Hortas e aproveitamentos dos solos

Antonieta Guerreiro - Deputada pelo PSD à AR
Antonieta Guerreiro

O somatório dos compromissos em Parcerias Publico-Privadas (PPPs), mais o acumulado em concessões públicas é de 36 mil milhões de euros. De acordo com as últimas estimativas, reveladas no relatório anual das PPP, publicado no ano passado pela Direcção-Geral do Tesouro, os encargos do Estado até 2049 atingirão os 48,3 mil milhões de euros, tendo havido um aumento de 18,6% dos encargos globais com PPPs face ao previsto no inicio de 2010.Considerando que as concessões têm uma duração entre 30 a 40 anos, facilmente percebemos que o busílis da questão está em saber como vamos sobreviver. O Estado terá de deixar de ser o “paizinho” para se tornar no parceiro social que está ao nosso lado e não acima de nós. Isto é, o Estado e as famílias precisam de um “Plano B” que em meu entender deve estar assente na agricultura de subsistência. Urge regressar à terra. Quantos de nós têm terrenos herdados dos pais ou avós? Quantos de nós têm terrenos à volta da casa? – Que uso lhes damos?O melhor exemplo que conheço nesta matéria é a Suíça onde, fora das cidades, todas as casas têm uma pequena horta, alguns galináceos, anatídeos e duas ou três cabeças de gado caprino e bovino. O objectivo é apenas um, poupar para garantir a subsistência familiar.Ou seja, na prática, o país que funciona como um dos cofres-fortes do mundo sabe que os recursos financeiros são escassos fazendo por isso a opção de apostar na agricultura de subsistência sem qualquer drama existencial. Pergunto ao leitor(a) – e nós?Em Portugal, algumas cidades já começaram a apostar nas hortas urbanas. Não tenho dúvidas de que este é o caminho. Quem tem uma courela de terra, aproveite-a! Aprenda em que altura do ano se plantam e se colhem os vários produtos hortícolas. Quem já pratica este tipo de actividade sabe o quanto poupa ao fim do mês, pois funciona como um complemento ao salário ou à reforma – sempre parcos.No que diz respeito ao Algarve e aos frutos secos, apesar de esta colecta se encontrar quase ao abandono, ela tem muitos adeptos clandestinos que tiram daí bom lucro. Ora, se há quem compre estes frutos secos adquiridos furtivamente é porque esta é ainda uma actividade lucrativa. Saibam os jovens, em situação de precariedade, onde se localizam os terrenos herdados dos seus avós e, certamente, encontrarão na terra que é sua uma nova oportunidade. Para o séc. XXI é necessário um novo paradigma de sobrevivência o qual nós colocámos de lado na ânsia de nos tornarmos evoluídos, cosmopolitas e europeus civilizados, depois de 41 anos de atraso ditatorial.Mas não é só ao nível da alimentação e do consumo compulsivo que temos de mudar. O novo paradigma de sobrevivência terá de se estender também à ética e ao rigor que colocamos em tudo o que fazemos, em particular os titulares de cargos públicos e políticos. Não mais será aceitável a indicação de nomes para cargos públicos ou políticos só porque se é filho(a), enteado(a), afilhado(a) ou familiar. Do mesmo modo, a utilização da coisa pública terá de ser regrada.

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