
S. Vicente deu-lhe o nome. Costa agreste, o fim do sudoeste. Dobra-se o Cabo e o Algarve já é outro. Aqui as águas são frias, as praias aninham-se entre falésias. Aves, mamíferos, répteis, anfíbios, crustáceos, peixes: todos encontram aqui abrigo, mau grado a sempre difícil convivência com o grande predador Homem. Para mediar esse "conflito" ancestral, a Costa Vicentina foi classificada primeiro como Área Protegida, depois como Parque Natural, fazendo contínuo com o Sudoeste Alentejano - aliás, plantas e animais não compreendem esse pormenor semântico, mais preocupadas com variações de salinidade, temperatura, tipo de solo, humidade, poluição e outros factores ambientais.
Sobre o Sudoeste Alentejano ficámos a conhecer um bocadinho na viagem até ao Pero Vicente (Como Chegar Até Nós). Sobre os concelhos vicentinos de Aljezur e Vila do Bispo vamos agora começar a descoberta.
Os nossos agradecimentos a todos (técnicos do Parque Natural, do Instituto da Conservação da Natureza, cientistas, autarcas, jornalistas, residentes, etc) que nos deixaram "beber" nos seus trabalhos e na sua actividade quotidiana a informação que queremos partilhar. Só conhecendo se pode gostar; só gostando se pode defender. E a Costa Vicentina precisa de amigos.
Sobre o Sudoeste Alentejano ficámos a conhecer um bocadinho na viagem até ao Pero Vicente (Como Chegar Até Nós). Sobre os concelhos vicentinos de Aljezur e Vila do Bispo vamos agora começar a descoberta.
Os nossos agradecimentos a todos (técnicos do Parque Natural, do Instituto da Conservação da Natureza, cientistas, autarcas, jornalistas, residentes, etc) que nos deixaram "beber" nos seus trabalhos e na sua actividade quotidiana a informação que queremos partilhar. Só conhecendo se pode gostar; só gostando se pode defender. E a Costa Vicentina precisa de amigos.
Maré cheia. O mar cobre as praias naturais do Sudoeste Alentejano e a Costa Vicentina. Das ondas sobressaem, junto à linha de costa, pináculos de rocha negra, quais pontas de icebergues. Junto das falésias, torres de pedra (os "palheirões") albergam uma singularidade em todo o mundo: cegonhas brancas que nidificam com o mar à volta.Com fins didácticos, todos podem igualmente visitar as águas vivas e ficar a conhecer um colorido mundo que se deixa vislumbrar duas vezes por dia.
Nas enseadas de calhau e areia, outras aves procuram alimento. Quando a maré baixa, deixa expostas poças entre as rochas, do tamanho de um aquário, umas, autênticas piscinas olímpicas, outras.Umas ficam isoladas do mar menos tempo que outras. Todas pululam de vida, temporariamente aprisionada ou voluntariamente desfrutando de condições excepcionais para a maternidade e o crescimento. Cada vaivém da maré deixa a descoberto novos seres, novas formas, novas cores.
A areia é outro elemento fundamental na dinâmica das poças de maré: depositada ou arrastada pelas ondas, pode encontrar-se apenas nos fundos, ou pelo contrário, cobrir, temporariamente, as poças de maré. Mexilhões, cracas, ouriços-do-mar, perceves, pequenos camarões, anémonas, estrelas-do-mar, burgaus, são alguns dos habitantes característicos das poças-de-maré. Todavia, têm zonas de habitat que derivam, precisamente, da diferenciação ambiental (quantidade de água, temperatura, salinidade, etc).
Alheios a estes "pormenores" de cientistas, os pescadores e mariscadores conhecem bem os recantos postos a descoberto na maré baixa e as espécies que ali habitam.
Nas enseadas de calhau e areia, outras aves procuram alimento. Quando a maré baixa, deixa expostas poças entre as rochas, do tamanho de um aquário, umas, autênticas piscinas olímpicas, outras.Umas ficam isoladas do mar menos tempo que outras. Todas pululam de vida, temporariamente aprisionada ou voluntariamente desfrutando de condições excepcionais para a maternidade e o crescimento. Cada vaivém da maré deixa a descoberto novos seres, novas formas, novas cores.
A areia é outro elemento fundamental na dinâmica das poças de maré: depositada ou arrastada pelas ondas, pode encontrar-se apenas nos fundos, ou pelo contrário, cobrir, temporariamente, as poças de maré. Mexilhões, cracas, ouriços-do-mar, perceves, pequenos camarões, anémonas, estrelas-do-mar, burgaus, são alguns dos habitantes característicos das poças-de-maré. Todavia, têm zonas de habitat que derivam, precisamente, da diferenciação ambiental (quantidade de água, temperatura, salinidade, etc).
Alheios a estes "pormenores" de cientistas, os pescadores e mariscadores conhecem bem os recantos postos a descoberto na maré baixa e as espécies que ali habitam.
As marés influenciam profundamente a vida na zona de costa no sudoeste português. Quando as águas recuam, expõem piscinas naturais de fundo arenoso ou rochoso, esteiros de areia, rochas até então cobertas pelo mar, deixando ver algas, crustáceos, moluscos, pequenos peixes, atraindo pássaros e pessoas, que na maré baixa mariscam. Na maré cheia, pouco espaço fica para as actividades humanas, pois o mar chega aos depósitos de calhau rolado ou mesmo à própria falésia. Mas o que causa o fenómeno das marés?
Fenómeno conhecido desde a Antiguidade, apenas a formulação da teoria da gravidade universal, por Isaac Newton, veio trazer luz sobre o complexo jogo de forças gravitacionais e centrífugas que se desenrola entre o Sol, a Terra e a Lua, de forma a provocar esse movimento cíclico nos mares do nosso planeta.
Os astros exercem uns sobre os outros forças de atracção gravitacional, que aumenta com a massa do corpo que atrai e diminui com o quadrado da distância entre este e o corpo que é atraído. Assim, a Lua e o Sol atraem a Terra e vice-versa. Por outro lado, a esta força de atracção gravitacional se associa uma outra: a força centrífuga do movimento de translação do centro da Terra em torno dos centros de massa dos sistemas Terra-Lua e Terra-Sol. Esse conjunto de forças actua sobre a massa líquida do planeta, criando enchentes numa região (maré-cheia ou preia-mar), vazantes noutra (maré baixa) e correntes de maré entre elas, num sistema de vasos comunicantes. Ver video
Convém distinguir o peso relativo dos astros intervenientes neste jogo: apesar da imensa massa do Sol (27 milhões de vezes maior que a da Lua), devido à sua distância, é a Lua, muito mais próximo da Terra, que exerce maior influência na criação do efeito de maré. A influência da Lua é cerca do dobro que a influência do Sol.
Assim, as regiões mais perto e mais afastada da Lua têm marés cheia e vazia, respectivamente. Ou seja, num dado momento, há sempre duas marés na Terra.As grandes marés ou "Marés-vivas" são aquelas cuja amplitude é a maior do ciclo lunar e correspondem ao momento de concordância das atracções solares e lunares, na Lua Cheia e Lua Nova. Isto é, quando a Lua, o Sol e a Terra se encontram sobre a mesma linha, as forças somam-se e a água enche e vaza mais.Por outro lado, quando o sistema Lua-Terra e Sol faz um ângulo de 90 graus (estão em oposição), as forças subtraem-se e a amplitude da maré é menor ("Marés-mortas").
As marés não sobem e descem todos os dias à mesma hora, porque obedecem ao dia Lunar, que é cerca de 48 minutos mais longo que o dia solar. Ou seja, diariamente as marés alta e baixa "atrasam-se", pelo nosso relógio, cerca de três quartos de hora.Na maioria dos lugares, ocorrem duas marés altas e duas marés baixas durante um dia lunar (maré do tipo semi-diurno). Porém, este ritmo pode ser alterado nalguns locais do planeta, como no Sul do Brasil, por exemplo, onde pode ocorrer apenas uma maré alta e uma maré baixa num dia, mas, a alteração não se deve ao movimento dos corpos celestes mas sim à barreira que os continentes formam (continentes que, também, apesar de uma forma imperceptível, são influenciados pelas forças gravitacionais e centrífugas de que falamos). Em rigor, deve-se também considerar para o efeito geral das marés, as formas e dimensões diferenciadas das bacias oceânicas, que dão origem a períodos de oscilação diferentes, o que em conjunto com o atrito e a força de Coriolis faz com que a s marés tenham amplitudes diferentes em cada oceano e em diferentes lugares de cada oceano, sendo normalmente maiores nas margens continentais do que no centro. Na costa portuguesa, a amplitude da maré, num dado dia, apresenta pequenas variações, quer se considere o porto de Leixões ou o de Sines, por exemplo. O melhor é consultar uma tabela de marés, por exemplo em http://www.hidrografico.pt/
Fenómeno conhecido desde a Antiguidade, apenas a formulação da teoria da gravidade universal, por Isaac Newton, veio trazer luz sobre o complexo jogo de forças gravitacionais e centrífugas que se desenrola entre o Sol, a Terra e a Lua, de forma a provocar esse movimento cíclico nos mares do nosso planeta.
Os astros exercem uns sobre os outros forças de atracção gravitacional, que aumenta com a massa do corpo que atrai e diminui com o quadrado da distância entre este e o corpo que é atraído. Assim, a Lua e o Sol atraem a Terra e vice-versa. Por outro lado, a esta força de atracção gravitacional se associa uma outra: a força centrífuga do movimento de translação do centro da Terra em torno dos centros de massa dos sistemas Terra-Lua e Terra-Sol. Esse conjunto de forças actua sobre a massa líquida do planeta, criando enchentes numa região (maré-cheia ou preia-mar), vazantes noutra (maré baixa) e correntes de maré entre elas, num sistema de vasos comunicantes. Ver video
Convém distinguir o peso relativo dos astros intervenientes neste jogo: apesar da imensa massa do Sol (27 milhões de vezes maior que a da Lua), devido à sua distância, é a Lua, muito mais próximo da Terra, que exerce maior influência na criação do efeito de maré. A influência da Lua é cerca do dobro que a influência do Sol.
