ALFARROBEIRA



ALFARROBEIRA"a árvore que nunca morre"
Introdução: Pensa-se que a alfarrobeira seja originária da região mediterrânica oriental - Médio Oriente - e que tenha sido introduzida na Península Ibérica pelos árabes.
Não se conhece o tempo de vida útil de uma alfarrobeira. Em condições óptimas e sem recurso a técnicas de crescimento acelerado, a produção pode iniciar-se no 6º ano de vida da árvore e manter-se em expansão para além dos 70 anos. Winer (1980) admite que o estado adulto seja atingido por volta dos 70 anos, afirmando que a produção se mantém para além dos 150. Daí considerar-se a alfarrobeira como "a árvore que nunca morre".
A alfarrobeira mantém as folhas durante todo o ano. Pode atingir 15 metros de altura e a copa é arredondada e densa. Geralmente, o tronco é curto e grosso. A madeira dá boa lenha e bom carvão.
Curiosidades: Em português, a palavra ceratôs, que deu origem a Ceratonia, significa "corno". Trata-se, sem dúvida, de uma referência à forma e à consistência do fruto desta árvore, a alfarroba. É uma vagem comestível, de cor escura (entre o castanho e negro) e sabor adocicado (contendo 40% de açúcares), que pode ter entre 10 e 25 cm de comprimento e demora um ano a amadurecer. Lá dentro encontram-se 10 a 16 sementinhas de cor parda, os quilates, que eram utilizadas pelos mercadores da Antiguidade, devido ao seu pouco peso e uniformidade, para avaliar o peso das jóias - daqui as palavras «Karat» e «Kilat».
Taxonomia:Nome latino: Ceratonia siliqua L.Nomes vulgares: O nome alfarrobeira ("farrobeira") deriva do vocábulo árabe al kharoubah que, noutros idiomas deu lugar a algarrobo, algarrobero (espanhol), carruba (italiano), caroube (francês), carob tree (inglês) ou karoub (hebreu).Família: LeguminosaeSubfamília: Caesalpinioidea
Descrição: A alfarrobeira é uma árvore de folha persistente, podendo atingir 10-20 m de altura. As folhas são compostas, parapinuladas, de cor verde mais ou menos intensa. O sistema radicular inicial, ao contrário do que acontece na maioria das plantas lenhosas, não engrossa nem subsiste em toda a vida da árvore. Logo na fase juvenil começa a ser substituído por raízes aéreas, formadas no tronco em planos cada vez mais elevados, que imprimem ao tronco das árvores adultas uma forma fasciculada muito característica.
Trata-se de uma árvore rústica, capaz de se desenvolver e frutificar em condições de secura que, desde tempos antigos, se cultiva ao longo do litoral mediterrânico. Além de representar valor económico elevado - 28.000 t de alfarroba/ano, para o nosso país - a sua cultura enriquece e melhora os solos.
Distribuição em Portugal: As alfarrobeiras encontram-se por todo o país mas é no Algarve, na zona do Barrocal, que tem a sua principal expressão ecológica e económica. A alfarrobeira no Algarve, é uma árvore dióica (flores masculinas e femininas em pés distintos), de flores pequenas, imperfeitas, reunidas em inflorescências racimiformes, designadas na região por "candeio". A floração ocorre entre Agosto e Novembro. Os alfarrobais no Algarve são formados por plantas femininas, propagadas por enxertia, colocadas espaçada e irregularmente com oliveiras, amendoeiras e figueiras, constituindo o chamado pomar de sequeiro do litoral.


Variedades/Cultivares: No Algarve, as formas cultivadas de alfarrobeira são clonais, propagadas por enxertia sobre porta-enxertos de origem seminal.

A principal cultivar algarvia é a Mulata, mas existem outras clonais locais como: Preta de Lagos, Galhosa de Loulé e a Canela de Tavira.


Distribuição Geográfica Mundial: Actualmente a alfarrobeira está distribuída desde o Egipto à Grécia, Sul da Europa, ilhas Mediterrânicas, Norte de África e ainda no Sudoeste dos Estados Unidos, Hawai, Austrália e África do Sul.

A produção mundial de alfarroba é da ordem das 300 mil tons/ano, e concentra-se em redor do Mediterrâneo, concretamente em Espanha, Itália, Portugal e Grécia, onde se produz cerca de 75% do total mundial. O principal produtor de alfarroba é a Espanha, seguindo-se a Itália e em 3ª posição encontra-se Portugal.

A produção nacional de alfarroba, após decomposição e transformação é exportada para vários países industrializados da Europa.
Composição química da Alfarroba: Proteína bruta - 4,7% Proteína digestível - 1,6% Fibra bruta - 9,2% Cinzas - 3,5% Cálcio - 0,38% Fósforo - 0,09% Gordura - 0,6% Açucares totais - 43,85%(glicose, sacarose e frutose)

Utilização comercial da Alfarroba: Esta planta, há séculos que vem contribuindo para a economia da bacia mediterrânica. Na Antiguidade, os frutos eram usados como alimento de recurso, em altura de escassez. Utilizavam-se também nas rações animais, fabrico de aguardente, xaropes e produtos farmacêuticos. Laxativas no estado verde, as alfarrobas são antidiarreicas no estado maduro.

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