvolvimento tecnológico, pelo que deve ser acompanhado de uma actuação que promova o emprego de mão-de-obra qualificada e as exportações de bens de valor acrescentado. Os economistas admitem que a aposta no turismo pode abrir portas para negócios de maior valor acrescentado, como os relacionados com o sector da saúde (os estrangeiros são geralmente da terceira idade e de segmentos altos, necessitando de serviços especializados). É também uma forma de alavancar produtos tradicionais: o turismo residencial surge muitas vezes inserido em resorts, onde coexiste com hotéis e equipamentos de lazer, como campos de golfe e Spas. Todavia, quando é um investimento isolado e mal dirigido, pode também desviar fluxos turísticos dos estabelecimentos hoteleiros.Por outro lado, o impacto deste segmento na hotelaria e na construção é significativo, mas o seu crescimento descontrolado constitui um risco, pois pode agravar os desquilíbrios territorais e macro-económicos. "Existe necessidade de regular este sector através de um organismo que aprove os projectos, evitando que haja excessiva pressão imobiliária", disse André Jordan, para quem o negócio das segundas residências para estrangeiros constitui uma alavanca do crescimento económico. "É uma questão de planeamento". O empresário luso-brasileiro, que construiu a Quinta do Lago e detém o Belas Club de Campo, admite que "não se pode exagerar como fez a Espanha", onde toda a economia gira à volta do sector da construção civil. Jordan apresentou recentemente ao Governo um estudo sobre este micro-sector do Turismo. 30 mil camas no AlentejoOs investimentos referidos nos últimos dois meses pela comunicação social podem gerar cerca de 50 mil camas. Só na região do Litoral alentejano, os resorts conhecidos envolvem investimentos superiores a 2,2 mil milhões de euros (30 mil camas). Para além do Algarve, é a região do Oeste que parece estar agora na mira dos investidores. Estes têm vindo a adquirir terrenos para edificar habitações e hotéis de grandes cadeias internacionais. São os casos das herdades do Campo Real, em Torres Vedras, e Praia d"el Rei, em Óbidos, onde estão a ser construídas unidades ligadas a hotéis das redes Westin (Meridian) e Merriot. E por exemplo, no Algarve dois grupos anglo-saxónicos (ingleses e irlandeses) comunicaram ter recebido luz verde para desenvolver projectos na região: em Castro Marim, o Corte Velho, e em Lagos e Silves, vários empreendimentos do grupo Oceânico, que já adquiriu também terrenos em Óbidos e nos Açores. No entanto, os investidores lamentam que o Governo não tenha ainda assumido este sector como uma indústria e uma actividade económica muito importante, à semelhança do que fizeram os franceses, os italianos e mais recentemente os espanhóis. Esta situação obrigaria as autoridades a criar os mecanismos necessários a tornar o sector competitivo internacionamente, produzindo um quadro legal mais favorável - o anterior Governo penalizou a tributação aos residentes não nacionais - , unidades de saúde especializadas na terceira idade e assegurar ligações frequentes entre Lisboa, Porto e Faro às principais cidades europeias. Uma questão que classificam como vital.