Assim, as regiões mais perto e mais afastada da Lua têm marés cheia e vazia, respectivamente. Ou seja, num dado momento, há sempre duas marés na Terra.As grandes marés ou "Marés-vivas" são aquelas cuja amplitude é a maior do ciclo lunar e correspondem ao momento de concordância das atracções solares e lunares, na Lua Cheia e Lua Nova. Isto é, quando a Lua, o Sol e a Terra se encontram sobre a mesma linha, as forças somam-se e a água enche e vaza mais.Por outro lado, quando o sistema Lua-Terra e Sol faz um ângulo de 90 graus (estão em oposição), as forças subtraem-se e a amplitude da maré é menor ("Marés-mortas").
As marés não sobem e descem todos os dias à mesma hora, porque obedecem ao dia Lunar, que é cerca de 48 minutos mais longo que o dia solar. Ou seja, diariamente as marés alta e baixa "atrasam-se", pelo nosso relógio, cerca de três quartos de hora.Na maioria dos lugares, ocorrem duas marés altas e duas marés baixas durante um dia lunar (maré do tipo semi-diurno). Porém, este ritmo pode ser alterado nalguns locais do planeta, como no Sul do Brasil, por exemplo, onde pode ocorrer apenas uma maré alta e uma maré baixa num dia, mas, a alteração não se deve ao movimento dos corpos celestes mas sim à barreira que os continentes formam (continentes que, também, apesar de uma forma imperceptível, são influenciados pelas forças gravitacionais e centrífugas de que falamos). Em rigor, deve-se também considerar para o efeito geral das marés, as formas e dimensões diferenciadas das bacias oceânicas, que dão origem a períodos de oscilação diferentes, o que em conjunto com o atrito e a força de Coriolis faz com que a s marés tenham amplitudes diferentes em cada oceano e em diferentes lugares de cada oceano, sendo normalmente maiores nas margens continentais do que no centro. Na costa portuguesa, a amplitude da maré, num dado dia, apresenta pequenas variações, quer se considere o porto de Leixões ou o de Sines, por exemplo. O melhor é consultar uma tabela de marés, por exemplo em http://www.hidrografico.pt/
Os biólogos Mike Weber e Ana Ferreira, em "Descobrir as poças de maré", editado pela Fundação do Litoral da Aguda, descrevem assim estas zonas:
"Algumas partes das rochas são mais altas do que outras. Isto quer dizer que a água do mar não chega a todos os sítios. Outras partes ficam quase sempre debaixo de água, menos na altura das marés baixas das águas vivas, e nessa altura ficam expostas, embora por pouco tempo. Isto cria na praia rochosa seis zonas que são afectadas pela água de maneiras diferentes. Nós chamamos ao conjunto destas zonas o grande espaço do litoral."
Zona do Supralitoral
É a zona de passagem da terra para o mar. É também chamada zona de "spray" ou de salpicos. A sua extensão vertical depende da exposição e perfil da costa e do alcance das ondas. Espécies: líquen verrucaria maura (aspecto de alcatrão), microalgas azuis (cianofícias), gastrópodes do género littorina, cracas, pulga-da-areia (talitrus saltator). Visitantes oportunistas: insectos, aracnídeos, aves e mamíferos.
Littorina
Pulga-do-mar
Verrucaria Maura
Zona do Eulitoral
Zona das marés por excelência (sempre sujeita às variações da maré - emersão e imersão alternadas, duas vezes por dia). Espécies: cracas, lapas, mexilhões, burgau, algas castanhas (bodelhas), algas verdes, poliquetas (sabellaria alveolata), caranguejos, camarão, anémonas (actinia equina domina as fendas e declives, anemonia sulcata e bunodactis verrucosa abundam nas poças), cabozes, lesmas-do-mar, estrelas-do-mar. O seu conjunto é também conhecido por Intertidal.Subdivide-se em :
Eulitoral SuperiorEstá coberta durante as marés altas e exposta ao ar durante as marés baixas. É a zona do eulitoral que fica seca durante mais tempo. É conhecida como "zona das cracas e dos burgaus"
Eulitoral MédioÉ a verdadeira zona entre as marés. É a "zona dos mexilhões".
Eulitoral InferiorÉ a zona do eulitoral que mais tempo fica coberta de água, logo a que menos tempo fica seca. É a "zona dos perceves".
Zona do Sublitoral
A sua zona superior é a Franja Sublitoral que só fica exposta durante as marés baixas das marés vivas, sendo conhecida pela "zona das laminárias". A partir daqui, a água cobre sempre tudo.
Pode-se ainda considerar a Zona Infralitoral que vai desde o limite inferior das marés até cerca de 30 metros de profundidade; é caracterizada pela presença de algas erectas; estende-se até ao limite da penetração da luz ainda suficiente para a fotossíntese e a Zona Circalitoral zona seguinte e mais profunda, apenas habitada por animais carnívoros e detritívoros e algumas algas incrustantes, uma vez que a luz é muito reduzida ou praticamente ausente
"Os animais e plantas da costa estão adaptados a viver numa ou mais destas zonas. A zona em que um animal pode viver depende da forma como consegue aguentar certas condições. Por exemplo, um animal da zona do eulitoral superior tem de ser capaz de viver em seco durante metade do dia. Isto significa que o animal pode ser exposto a temperaturas extremas, muito altas e muito baixas, e por isso pode apanhar muito calor e muito frio. Também tem de suportar a luz do Sol, apanhar com a força das ondas e suportar concentrações de sal". Ver video
Links sobre o Intertidal:
http://www.biorede.pt/http://www.theseashore.org.uk/http://neptune.spaceports.com/~marine/http://www.enchantedlearning.com/biomes/intertidal/intertidal.shtmlhttp://nps.gov/olym/edtide.htm
"Algumas partes das rochas são mais altas do que outras. Isto quer dizer que a água do mar não chega a todos os sítios. Outras partes ficam quase sempre debaixo de água, menos na altura das marés baixas das águas vivas, e nessa altura ficam expostas, embora por pouco tempo. Isto cria na praia rochosa seis zonas que são afectadas pela água de maneiras diferentes. Nós chamamos ao conjunto destas zonas o grande espaço do litoral."
Zona do Supralitoral
É a zona de passagem da terra para o mar. É também chamada zona de "spray" ou de salpicos. A sua extensão vertical depende da exposição e perfil da costa e do alcance das ondas. Espécies: líquen verrucaria maura (aspecto de alcatrão), microalgas azuis (cianofícias), gastrópodes do género littorina, cracas, pulga-da-areia (talitrus saltator). Visitantes oportunistas: insectos, aracnídeos, aves e mamíferos.
Littorina
Pulga-do-mar
Verrucaria Maura
Zona do Eulitoral
Zona das marés por excelência (sempre sujeita às variações da maré - emersão e imersão alternadas, duas vezes por dia). Espécies: cracas, lapas, mexilhões, burgau, algas castanhas (bodelhas), algas verdes, poliquetas (sabellaria alveolata), caranguejos, camarão, anémonas (actinia equina domina as fendas e declives, anemonia sulcata e bunodactis verrucosa abundam nas poças), cabozes, lesmas-do-mar, estrelas-do-mar. O seu conjunto é também conhecido por Intertidal.Subdivide-se em :
Eulitoral SuperiorEstá coberta durante as marés altas e exposta ao ar durante as marés baixas. É a zona do eulitoral que fica seca durante mais tempo. É conhecida como "zona das cracas e dos burgaus"
Eulitoral MédioÉ a verdadeira zona entre as marés. É a "zona dos mexilhões".
Eulitoral InferiorÉ a zona do eulitoral que mais tempo fica coberta de água, logo a que menos tempo fica seca. É a "zona dos perceves".
Zona do Sublitoral
A sua zona superior é a Franja Sublitoral que só fica exposta durante as marés baixas das marés vivas, sendo conhecida pela "zona das laminárias". A partir daqui, a água cobre sempre tudo.
Pode-se ainda considerar a Zona Infralitoral que vai desde o limite inferior das marés até cerca de 30 metros de profundidade; é caracterizada pela presença de algas erectas; estende-se até ao limite da penetração da luz ainda suficiente para a fotossíntese e a Zona Circalitoral zona seguinte e mais profunda, apenas habitada por animais carnívoros e detritívoros e algumas algas incrustantes, uma vez que a luz é muito reduzida ou praticamente ausente
"Os animais e plantas da costa estão adaptados a viver numa ou mais destas zonas. A zona em que um animal pode viver depende da forma como consegue aguentar certas condições. Por exemplo, um animal da zona do eulitoral superior tem de ser capaz de viver em seco durante metade do dia. Isto significa que o animal pode ser exposto a temperaturas extremas, muito altas e muito baixas, e por isso pode apanhar muito calor e muito frio. Também tem de suportar a luz do Sol, apanhar com a força das ondas e suportar concentrações de sal". Ver video
Links sobre o Intertidal:
http://www.biorede.pt/http://www.theseashore.org.uk/http://neptune.spaceports.com/~marine/http://www.enchantedlearning.com/biomes/intertidal/intertidal.shtmlhttp://nps.gov/olym/edtide.htm
Para se descobrir a variedade dos organismos animais e vegetais que habitam as poças rochosas das marés, convém estar na praia cerca de uma hora antes do máximo da baixa-mar, de preferência em dias de marés vivas (Lua Cheia e Lua Nova). Vale a pena perder uns minutos a observar o vaivém da água e as várias poças de maré que estão acessíveis. Seleccionar três poças de água com profundidade e área semelhantes, mas em três níveis diferentes do intertidal: zona de spray; eulitoral superior ou médio; eulitoral inferior.
