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Ilídio Araújo, um pioneiro do paisagismo desencantado com o país

Publicação de fotobiografia homenageia arquitecto paisagista e agrónomo, que morreu há um ano, deixando obra em vários pontos do país e que muito se revoltou contra a destruição de Portugal pelo betão.


Poucos terão ouvido falar dele. Mas muitos de nós já passeamos em jardins desenhados por um dos primeiros arquitectos paisagistas portugueses, condiscípulo de Viana Barreto e de Gonçalo Ribeiro Telles. Ilídio Alves de Araújo morreu há um ano. 

Uma fotobiografia, escrita por Fernando Santos Pessoa com o apoio do Centro Nacional de Cultura e da Associação Portuguesa, lança alguma luz sobre a vida e a obra de um homem discreto, apontado, por conhecidos e amigos, como um "sábio", que deixou publicado, e por publicar, uma imensa obra de reflexão sobre o território português.

Quando Ilídio Alves de Araújo morreu, a 14 de Janeiro, no Porto, a própria família pouco sabia da importância do seu trabalho. 

Um dos seus três filhos, Francisco, que na quinta-feira passada, na reitoria da Universidade do Porto, assistiu ao lançamento da obra A Arquitectura Paisagísta em Ilídio Alves de Araújo – uma fotobiografia, assume que só depois do desaparecimento físico do pai, e através dos depoimentos de amigos, se aperceberam que aquele homem que em 1925 nascera num planalto em Celorico de Basto, e que pouco falava do seu trabalho, tinha deixado marcas profundas naqueles que com ele tinham convivido. E muita obra espalhada pelo país.

É dele a requalificação dos Jardins da Cerca do Convento de Santa Marinha da Costa, transformado em pousada, num projecto com a assinatura de Fernando Távora. 

Arquitecto com quem trabalhou, nas mesmas funções, na reabilitação do mosteiro de Refóios do Lima, que alberga a Escola Superior Agrária de Ponte Lima. Reabilitou várias quintas no Norte do país, interveio em matas como a de Camaride, em Caminha, ou a do Choupal, em Coimbra, e desenhou jardins públicos em vilas e cidades do litoral ao Interior - quase sempre sem assinatura. E, enquanto técnico com responsabilidades na área do ordenamento do território no Norte, ajudou a definir, com Santos Júnior, a primeira área protegida do país, a Reserva Ornitológica do Mindelo e desenhou, há quatro décadas, um grande parque metropolitano, cintura verde à volta da área urbana do Porto, que os concelhos limítrofes têm tentado, também recentemente, criar.

O encantamento de percorrermos, de carro, a serpenteante estrada de acesso ao Bom Jesus do Monte, em Braga, devemo-lo a ele, lembra o paisagista Manuel Sousa, que em 2009 o homenageou publicamente, de surpresa, durante um congresso ibérico de Parques e Jardins, da Póvoa de Lanhoso. A alternativa era uma rampa a rasgar monte acima, e Ilídio Alves de Araújo conseguiu impor a sua visão, que integra de uma forma monumental o edificado, a mata e a via de acesso ao santuário cuja candidatura a património da humanidade está a ser coordenada por Teresa Andresen, professora universitária e paisagista a quem coube a condução da homenagem realizada na quinta-feira no Porto, e que esta sexta-feira se repetiu no Centro Nacional de Cultura, em Lisboa.

Mas apesar deste currículo que o levou, recém-licenciado, a participar no primeiro Plano de Fomento Agrário do Alentejo, e que inclui imenso pensamento escrito e publicado sobre paisagismo e jardins, história da paisagem e do povoamento do território, património, ecologia, ordenamento do território e economia, o que fica deste agrónomo e paisagista é, também, a imagem de um homem derrotado pela impossibilidade de levar à prática a sua filosofia do território. 