Começar o inventário pela que se encontra mais próxima do mar (eulitoral inferior), pois será a primeira a ser submersa quando a maré começara subir. Com a ajuda do guia, tentar identificar os diferentes tipos de seres em cada uma das poças; apontar o seu número e o seu tamanho médio. Recolher os espécimes para o balde apenas quando for essencial para a identificação e medição, devolvendo-os de seguida à poça, na zona onde se encontravam. Por vezes, há que afastar uma pequena pedra ou algas - fazê-lo com o máximo cuidado e repor. Não arrancar os organismos séceis (anémonas, etc.). Observar o comportamento dos vários seres quando expostos na rocha seca, como por exemplo, a forma de locomoção dos ouriço-do-mar ou das estrelas-do-mar.
Material necessário: um balde de praia; um pequeno camaroeiro de aquário; luvas de borracha; um guia de identificação do litoral (p.ex., da FAPAS), uma fita métrica, ficha de observação.
Actividades em:http://redbaron.bishops.ntc.nf.ca/wells/fieldtrp/lab.htm
Método da quadratura em:http://www.georgiastrait.org/method.php
Para fazer download:TideQuadrad.rtf
Começar o inventário pela que se encontra mais próxima do mar (eulitoral inferior), pois será a primeira a ser submersa quando a maré começara subir. Com a ajuda do guia, tentar identificar os diferentes tipos de seres em cada uma das poças; apontar o seu número e o seu tamanho médio. Recolher os espécimes para o balde apenas quando for essencial para a identificação e medição, devolvendo-os de seguida à poça, na zona onde se encontravam. Por vezes, há que afastar uma pequena pedra ou algas - fazê-lo com o máximo cuidado e repor. Não arrancar os organismos séceis (anémonas, etc.). Observar o comportamento dos vários seres quando expostos na rocha seca, como por exemplo, a forma de locomoção dos ouriço-do-mar ou das estrelas-do-mar.
Material necessário: um balde de praia; um pequeno camaroeiro de aquário; luvas de borracha; um guia de identificação do litoral (p.ex., da FAPAS), uma fita métrica, ficha de observação.
Actividades em:http://redbaron.bishops.ntc.nf.ca/wells/fieldtrp/lab.htm
Método da quadratura em:http://www.georgiastrait.org/method.php
Para fazer download:TideQuadrad.rtf
As algas marinhas apresentam uma variabilidade morfológica muito grande, indo das formas microscópicas complexas até macroalgas de grandes dimensões. Os seus pigmentos amarelados, vermelhos, acastanhados ou azuis surgem associados, em porporções variáveis, às clorofilas (pigmentos verdes). Daqui resulta uma palete de cores enorme, que vai do verde puro da maior parte das Chloropycota (algas verdes) ao vermelho púrpura de muitas Rhodophycota (algas vermelhas), passando pelo castanho ou oliváceo das Phaeophyceae (algas castanhas).
Algumas espécies macroscópicas, muito vistosas, são de colheita mais fácil pela maior acessibilidade dos locais que habitam. Como estas formas são geralmente fixas a um substrato sólido, é em regra inútil procurá-las nas costas arenosas ou nas baías muito expostas ao batimento das ondas. Quando se encontram acidentalmente nestes locais, correspondem, quase sempre, a espécimes destacados pelo mar e depois arrojados nas praias. Assim, os locais mais ricos de algas marinhas são, em regra, costas rochosas, especialmente quando formadas por rochas duras de origem eruptiva ou metamórfica. Efectivamente, as rochas marinhas, para além de constituirem um substrato extraordinariamente favorável à fixação das algas, proporcionam, com as suas fendas e recantos, um excelente abrigo para espécies mais delicadas, protegendo-as ao mesmo tempo de um batimento demasiadamente violento das ondas, ou de uma luminosidade excessiva. Por outro lado, a água retida nas depressões frequentes dessas rochas protege também as algas contra a dessecação aquando da baixa-mar.
Uma das actividades mais interessantes para aprender a taxonomia das algas marinhas é fazer um herbário, recolhendo espécimes durante a baixa-mar. Deve-se ter em conta que esta actividade tem impactes sobre o meio não só sobre as próprias algas mas também sobre o habitat que ajudam a formar. Assim, deve-se proceder a uma recolha criteriosa, em zonas de abundância, de poucos espécimes de cada vez, fazendo herbários em grupo e não individuais, quando se tratar de grupos escolares grandes.
O equipamento necessário para a colheita das macroalgas marinhas é bastante diferente do que se utiliza para o fitoplâncton marinho. Na maior parte dos casos é suficiente que o colector disponha de sacos de plástico ou baldes, destinados a guardar os exemplares colhidos, e de um utensílio metálico que lhe permita raspar ou arrancar as algas fixadas ao substracto rochoso (por exemplo, uma faca velha). Tudo o mais se resume, genericamente, a vestuário e calçado adequados
Depois, torna-se necessário conhecer com exactidão o horário das marés na região a explorar. Isto porque, embora se possam "apanhar" algas a qualquer hora do dia e em quase todas as épocas do ano, o material morto e por vezes já putrefacto, encontrado nas praias acima do nível da maré alta, não tem qualquer interesse para este objectivo. Por outro lado, a colheita das algas no próprio local em que se desenvolvem fornece, simultaneamente, dados seguros sobre o seu habitat, distribuição e relações ecológicas. Na zona situada entre os limites das marés, ou um pouco mais profundamente, as colheitas podem realizar-se, se não a pé enxuto, pelo menos à mão. Em águas mais profundas, só por mergulho ou dragagem (método sempre desaconselhado, porque bastante agressivo e indiscriminado).
Munidos do equipamento necessário, deve-se começar o trabalho logo que a maré atinge o seu nível mais baixo, ou até um pouco antes, havendo a conveniência em aproveitar as marés vivas, durante as quais o mar atinge níveis mais baixos na maré vaza (consultar tabela de marés em http://www.hidrografico.pt/, por exemplo).As algas de maiores dimensões, as formas calcárias, ou os maciços de pequenas algas suficientemente resistentes são arrancados à mão ou com o auxílio da faca, sendo de seguida introduzidos no saco de plástico (ou balde) com uma pequena quantidade de água. Qualquer que seja o tamanho da alga, deve ter-se em atenção que a parte basal do exemplar é muitas vezes de fundamental importância para a sua determinação. Por isso, das espécies de grandes dimensões de que não possam ser colhidos inteiros (até porque as folhas de herbário não ultrapassam 211x297 mm ou seja, A4), devem preferir-se os mais pequenos com morfologia típica (sem esquecer as frutificações), ou, na sua falta, colherem-se, simultaneamente, porções da parte basal e de outras partes do talo.
No caderno de campo, que é parte integrante da actividade, deverão indicar-se, para cada caso, o local e data da colheita, a natureza da rocha ou do substracto e quaisquer outras indicações úteis referentes à estação ou ao exemplar, incluindo fotografia, quando possível. Esta documentação complementar é de grande utilidade e deve figurar na folha de herbário ao lado do talo do espécime a que diz respeito.
Preparação e conservação das algas marinhas
Os principais métodos de conservação de algas são por prensagem e secagem sobre papel ou em frascos com formol esta técnica é habitualmente reservada a algas microscópicas de água doce.A grande maioria das colecções de algas marinhas está conservada em herbários sob a forma de espécimes secos, espalmados e montados em folhas de papel ou cartolina. Como o formato das folhas de herbário que propomos utilizar-se é o A4, o papel sobre o qual os exemplares são montados não pode exceder estas dimensões. Na maior parte dos casos, o papel que serve de suporte à alga é mesmo muito mais pequeno (em conformidade com o tamanho do exemplar) sendo depois colado às folhas de herbário (cartolina preta A4 ou papel Bristol, protegida por arquivadores plásticos apropriados).Assim preparadas, as algas marinhas conservam-se perfeitamente tal como acontece com o material excicata de plantas superiores.
Os exemplares de herbário, quando guardados às escuras, mantêm a cor durante muito tempo e são menos susceptíveis ao ataque de parasitas. Por outro lado, uma grande parte dos espécimes assim conservados pode, depois de muito tempo, reassumir a sua forma natural, desde que sejam mergulhados em água salgada, o que obviamente facilita o seu estudo, em tempo ulterior à colheita.O equipamento necessário para a montagem de algas em herbário é muito simples. Os exemplares de tamanho médio ou pequeno devem secar-se sobre um suporte ao qual possam fazer-se aderir. O material necessário para a sua preparação é o seguinte:
a) Papel branco (ou cartolina) de boa qualidade, de espessura média, ligeiramente rugoso, sobre o qual se irão dispor os espécimes. Este papel deve cortar-se em pequenos pedaços de dimensões variáveis desde quadrados com 8 cm de lado até rectângulos com 21x29 cm devendo a maior parte possuir dimensões médias.
b) Pequenos pedaços, aproximadamente com 22x30 cm, de um tecido fino de pano cru, de malha suficientemente apertada, ou mesmo papel encerado.
c) Uma quantidade suficiente de papel de jornal ou de listas telefónicas.
d) Uma tina em plástico, pouco profunda (5-8 cm), rectangular, com pelo menos 30 cm de largura e 50 cm de comprimento, semelhante às usadas na revelação de fotografias.
e) Uma placa de zinco de dimensões um pouco menores que as da tina e com um pequeno rebordo (2 cm) dobrado em ângulo recto, ou uma placa de vidro de tamanho equivalente.
f) Alguns pincéis de tamanhos diferentes, uma agulha de dissecação, pinças e bisturi em aço inoxidável, etc.
Para preparar o material procede-se da seguinte maneira:
1- Enche-se a tina, até 2/3 da sua altura, com água do mar (não utilizar nunca água doce).
2- Coloca-se a placa de vidro dentro da tina de modo a formar um plano inclinado de queda suave, do qual cerca de 2/3 ficam mergulhados na água.
3- Desembaraça-se o espécime dos ramos supérfulos, se os houver, e mergulha-se na tina juntamente com uma folha de papel branco (ou cartolina) com dimensões correspondentes ao seu tamanho. Dentro de água, com auxílio das pinças, das agulhas e dos pincéis, estende-se o espécime sobre o papel, conservando-o, tanto quanto possível, com o seu aspecto natural. A folha de papel, coloca sobre a placa de vidro, é então retirada da tina fazendo-a deslizar muito lentamente para fora, para que a posição do exemplar sobre o papel não seja modificada. Se porventura isso acontecer, corrige-se a posição com um pincel molhado.
4- A folha de papel branco com o exemplar espalmado põe-se então a escorrer durante alguns minutos, para o que pode colocar-se qualquer superfície lisa ligeiramente inclinada. Nesta folha transcreve-se então, com um lápis mole, as indicações necessárias à sua identificação (ou um código).
5- Tomam-se, em seguida, 4 a 6 folhas de papel de jornal, na última das quais se coloca a folha de papel branco com o exemplar (espalmado e já escorrido) voltado para cima. Sobre o espécime coloca-se cuidadosamente um pedaço de tecido cru, com o objectivo de impedir a sua colagem às folhas de jornal que vão ser colocadas por cima. Continuar-se-á a alternar sucessivamente papel de jornal, exemplares de herbário, tecido cru e papel de jornal, até que todos os exemplares estejam preparados.
6- A pilha assim formada coloca-se correcta numa prensa de secagem. Na sua falta, podem utilizar-se duas placas de madeira com dimensões pelo menos iguais à das folhas de papel de jornal, após o que se dispõe sobre a placa superior uma massa suficientemente pesada.
7- O mais tardar, 24 horas depois retiram-se as folhas de papel de jornal e os pedaços de tecido cru, substituindo-os por outros enxutos. Os pedaço de tecido são postos a secar para futura utilização, o mesmo se podendo fazer para as folhas de jornal, se necessário. Após sucessivas mudanças, os espécimes já secos ficam aderentes ao papel de suporte.
8- Logo de seguida podem ser colocados em folhas A4 de cartolina preta, que serão posteriormente guardadas no interior de arquivadores plásticos apropriados. Ao colocarem-se os espécimes secos nas cartolinas do herbário, deve procurar-se uma ordenação lógica por grupos taxonómicos, que vais ficar patente no índice de herbário a realizar no final do trabalho. Assim, não é aconselhável juntar algas verdes com vermelhas ou castanhas, na mesma folha de herbário.
9- Se porventura alguns espécimes, depois de secos, não ficarem perfeitamente aderentes ao papel deverão fixar-se com um pouco de cola líquida incolor mas nunca com fita adesiva.
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Etiquetagem
É regra absolutamente indispensável que cada amostra ou conjunto de amostras da mesma proveniência possua uma etiqueta. Esta deve conter o número de ordem, localidade e data da colheita, nome do colector e a respectiva identificação do espécime (género ou espécime). A etiqueta deve ser colada junto ao exemplar, facilitando a respectiva consulta.
Algas em:
http://www.uniovi.es/UniOvi/Apartados/Departamento/Biologia.Organismos/Herbario/PrepararHerbario/PrepararHerbario.htmhttp://www.sonoma.edu/biology/algae/algae.htmlhttp://www.ub.es/cedocbiv/pagcast/calgues.htm
Algumas espécies macroscópicas, muito vistosas, são de colheita mais fácil pela maior acessibilidade dos locais que habitam. Como estas formas são geralmente fixas a um substrato sólido, é em regra inútil procurá-las nas costas arenosas ou nas baías muito expostas ao batimento das ondas. Quando se encontram acidentalmente nestes locais, correspondem, quase sempre, a espécimes destacados pelo mar e depois arrojados nas praias. Assim, os locais mais ricos de algas marinhas são, em regra, costas rochosas, especialmente quando formadas por rochas duras de origem eruptiva ou metamórfica. Efectivamente, as rochas marinhas, para além de constituirem um substrato extraordinariamente favorável à fixação das algas, proporcionam, com as suas fendas e recantos, um excelente abrigo para espécies mais delicadas, protegendo-as ao mesmo tempo de um batimento demasiadamente violento das ondas, ou de uma luminosidade excessiva. Por outro lado, a água retida nas depressões frequentes dessas rochas protege também as algas contra a dessecação aquando da baixa-mar.
Uma das actividades mais interessantes para aprender a taxonomia das algas marinhas é fazer um herbário, recolhendo espécimes durante a baixa-mar. Deve-se ter em conta que esta actividade tem impactes sobre o meio não só sobre as próprias algas mas também sobre o habitat que ajudam a formar. Assim, deve-se proceder a uma recolha criteriosa, em zonas de abundância, de poucos espécimes de cada vez, fazendo herbários em grupo e não individuais, quando se tratar de grupos escolares grandes.
O equipamento necessário para a colheita das macroalgas marinhas é bastante diferente do que se utiliza para o fitoplâncton marinho. Na maior parte dos casos é suficiente que o colector disponha de sacos de plástico ou baldes, destinados a guardar os exemplares colhidos, e de um utensílio metálico que lhe permita raspar ou arrancar as algas fixadas ao substracto rochoso (por exemplo, uma faca velha). Tudo o mais se resume, genericamente, a vestuário e calçado adequados
Depois, torna-se necessário conhecer com exactidão o horário das marés na região a explorar. Isto porque, embora se possam "apanhar" algas a qualquer hora do dia e em quase todas as épocas do ano, o material morto e por vezes já putrefacto, encontrado nas praias acima do nível da maré alta, não tem qualquer interesse para este objectivo. Por outro lado, a colheita das algas no próprio local em que se desenvolvem fornece, simultaneamente, dados seguros sobre o seu habitat, distribuição e relações ecológicas. Na zona situada entre os limites das marés, ou um pouco mais profundamente, as colheitas podem realizar-se, se não a pé enxuto, pelo menos à mão. Em águas mais profundas, só por mergulho ou dragagem (método sempre desaconselhado, porque bastante agressivo e indiscriminado).
Munidos do equipamento necessário, deve-se começar o trabalho logo que a maré atinge o seu nível mais baixo, ou até um pouco antes, havendo a conveniência em aproveitar as marés vivas, durante as quais o mar atinge níveis mais baixos na maré vaza (consultar tabela de marés em http://www.hidrografico.pt/, por exemplo).As algas de maiores dimensões, as formas calcárias, ou os maciços de pequenas algas suficientemente resistentes são arrancados à mão ou com o auxílio da faca, sendo de seguida introduzidos no saco de plástico (ou balde) com uma pequena quantidade de água. Qualquer que seja o tamanho da alga, deve ter-se em atenção que a parte basal do exemplar é muitas vezes de fundamental importância para a sua determinação. Por isso, das espécies de grandes dimensões de que não possam ser colhidos inteiros (até porque as folhas de herbário não ultrapassam 211x297 mm ou seja, A4), devem preferir-se os mais pequenos com morfologia típica (sem esquecer as frutificações), ou, na sua falta, colherem-se, simultaneamente, porções da parte basal e de outras partes do talo.
No caderno de campo, que é parte integrante da actividade, deverão indicar-se, para cada caso, o local e data da colheita, a natureza da rocha ou do substracto e quaisquer outras indicações úteis referentes à estação ou ao exemplar, incluindo fotografia, quando possível. Esta documentação complementar é de grande utilidade e deve figurar na folha de herbário ao lado do talo do espécime a que diz respeito.
Preparação e conservação das algas marinhas
Os principais métodos de conservação de algas são por prensagem e secagem sobre papel ou em frascos com formol esta técnica é habitualmente reservada a algas microscópicas de água doce.A grande maioria das colecções de algas marinhas está conservada em herbários sob a forma de espécimes secos, espalmados e montados em folhas de papel ou cartolina. Como o formato das folhas de herbário que propomos utilizar-se é o A4, o papel sobre o qual os exemplares são montados não pode exceder estas dimensões. Na maior parte dos casos, o papel que serve de suporte à alga é mesmo muito mais pequeno (em conformidade com o tamanho do exemplar) sendo depois colado às folhas de herbário (cartolina preta A4 ou papel Bristol, protegida por arquivadores plásticos apropriados).Assim preparadas, as algas marinhas conservam-se perfeitamente tal como acontece com o material excicata de plantas superiores.
Os exemplares de herbário, quando guardados às escuras, mantêm a cor durante muito tempo e são menos susceptíveis ao ataque de parasitas. Por outro lado, uma grande parte dos espécimes assim conservados pode, depois de muito tempo, reassumir a sua forma natural, desde que sejam mergulhados em água salgada, o que obviamente facilita o seu estudo, em tempo ulterior à colheita.O equipamento necessário para a montagem de algas em herbário é muito simples. Os exemplares de tamanho médio ou pequeno devem secar-se sobre um suporte ao qual possam fazer-se aderir. O material necessário para a sua preparação é o seguinte:
a) Papel branco (ou cartolina) de boa qualidade, de espessura média, ligeiramente rugoso, sobre o qual se irão dispor os espécimes. Este papel deve cortar-se em pequenos pedaços de dimensões variáveis desde quadrados com 8 cm de lado até rectângulos com 21x29 cm devendo a maior parte possuir dimensões médias.
b) Pequenos pedaços, aproximadamente com 22x30 cm, de um tecido fino de pano cru, de malha suficientemente apertada, ou mesmo papel encerado.
c) Uma quantidade suficiente de papel de jornal ou de listas telefónicas.
d) Uma tina em plástico, pouco profunda (5-8 cm), rectangular, com pelo menos 30 cm de largura e 50 cm de comprimento, semelhante às usadas na revelação de fotografias.
e) Uma placa de zinco de dimensões um pouco menores que as da tina e com um pequeno rebordo (2 cm) dobrado em ângulo recto, ou uma placa de vidro de tamanho equivalente.
f) Alguns pincéis de tamanhos diferentes, uma agulha de dissecação, pinças e bisturi em aço inoxidável, etc.
Para preparar o material procede-se da seguinte maneira:
1- Enche-se a tina, até 2/3 da sua altura, com água do mar (não utilizar nunca água doce).