Uma filosofia integradora da actividade humana no território, aprendida nos bancos do Instituto Superior de Agronomia no início da década de 50 e fortemente influenciada por Francisco Caldeira Cabral, considerado o pai do paisagismo em Portugal, e por Eugénio de Castro Caldas, que o pôs em contacto com a visão abrangente da sociologia rural

O ex-ministro da Economia Luís Braga da Cruz, que o conheceu na década de 60, recorda que, quando Ilídio de Araújo se metia pela Nacional 13, para Norte, lhe dizia que só lhe apetecia fechar os olhos, para não ver o que fora feito àquela paisagem sobre a qual escrevera, e na qual solos agrícolas férteis foram quase destruídos pela poluição, por um lado, e pelo crescimento urbano desordenado, por outro. 

cartoon que o arquitecto Ferreira dos Santos dele fez em 1978 resume bem o seu estado de espírito perante a evolução do território português, mas podemos também verificá-lo nas suas próprias palavras, próprias de quem, desiludido, deixou rapidamente uma curta experiência como secretário de Estado do Ambiente, em 1979, e abandonou definitivamente as funções públicas quando Portugal iniciava a sua aventura europeia, em 1985.

Crítico da partidarização dos serviços técnicos do Estado, em 2009 escreveu, num texto publicado a propósito dos 40 anos da criação da Comissão de Coordenação da Região Norte: “Uma convicção, que o meu longo e ziguezaguiante percurso pela Administração Pública me arreigara, fôra a de que a gestão racional e credível do território não pode ser capazmente planeada por gabinetes particulares, sujeitos à pressão do lucro imediato e dos lobbies locais, e sem preocupações com a evolução futura do processo de planeamento”.

Cansado da “bandalheira” em que via o país ser transformado, Ilídio Alves de Araújo foi investindo cada vez mais do seu tempo numa das áreas em que tem menos trabalho publicado, mas à qual dedicou muita atenção desde cedo. A proto-história e a evolução da paisagem. 

Vêm de longe os seus estudos sobre a evolução dos povos da Europa, e as suas teorias “fora da caixa”, que cruzam bascos com finlandeses, por exemplo, como recorda Braga Cruz, que se espantou com as suas teses logo naquele primeiro almoço em que o conhecera, algures nos anos 60.

Fernando dos Santos Pessoa, também paisagista e seu amigo, e a quem Ílídio de Araújo entregou, no Natal de 2014, três semanas antes de morrer, um CD com 800 páginas de textos escritos, acredita que a sua obra sobre paisagismo, ecologia e ordenamento do território acabará por ser conhecida, dado o interesse já manifestado há anos por José Carlos Marques (fundador da associação Campo Aberto e coordenador dos Cadernos de Ecologia e Sociedade da Afrontamento), na edição destes trabalhos. Quanto aos textos de proto-história, o autor da fotobiografia considera mais difícil a sua publicação, dado o seu carácter controverso e o facto de o autor não poder, já, defender-se da crítica a que as suas teses seriam naturalmente sujeitas.

fonte Publico


Em 2010, a economia portuguesa já deverá crescer, embora de um modo muito ligeiro, refere a comissão Europeia



Em 2010, a economia portuguesa já deverá crescer, embora de um modo muito ligeiro, refere a comissão Europeia A Comissão Europeia acaba de publicar as previsões económicas de Outono para os seus 27 Estados-membros. A conclusão é que a União Europeia vai começar a sair lentamente da crise a partir de 2010, ano que ficará assim marcado como o da retoma económica na Europa.


Em Portugal, espera-se já um crescimento do PIB em 2010 (+0,3 por cento), depois do decréscimo de 2,9 por cento avançado para o corrente ano. A inflação deverá subir para os 1,3 por cento (-1,0 por cento em 2009) e a taxa de desemprego permanecerá nos 9,0 por cento, s prevendo-se apenas uma ligeira diminuição em 2011 (8,9 por cento).

A par com o défice orçamental (8,0 por cento do PIB em 2009 e 2010 e 8,7 por cento em 2011) e o aumento da dívida pública (mais de 80 por cento do PIB), a taxa de desemprego é um dos maiores problemas da economia nacional.

Na Zona Euro, as previsões são para um acréscimo médio do PIB de 0,7 por cento em 2010, um défice de 6,5 por cento, uma inflação de 1,1 por cento e uma taxa de desemprego de 10,7 por cento.