2- Coloca-se a placa de vidro dentro da tina de modo a formar um plano inclinado de queda suave, do qual cerca de 2/3 ficam mergulhados na água.
3- Desembaraça-se o espécime dos ramos supérfulos, se os houver, e mergulha-se na tina juntamente com uma folha de papel branco (ou cartolina) com dimensões correspondentes ao seu tamanho. Dentro de água, com auxílio das pinças, das agulhas e dos pincéis, estende-se o espécime sobre o papel, conservando-o, tanto quanto possível, com o seu aspecto natural. A folha de papel, coloca sobre a placa de vidro, é então retirada da tina fazendo-a deslizar muito lentamente para fora, para que a posição do exemplar sobre o papel não seja modificada. Se porventura isso acontecer, corrige-se a posição com um pincel molhado.
4- A folha de papel branco com o exemplar espalmado põe-se então a escorrer durante alguns minutos, para o que pode colocar-se qualquer superfície lisa ligeiramente inclinada. Nesta folha transcreve-se então, com um lápis mole, as indicações necessárias à sua identificação (ou um código).
5- Tomam-se, em seguida, 4 a 6 folhas de papel de jornal, na última das quais se coloca a folha de papel branco com o exemplar (espalmado e já escorrido) voltado para cima. Sobre o espécime coloca-se cuidadosamente um pedaço de tecido cru, com o objectivo de impedir a sua colagem às folhas de jornal que vão ser colocadas por cima. Continuar-se-á a alternar sucessivamente papel de jornal, exemplares de herbário, tecido cru e papel de jornal, até que todos os exemplares estejam preparados.
6- A pilha assim formada coloca-se correcta numa prensa de secagem. Na sua falta, podem utilizar-se duas placas de madeira com dimensões pelo menos iguais à das folhas de papel de jornal, após o que se dispõe sobre a placa superior uma massa suficientemente pesada.
7- O mais tardar, 24 horas depois retiram-se as folhas de papel de jornal e os pedaços de tecido cru, substituindo-os por outros enxutos. Os pedaço de tecido são postos a secar para futura utilização, o mesmo se podendo fazer para as folhas de jornal, se necessário. Após sucessivas mudanças, os espécimes já secos ficam aderentes ao papel de suporte.
8- Logo de seguida podem ser colocados em folhas A4 de cartolina preta, que serão posteriormente guardadas no interior de arquivadores plásticos apropriados. Ao colocarem-se os espécimes secos nas cartolinas do herbário, deve procurar-se uma ordenação lógica por grupos taxonómicos, que vais ficar patente no índice de herbário a realizar no final do trabalho. Assim, não é aconselhável juntar algas verdes com vermelhas ou castanhas, na mesma folha de herbário.
9- Se porventura alguns espécimes, depois de secos, não ficarem perfeitamente aderentes ao papel deverão fixar-se com um pouco de cola líquida incolor mas nunca com fita adesiva.
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Etiquetagem
É regra absolutamente indispensável que cada amostra ou conjunto de amostras da mesma proveniência possua uma etiqueta. Esta deve conter o número de ordem, localidade e data da colheita, nome do colector e a respectiva identificação do espécime (género ou espécime). A etiqueta deve ser colada junto ao exemplar, facilitando a respectiva consulta.
Algas em:
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Principal > Marés do Sudoeste > O Homem nas marés
A zona das marés sempre foi um importante elo de ligação entre as populações do Sudoeste Alentejano e da Costa Vicentina ao mar. No estuário da ribeira do Seixe, apanhavam-se ostras e ameijoas há três mil anos e nessa prática ancestral poderá ter estado a origem da extinção daqueles bivalves no local.
Não existindo grandes portos de pesca, o acesso ocasional às riquezas do mar faz-se por meios artesanais, durante as marés vivas. A apanha do polvo, das navalheiras, dos perceves, dos mexilhões, dos ouriços-do-mar e, mais recentemente, das lapas, constitui um rendimento complementar da economia agrícola local. Como "fazer a maré" (designação das actividades de mariscagem na baixa-mar, por alturas das marés vivas), exige estar com cerca de uma hora antecedência na praia, para "ir atrás da maré" (vazante), há ainda tempo para o trabalho nos campos.
Os instrumentos são rudimentares: o "pexeiro" serve para apanhar o polvo e consiste num comprido gancho, preso a uma vara de madeira, quase sempre terminando numa "arrelhada" (uma pequena pá de ferro, que serve para desprender lapas ou mexilhões). Com o "pexeiro" procuram-se os polvos nas cavidades das rochas das poças de maré (as "covas"), onde o Octopus vulgaris se refugia durante o recuo das águas. Por vezes, é utilizada uma "negaça" (engôdo) com sardinha, para que o polvo se exponha aos olhos do pescador. Inteligente mas guloso, o polvo lança um raio para tactear a potencial presa e denuncia a sua presença. Enganchado, é puxado e batido na rocha, indo de imediato para dentro do saco. Na zona de Aljezur não se utiliza o método de "virar o capelo" para matar o polvo, pois isso é tido como falta de perícia, para além que se torna inestético - o troféu deve ser exibido intacto, muitas vezes é seco ao sol.
Na apanha da navalheira (nesta zona chamada caranguejo, pois não há perigo que se confunda com caranguejo de rio) apenas se utilizam as mãos. Escondidas nas fendas rochosas, tapadas por algas, as navalheiras são encurraladas pelo cerco das duas mãos humanas, que tacteiam em direcção ao centro onde se poderá encontrar a navalheira. Esta não hesita em "morder" o pescador com as pinças maiores, mas as mãos estão já calejadas e firmam-se sobre a carapaça, os dedos agarrando o animal por detrás das pinças. Por vezes, as mulheres mais velhas ostentam centenas de minúsculas cicatrizes no abdómen, causadas pela prática de recolher, com toda a naturalidade, os caranguejos no regaço do avental. Presiste um certo código de conduta entre estes homens e mulheres: onde um marisca os outros afastam-se; se os espécimes são muito pequenos são mandados em paz.
Actualmente, os velhos pescadores/mariscadores da maré são confrontados com a forte concorrência de mergulhadores, que não estão limitados pelas marés e utilizam arpões. As capturas tradicionais com "pexeiro" diminuem de ano para ano, bem como o tamanho dos espécimes apanhados. Com o advento do turismo de massas, que lenta mas inexoravelmente vai chegando às praias naturais outrora desertas desta costa, assiste-se a um outro fenómeno: o da delapidação total dos espécimes que vivem mais junto à praia. Hordas de veraneantes citadinos rodeiam pedras onde se desenvolvem juvenis de percebes, mexilhões, burgaus e apanham tudo, deixando a rocha nua de qualquer animal. A renovação natural é cada vez mais lenta e problemática. A lapa, fácil de apanhar, e que nunca teve uso gastronómico nesta região, é agora vendida para exportação, para França ou Japão. Não existe qualquer regulamentação que limite as quantidades apanhadas nem períodos de defeso. Esse só é feito pela braveza do mar, que, ao manter afastados os predadores, concede algum tempo para alguma regeneração das espécies.
A ânsia de apanhar tudo o que é comestível é tal, que uma prática extraordinariamente perigosa tem aumentado: os "aparelhos". Estes não são mais do que pedaços de fio de nylon com anzol engodado numa ponta, amarrados a uma pedra, largada nos baixios, indiscriminadamente. Na vazante seguinte, os donos destes artefactos verificam se algum peixe ficou preso nos anzóis. E depois abandonam-nos onde estavam. Outros utilizadores da praia, desprevenidos, ficam feridos nestes anzóis errantes. Os acidentes mortais são, igualmente, uma realidade nesta costa, generosa mas que não perdoa descuidos.
Pescador morre no Pontal da Carrapateira (abre nova janela)
O impacto das actividades humanas na zona intertidal é hoje uma preocupação assumida em diversos pontos do mundo, quer por associações ambientalistas quer por organizações governamentais ou locais. É o caso da cidade de Pacific Grove, na Califórnia. A cidade constituiu um subcomité de investigação designado "Pacific Ghrove Pt. Pinos Tidepool Task Force", financiado pela autarquia, pela Packard Foundation e pelo Monterey Bay
TERRAS DE MOUROS é uma alusão aos vastos campos do Sul e ao eco da civilização árabe que ocupou esta região. Por símbolo, uma cegonha (Ciconia ciconia), a evocar a avi-fauna que caracteriza a zona onde se insere o projecto Quinta Pero Vicente. O seu nome prende-se com os topónimos de origem árabe com os quais a TM está relacionada: Almada (A Mina), sede social, e Aljezur (Aldeia das Pontes), onde se situa a nossa unidade de turismo rural.
Fortificações
Fortificações de Costa
Fernão Mendes Pinto descreve, na sua "Peregrinação", o episódio em que, acabado de embarcar em Lisboa, numa caravela de Alfama "que ia com cavalos e fato de um fidalgo para Setúbal", um corsário atacou o navio:"Estando nós em frente de Sesimbra, nos atacou um corsário francês, o qual abalroando connosco, nos lançou dentro quinze ou vinte homens, os quais sem resistência ou reacção dos nossos, se assenhorearam do navio, e depois de o terem despojado de tudo quanto acharam nele, que valia mais de seis mil cruzados, o meteram no fundo; e a dezassete que escapámos com vida, atados de pés e mãos, nos meteram no seu navio com a intenção de nos venderem em Larache, para onde se dizia que iam carregados de armas que para negociar levavam aos mouros".
Fernão Mendes conta, depois, que o ataque bem sucedido desse corsário a um outro navio português, carregado de escravos e açucar, que se lhe cruzou no caminho acabaria por alterar os planos e libertar o aventureiro português e outros companheiros nas praias alentejanas."Logo que estes corsários se viram com presa tão rica, mudando o propósito que antes traziam, se fizeram a caminho de França e levaram consigo alguns dos nossos para serviço de mareação da nau que tinham tomado. E aos outros mandaram uma noite lançar na praia de Melides, nus e descalços e alguns com muitas chagas dos açoites que tinham levado, os quais desta maneira foram ao outro dia ter a Santiago de Cacém, no qual lugar foram todos muito bem providos do necessário pela gente da terra". Estaríamos no ano de 1522.
Em 1587, o famoso corsário inglês Francis Drake ataca Sagres. Portugal encontrava-se sob domínio espanhol. "Em 19 de Abril de 1587, o corsário investiu o porto de Cádis de surpresa, capturou vários navios carregados de valiosas mercadorias e incendiou os restantes. Terminada a operação, dirigiu-se para o Cabo S. Vicente a fim de interceptar a navegação que circulava com pavilhão espanhol. Seguidamente, desferiu um ataque contra Lagos com uma coluna de mil homens. Perante a resistência dos seus defensores, alterou o plano e avançou sobre a Fortaleza de Sagres que ocupou facilmente. No mosteiro do Cabo S. Vicente, segundo o relato de Horozco, foram cometidos os habituais estragos e actos sacrlílegos que pontuavam invariavelmente os assaltos dos piratas e corsários ingleses. A partir de Sagres, onde permaneceram três ou quatro dias, os barcos de Drake afundaram quarenta e sete navios mercantes de pequeno porte e mais de meia centena de barcos de pesca. Rumaram seguidamente para norte". ( Luís R. Guerreiro, in O grande livro da pirataria e do corso, Lisboa, 1996).
Os episódios de pirataria e corso, europeu e berbére, ao longo da costa ocidental portuguesa foram uma constante dos séculos XVI e XVII. Actividades ilícitas, eram toleradas e fomentadas pelas potências em confronto - franceses, ingleses, holandeses, espanhóis, portugueses, árabes - todos participavam numa guerra económica não declarada, que fazia das povoações do litoral e dos navios mercantes as primeiras vítimas.
Destinadas à protecção do comércio e das povoações ribeirinhas, ao longo da costa Sudoeste e Vicentina foram sendo instaladas fortificações, das quais as de Vila Nova de Mil Fontes, Porto Covo, Ilha do Pessegueiro e Carrapateira foram as mais importantes. O forte de Arrifana, no concelho de Aljezur, destinava-se, principalmente, à defesa da armação de pesca local, enquanto na Torre de Aspa (Vila do Bispo) a edificação era simplesmente de vigia e alerta. Propomos revisitá-las.
Links:http://www.ippar.pt/sites_externos/sagres/Siteport/fsagres.htmhttp://www.ippar.pt/monumentos/castelo_sagres.html
Créditos:
-João António Serranito Nunes, "Fortificações da Costa Sudoeste (Sécs. XVI-XIX)", Setúbal Arquológica, Vols. 11-12, 1997, pp 301-313
- Artur Vieira de Jesus, "O Corso e a Pirataria Muçulmana nas Costas de Sagres, Lagos e Aljezur", no âmbito do Seminário de História da Expansão do Curso de História da Universidade Autónoma de Lisboa
- Luís R. Guerreiro, O grande livro da pirataria e do corso, Lisboa, Cículo de Leitores, 1996
-Fernão Mendes Pinto, Peregrinação,Vol 1, Relógio D'Água, 2001
Uma pegada, um rasto. Ali um montículo de areia, miniatura de cone vulcânico. Ervas secas formando um corredor. Um piar de alerta. Um vislumbre de asas entre os medronheiros. Por enquanto, só sinais de presenças furtivas.
Para o observador paciente é altura de ficar muito quieto, sentidos alerta. O olhar pode receber a ajuda de uns binóculos. Depois, a recompensa: primeiro umas orelhas, depois o focinho aspirando o ar. Um mamífero deixa-se ver entre matos e dunas. Desaparece em direcção aos profundos barrancos. Irá beber? Por cima, aves aproveitam a boleia do vento, planando junto às falésias. Pousam nas charcas. Outras alimentam-se nos terrenos agrícolas. Descendo à praia, na baixa-mar, as águas tranquilas das poças deixam ver cores fortes, com tentáculos, ou pinças, ou escamas…
Estamos no coração de uma das mais ricas áreas protegidas do país, em termos faunísticos. Venha conhecer alguns destes residentes
Fortificações de Costa
Fernão Mendes Pinto descreve, na sua "Peregrinação", o episódio em que, acabado de embarcar em Lisboa, numa caravela de Alfama "que ia com cavalos e fato de um fidalgo para Setúbal", um corsário atacou o navio:"Estando nós em frente de Sesimbra, nos atacou um corsário francês, o qual abalroando connosco, nos lançou dentro quinze ou vinte homens, os quais sem resistência ou reacção dos nossos, se assenhorearam do navio, e depois de o terem despojado de tudo quanto acharam nele, que valia mais de seis mil cruzados, o meteram no fundo; e a dezassete que escapámos com vida, atados de pés e mãos, nos meteram no seu navio com a intenção de nos venderem em Larache, para onde se dizia que iam carregados de armas que para negociar levavam aos mouros".
Fernão Mendes conta, depois, que o ataque bem sucedido desse corsário a um outro navio português, carregado de escravos e açucar, que se lhe cruzou no caminho acabaria por alterar os planos e libertar o aventureiro português e outros companheiros nas praias alentejanas."Logo que estes corsários se viram com presa tão rica, mudando o propósito que antes traziam, se fizeram a caminho de França e levaram consigo alguns dos nossos para serviço de mareação da nau que tinham tomado. E aos outros mandaram uma noite lançar na praia de Melides, nus e descalços e alguns com muitas chagas dos açoites que tinham levado, os quais desta maneira foram ao outro dia ter a Santiago de Cacém, no qual lugar foram todos muito bem providos do necessário pela gente da terra". Estaríamos no ano de 1522.
Em 1587, o famoso corsário inglês Francis Drake ataca Sagres. Portugal encontrava-se sob domínio espanhol. "Em 19 de Abril de 1587, o corsário investiu o porto de Cádis de surpresa, capturou vários navios carregados de valiosas mercadorias e incendiou os restantes. Terminada a operação, dirigiu-se para o Cabo S. Vicente a fim de interceptar a navegação que circulava com pavilhão espanhol. Seguidamente, desferiu um ataque contra Lagos com uma coluna de mil homens. Perante a resistência dos seus defensores, alterou o plano e avançou sobre a Fortaleza de Sagres que ocupou facilmente. No mosteiro do Cabo S. Vicente, segundo o relato de Horozco, foram cometidos os habituais estragos e actos sacrlílegos que pontuavam invariavelmente os assaltos dos piratas e corsários ingleses. A partir de Sagres, onde permaneceram três ou quatro dias, os barcos de Drake afundaram quarenta e sete navios mercantes de pequeno porte e mais de meia centena de barcos de pesca. Rumaram seguidamente para norte". ( Luís R. Guerreiro, in O grande livro da pirataria e do corso, Lisboa, 1996).
Os episódios de pirataria e corso, europeu e berbére, ao longo da costa ocidental portuguesa foram uma constante dos séculos XVI e XVII. Actividades ilícitas, eram toleradas e fomentadas pelas potências em confronto - franceses, ingleses, holandeses, espanhóis, portugueses, árabes - todos participavam numa guerra económica não declarada, que fazia das povoações do litoral e dos navios mercantes as primeiras vítimas.
Destinadas à protecção do comércio e das povoações ribeirinhas, ao longo da costa Sudoeste e Vicentina foram sendo instaladas fortificações, das quais as de Vila Nova de Mil Fontes, Porto Covo, Ilha do Pessegueiro e Carrapateira foram as mais importantes. O forte de Arrifana, no concelho de Aljezur, destinava-se, principalmente, à defesa da armação de pesca local, enquanto na Torre de Aspa (Vila do Bispo) a edificação era simplesmente de vigia e alerta. Propomos revisitá-las.
Links:http://www.ippar.pt/sites_externos/sagres/Siteport/fsagres.htmhttp://www.ippar.pt/monumentos/castelo_sagres.html
Créditos:
-João António Serranito Nunes, "Fortificações da Costa Sudoeste (Sécs. XVI-XIX)", Setúbal Arquológica, Vols. 11-12, 1997, pp 301-313
- Artur Vieira de Jesus, "O Corso e a Pirataria Muçulmana nas Costas de Sagres, Lagos e Aljezur", no âmbito do Seminário de História da Expansão do Curso de História da Universidade Autónoma de Lisboa
- Luís R. Guerreiro, O grande livro da pirataria e do corso, Lisboa, Cículo de Leitores, 1996
-Fernão Mendes Pinto, Peregrinação,Vol 1, Relógio D'Água, 2001
Uma pegada, um rasto. Ali um montículo de areia, miniatura de cone vulcânico. Ervas secas formando um corredor. Um piar de alerta. Um vislumbre de asas entre os medronheiros. Por enquanto, só sinais de presenças furtivas.
Para o observador paciente é altura de ficar muito quieto, sentidos alerta. O olhar pode receber a ajuda de uns binóculos. Depois, a recompensa: primeiro umas orelhas, depois o focinho aspirando o ar. Um mamífero deixa-se ver entre matos e dunas. Desaparece em direcção aos profundos barrancos. Irá beber? Por cima, aves aproveitam a boleia do vento, planando junto às falésias. Pousam nas charcas. Outras alimentam-se nos terrenos agrícolas. Descendo à praia, na baixa-mar, as águas tranquilas das poças deixam ver cores fortes, com tentáculos, ou pinças, ou escamas…
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Principal > Costa Vicentina > Flora
Flora
Descrição
Escolha uma ficha Medronheiro Carrasqueiro Biscutella vicentina Cistus palhinae Thymus carnosus Thymus camphoratus Linaria algarviana Herniaria algarvica Armeria rouyana Chaenorrhinum serp... Ionopsidium acaule Pinheiro bravo Pinheiro manso
"A flora litoral do sudoeste de Portugal é caracterizada pelo cruzamento de influências Norte Atlânticas, Mediterrânicas e Africanas, de que resultam condições ecológicas singulares e uma enorme diversidade de fauna e flora, o que confere uma enorme riqueza natural à região. A flora vascular desta região caracteriza-se pela sua extrema particularidade, reunindo várias espécies raras, endémicas e ameaçadas, muitas das quais classificadas e com estatuto prioritário de protecção nacional e comunitário (...) Uma vez que a vegetação é predominantemente mediterrânica, surpreende a presença de espécies serranas e de climas húmidos, tão perto do mar e no limite da sua tolerância ecológica, verdadeiras relíquias de uma flora distante em tempo e espaço. (...) Estamos pois perante uma paisagem rica e diversificada, repleta de surpresas".Ana Paula Gaspar, Universidade do Algarve, in Colóquio "Turismo de Natureza, Avifauna e Flora da Costa Vicentina", Vila do Bispo, 8/4/2000
A flora do sudoeste alentejano e costa vicentina diverge ao longo das três grandes áreas em que se pode subdividir o território do Parque Natural: o planalto litoral, as serras litorais e o barrocal ocidental.
O planalto litoral, situado entre S. Torpes e Vila do Bispo, de constituição essencialmente arenosa, representa o território mais extenso e contínuo. É, actualmente, uma área predominantemente agrícola, tendo existido, no passado, grandes zonas cobertas com urzais hidrofíticos e juncais, semelhantes a certas áreas do Minho e Galiza.
No grande planalto litoral podemos encontrar notáveis campos dunares foto do "medo" do Pero Vicente suspensos sobre as arribas marítimas ("medos"). Este habitat, rico em carbonato de cálcio, suporta uma flora com plantas endémicas. Em certos locais, por exemplo na zona da Zambujeira do Mar, Aljezur e Sagres, a descarbonatação das dunas foi tão intensa que no seu tapete vegetal típico, de sargaçais e carrascais, formaram-se manchas de urzal. Por outro lado, noutros pontos da costa, a carbonatação intensa durante o passado Holocénico consolidou os enormes campos dunares existentes e possibilitou a formação, em pontos dispersos, de uma rocha rija.
Estas verdadeiras ilhas terrestres de pedra calcária detêm espécies únicas no mundo, destacando-se as dos géneros Avenula e Chaenorhinum . Além destas, encontram-se também outras que para ali migraram num passado próximo, como é o caso de orquídeas e narcisos. Nalguns pontos, sobre a plataforma rochosa, uma planta originária da África do Sul cobre quase completamente o solo formando um tapete vivo - o chorão. Esta planta tem vindo a invadir o litoral com extraordinário êxito - em parte devido à sua eficaz forma de reprodução assexuada - ocupando o lugar das espécies indígenas. Nos medos do Pero Vicente, por exemplo, podem-se observar "campos" de chorões em feroz competição com matos brancos, camarinheiras e outros arbustos nativos. A sua expansão é, por vezes, induzida pela actividade do homem, que elimina o coberto natural para esporádicos cultivos de espécies de sequeiro. Na esteira das fresas dos tractores, o chorão infestante penetra bem dentro do ecossistema tradicional. Outras espécies são bem mais "simpáticas": o Asplenium marinum é um feto que resiste ao spray salino da água do mar e, por isso, cresce nas fendas húmidas da falésia perto do nível da rebentação. A rocha apresenta-se por vezes multicolor por se encontrar revestida de líquenes. No topo das arribas, em locais bem expostos à atmosfera marinha, vamos encontrar exemplares isolados de salgadeira.
As serras litorais marginam a oriente o grande planalto, contaminando-o com a sua flora própria. Na foz dos grandes barrancos, como por exemplo do Rio Mira, Ribeira do Seixe, Ribeira de Aljezur e entre Arrifana e Vila do Bispo, surpreende encontrar tão próximas do mar plantas serranas, ali no limite da sua tolerância ecológica (sob acção do vento carregado de sal). Nos relevos das Serras do Cercal, Brejeira, Monchique e Espinhaço de Cão mantêm-se ainda presentes interessantes espécies, verdadeiras relíquias de épocas com climas mais húmidos. São particularmente notáveis as semelhanças entre algumas espécies serranas e as suas congéneres distribuídas pelas serras chuvosas do Sul da Andaluzia e Noroeste do Maghreb. Destacam-se os géneros Centaurea , Senecio , Bupleurum , Rhododendron , e Quercus . Esta identidade vegetal manifesta-se, também, na vegetação das vertentes com os seus medronhais frondosos.
O barrocal inicia-se na costa de S. Vicente, estendendo-se para Leste, numa sucessão de pequenas colinas calcárias vegetadas por uma flora mediterrânica típica dos solos ricos. O ponto de intersecção do barrocal com o grande planalto litoral e as serras litorais é, simultaneamente, o ponto de encontro da costa ocidental nebulosa e fresca com a costa meridional luminosa e quente. Todas estas componentes combinam-se no planalto de Sagres. Aqui estão, também, representados alguns elementos comuns à distante flora do Mediterrâneo, destacando-se os dos géneros Viola , Helianthemum , Succowia e Ulex . Para estas espécies, o planalto de Sagres e a sua costa são o único reduto em Portugal e revelam o carácter excepcional deste território.
A flora do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina é composta por cerca de 750 espécies, das quais cinco dezenas são endémicas e doze não existem em mais nenhum local do mundo. Algumas são consideradas raras: o samouco, Myrica faia , é uma relíquia da época do Terciário, antigamente muito comum entre Sines e Vila do Bispo; a sorveira, Sorbus domestica , é igualmente uma raridade e, tal como a primeira, ainda observável perto de Vila Nova de Milfontes, acompanhando um afluente do rio Mira. Detectadas apenas no promontório de Sagres, algumas associações de plantas únicas no mundo, sendo o melhor exemplo a dos arbustos Junípero e Cistus palhinhae.
De assinalar ainda na característica flora vicentina plantas como a Biscutella vicentina, Diplotaxis vicentina e Hyacinthoides vicentina , cujos nomes específicos ilustram de forma clara a sua distribuição geográfica restrita a pouco mais que os Cabos de Sagres e S. Vicente.
Ainda mais raras são Silene rotlunaleri e Plantago almogravensis , que tinham já sido consideradas extintas quando, nos anos 90, foram encontradas pequenas populações de ambas as espécies.
Extinta, definitivamente, está a Armeria arcuata , uma planta dos brejos e lagoas temporárias do planalto de Odemira, que terá desaparecido com a reconversão agrícola decorrente da instalação do perímetro de rega do Mira.
Uma questão de conceitos
Árvores e arbustos têm em comum o facto de os caules e ramos principais crescerem em comprimento através do desenvolvimento de gemas apicais, e crescerem em diâmetro através da formação de novas camadas concêntricas internas, e que se denomina crescimento secundário. A diferença entre ambos está no facto de uma árvore possuir um caule principal (o tronco) e uma copa intensamente ramificada, enquanto que um arbusto possui vários caules com origem ao nível do solo.
Flora corresponde à diversidade das espécies e à sua nomenclatura, por exemplo locais com uma vegetação abundante podem ser caracterizados por uma flora muito pobre e outros com uma vegetação escassa, podem ser ricos em espécies e, portanto, em flora. Vegetação é denominação genérica do coberto vegetal do solo.
Principal legislação florestal em vigor em www.dgf.min-agricultura.pt/leiflo/index.htm (caça, queimadas, espécies de crescimento rápido, baldios, incêndios florestais, planeamento florestal, protecção ao relevo natural e ao revestimento vegetal, protecção aos montados de sobro e azinho, etc).
Créditos e Links:
-José Gomes Pedro, Isabel Silva Santos, fotos de Fernando Carqueijeiro, Plantas da Arrábida-Guia de Campo, ed. ICN/Parque Natural da Arrábida, 1998-Instituto da Conservação da Natureza/SIPNAT -Manuel J. Pinto, A Flora do PNSACV, 1998-Pires Pena e José Cabral, Roteiros da Natureza, Região Algarve, ed. Círculo de Leitores, 1992-Adelaide Ferreira e Patrícia Cavaco
TERRAS DE MOUROS, Turismo Alternativo Lda, é uma sociedade por quotas de responsabilidade limitada, de base familiar, constituída em 6 de Maio de 1996 com o objectivo de gerir projectos de Turismo em Espaço Rural e actividades de animação inseridas no denominado "turismo alternativo", "ecológico", ou "de natureza".
Sede: Rua Luis Serrão Pimentel, nº11, 6ºDto, 2800-570 AlmadaUnidade de Turismo Rural: Pero Vicente, Rogil, 8.670 Aljezur. Tel: 21 274 47 56Tel: 282 995 192E-Mail: geral@terrasdemouros.pt
Equipa:
Isabel Marina (isabel@terrasdemouros.pt), nascida em 1964, professora, bióloga pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa
Vítor Faustino (vitor@terrasdemouros.pt), nascido em 1964, sociólogo pelo ISCTE
Jorge Laranjeira (jorge@terrasdemouros.pt), nascido em 1954, gestor de recursos humanos e de projectos
Maria José Fontinhas (maria@terrasdemouros.pt), artesã, natural de Aljezur e anfitriã da casa Pero Vicente.
Onde estamos
A Quinta Pero Vicente compreende uma casa rural, tipo "monte", inserida numa pequena exploração agrícola com cerca de 10 hectares, situada a cerca de 3 quilómetros da povoação de Rogil, concelho de Aljezur, junto aos Medos do Pero Vicente e praia de Vale dos Homens, em pleno Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina.
É constituída por um misto de terra plana de cultivo, pinhal, sistema dunar, barrancos com cursos de água, terminando em falésias escarpadas e praias naturais. A propriedade confina com o domínio público marítimo, sendo sensivelmente equidistante das localidades de Odeceixe e de Aljezur, situadas a cerca de 7 quilómetros a norte e a sul, respectivamente. Do ponto de vista paisagístico realçar ainda a silhueta do maciço da serra de Monchique, que domina o horizonte a leste.
Só para apreciadores de sossego…
É um espaço de repouso, de contacto com a natureza, onde o visitante é recebido como se fora um viajante em busca de um lugar perdido. A primeira estranheza do viajante é a ausência dos sons que marcam a vida urbana. Depois, o silêncio enche-se: um chilrear, um piar mais forte. Os mais experientes conseguem identificar aqui um cuco, ali uma poupa. Há nomes locais mais difíceis: é o caso do "cabreiro-ruim", ave associada à vinda da chuva.
À noite, às aves noctívagas como os rouxinóis e as corujas, juntam-se os grilos, os ralos e as rãs. O silêncio, afinal, está cheio de ruídos. Um outro está omnipresente, sobretudo nos dias de Inverno: o mar, batendo nas rochas, ao fundo do barranco. Geralmente tem uma companheira: a nortada , vento forte carregado de maresia.
São quinze minutos a pé até às praias mais próximas, atravessando uma ribeira, pinhais e dunas. Os seus nomes não vêm nos guias turísticos - são privilégio de poucos conhecedores: Zimbreirinha, Barradinha, Vale dos Homens…
Outra estranheza são os cheiros: a aroeira, que rodeia o lado poente da casa; a tomilho, rosmaninho, zimbreiro, sempre que o vento sopra das dunas. São cheiros intensos, que se juntam aos dos pinhais que separam as areias brancas (terras agrícolas) das areias amarelas da zona dunar.
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Aljezur
Aljezur: por terras da Moura Encantada
A fundação de Aljezur (Ajeçur , Aldeia das Pontes) é atribuída aos árabes, no séc. X. O Castelo foi conquistado em 1243 por D. Paio Peres Correia, Grão-Mestre da Ordem de Santiago.
Uma conquista sangrenta, evocada pela toponímia que chegou aos nossos dias: a encosta da vila velha, encimada pelo castelo, divide-se entre "O Degoladouro" e "As Cabeças". Elucidativo.
O foral da vila foi atribuído por D. Diniz em 1280. D. Manuel I outorgou-lhe foral novo em 1504. No séc. XIV a sua cerca de muralhas foi renovada e, apesar do seu actual estado de degradação, é um dos sete castelos representados na bandeira nacional.
A ribeira de Aljezur nasce na Serra de Monchique e a sua foz situa-se a 6 quilómetros. A ribeira de Aljezur, que foi em tempos navegável por barcos de razoável calado e se encontra presentemente assoreada, banha campos férteis que produzem a melhor batata-doce do país.
Aldeia das Pontes
"Aljezur seria em época islâmica uma quase ilha - como o seu nome árabe indica - rodeada por uma lagoa marítima, certamente rica em peixe e marisco. Terras fertilíssimas e sapais justificavam a existência de um povoado de camponeses e pescadores, que possuíam um recinto fortificado no cume do cerro. Além de servir, naturalmente, de refúgio em caso de ataque, teria também a provável função de celeiro e armazém colectivo.
O recinto muralhado não chega a ter um hectare e o seu espaço interior, além de uma boa cisterna, organiza-se ao longo dos muros em minúsculos compartimentos contíguos que parece não terem sido utilizados para habitação. De toda a muralha talvez se possam atribuir à época islâmica o torreão cilíndrico virado a Norte e o cubelo de planta quadrangular do topo Sul."
Cláudio Torres, in Terras da Moura Encantada
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Vila do Bispo
Descrição
Identificada por alguns autores como o local da então célebre Igreja dos Corvos, mencionada por cronistas árabes, Vila do Bispo teve origem numa povoação que, no início do séc. XVI, foi legada à Sé do Algarve. Foi elevada a vila em 1633. Sofreu grandes estragos com o terramoto de 1755.
A ocupação humana da região remonta ao neolítico e, a fazer fé em algumas jazidas de superfície, pode datar do período paleolítico. O elevado número de menires - isolados, em grupos ou em cromeleques - é um dos mais importantes vestígios do passado no concelho de Vila do Bispo.
Uma das Finisterras, o Cabo de S. Vicente desde sempre esteve associado a práticas religiosas, pagãs, islâmicas ou cristãs. A importância religiosa do Cabo afirmou-se sobretudo na Idade Média, com as peregrinações que se realizavam, mesmo durante o período árabe, ao túmulo de S. Vicente.
Onde a Terra acaba
A posição do Cabo de S. Vicente como local de culto desde o Neolítico é comprovada pela existência de importantes núcleos de menires e o relato, por autores gregos (séc. IV a.C.), de cerimónias religiosas envolvendo libações e da proibição da presença de seres humanos durante a noite, dado ser frequentado por desuses. No período em que os fenícios tiveram feitorias no Algarve, tem-se como certa a existência de um santuário dedicado às divindades solares de Hercules-Melcart, enquanto em Sagres existia um outro sob a invocação de Cronos-Saturno-Baal.
Para os romanos, toda área fazia parte do Promontorium Sacrum (de onde derivou o nome de Sagres), ponto extremo do ocidente, onde o Sol, no seu ocaso, fazia ferver as águas do Oceano.
A trasladação, após a invasão árabe, do corpo de S. Vicente para o cabo que recebeu o seu nome, tornou-o local de peregrinação durante séculos. As relíquias foram, em 1173, mandadas transportar por D. Afonso Henriques, para Lisboa.
Local de passagem obrigatória dos navios em direcção ao Mediterrâneo, o Cabo de S. Vicente foi palco de importantes batalhas navais. O corsário inglês Sir Francis Drake (ca.1540-1596) atacou e saqueou a fortaleza de Sagres em 1587, depois de destruir parte da armada espanhola fundeada no porto de Cádiz.Em 1693, o almirante francês Tourville derrotou uma esquadra anglo-holandesa ao largo do Cabo. Uma armada espanhola sofreu igual sorte, em 1870, frente ao almirante inglês Rodney. Nelson e Jarvis derrotaram outra armada espanhola , em 1797. A esquadra ao serviço do rei absolutista D. Miguel foi capturada em 1833, pela armada liberal hasteando a bandeira da sua sobrinha, a rainha D. Maria II.
A Fortaleza do Cabo de S. Vicente é uma construção do séc. XVI, com reedificações nos sécs. XVII e XVIII. Armas de D. João II na porta principal. No seu interior, o antigo convento dos frades Jerónimos, fundado no séc. XVI, e uma capela, com origem no séc. XIV, construída sobre o local onde a tradição indica ter sido a sepultura de S. Vicente.
O curioso farol no extremo do Cabo é uma versão actualizada daquele que, em 1515, o bispo do Algarve D. Fernando Coutinho mandou erguer para a segurança da navegação.
Vila do Bispo e, sobretudo Sagres, ficaram associadas aos Descobrimentos e ao Infante D. Henrique.
A Raposeira, uma das freguesias a leste de sede de concelho, terá sido um dos locais de habitação do Infante. A tradição atribui-lhe uma casa, hoje descaracterizada, de que se identificou apenas o lintel de um portal do séc. XVI.
O Infante D. Henrique viria a falecer em Sagres, onde se recolhia regularmente, a 13 de Novembro de 1460.
Igreja do Corvo
A partir de Sevilha e Niebla (em Espanha), além de uma concorrida via marítima de cabotagem, uma longa estrada percorria toda a costa algarvia através de Cacela, Tavira, Santa Maria de Faro e Silves, terminando no extremo ocidental onde se situava o célebre e antigo centro de peregrinação da Igreja do Corvo. Este santuário moçárabe não estava situado sobre as inóspitas falésias do promontório de S. Vicente, no local onde muito mais tarde viria a ser erguido o farol, e sim a alguns quilómetros mais para o interior. O sempre cuidadoso al-Idrisi refere claramente que do Cabo de São Vicente - Taraf al-Urf - à Igreja do Corvo - Kanisat al-Gurab - distam sete milhas, ou seja, os treze quilómetros que hoje o separam de Vila do Bispo ou, sobretudo, da Raposeira. Seria nesta zona mais abrigada, onde vicejam frutas e legumes, que os monges atendiam os peregrinos e guardavam os seus tesouros.
Descrição da Igreja do Corvo segundo al-Idrisi, geógrafo siciliano so século XII:
"De Silves a Halq az-Zawiya (Lagos?) porto e aldeia, são vinte milhas. Daí a Sagres, aldeia à beira-mar, são dezoito milhas. Daí ao Cabo de Algarve (Cabo de S. Vicente), que avança pelo Oceano, são dezoito milhas. Daí à Igreja do Corvo (algures entre Vila do Bispo e Raposeira) são sete milhas. Esta igreja não experimentou mudança alguma desde a época da dominação cristã. Possui terras, que os crentes têm o hábito de doar, e riquezas trazidas pelos cristãos que ali se deslocam em peregrinação. Está situada num promontório que avança pelo Mar dentro. Sobre a cumeeira do edifício estão dez corvos, cuja ausência nunca ninguém pode constatar. Os padres que servem a Igreja contam destes corvos coisas maravilhosas, mas não se acreditaria em quem as repetisse. De resto, é impossível passar por lá sem tomar parte na refeição hospitaleira que a igreja oferece. É uma obrigação, um uso a que nunca se falta e ao qual se conformam por ser antigo, transmitido de idade em idade e consagrado por uma longa prática.
A igreja é servida por padres e religiosos. Possui grandes tesouros e receitas muito consideráveis, provenientes sobretudo das terras que lhe foram legadas nas diferentes partes do Gharb. Estas riquezas são empregues nas necessidades do templo, nas dos seus servidores, nas de todos os que lhe estão de alguma forma ligados e nas dos que, em pequeno ou grande número, aqui vêm de visita", al-Idrisi, Descripcion de L'Afrique et de Espagne.
Cláudio Torres, in Terras da Moura Encantada-Arte Islâmica em Portugal, Ed. Civilização, 1999
Link: http://www.cm-viladobispo.pt/