“Lago artificial” divide Lagos


“Lago artificial” divide Lagos

Presidente Ex Sr Dr Júlio Barroso responde



O anteprojecto de construção de um “lago artificial” em frente à zona ribeirinha de Lagos (na Praça do Infante e Largo da Constituição) ameaça dividir as forças políticas locais. Os sociais-democratas criticam a obra mas, segundo Júlio Barroso, os ataques “são extemporâneos e alarmistas”.



A Comissão Política do PSD/Lagos difundiu esta semana um comunicado onde sublinhava o seu desacordo em relação à ideia camarária. “Basta consultar o projecto que está patente ao público no Centro Cultural e pronto para avançar no ano que vem. A Praça do Infante e o Jardim da Constituição, tal como os conhecemos, vão desaparecer para dar lugar a um lago 'monstro'!”, enfatizavam.



Para a oposição lacobrigense, em vez de “aproximar a cidade com o mar”, “a história acabará por ficar mal contada se não se atender à sua verdadeira essência e o projecto for avante. E a essência da história o povo lacobrigense sabe qual é”. Por outro lado, recordavam os laranjas, “um notável esforço colectivo fez-nos ganhar através dos tempos, a Praça do Infante e o Jardim da Constituição como espaço único de utilidade, recreio e liberdade, pertença de todos os lacobrigenses. Nunca deixámos de estar ao pé do mar e, ao contrário do que alguns defendem, nunca a cidade deixou de lhe estar próxima. Nem alguma vez deixamos de sentir o característico cheiro da maresia”.



Assim, perante este desígnio, o PSD/Lagos era claro: “não podemos deixar, não aceitamos mesmo, que a pretexto da necessária requalificação daquela frente ribeirinha alguém queira apagar décadas e mais décadas da história lacobrigense, o tempo que demorou a ganhar para a cidade a monumentalidade da Praça e o emblemático Jardim”.



O “lago artificial” implica, segundo os sociais-democratas, a “eliminação” da relva, das árvores e do espaço livre, e o fim do “cartão de identidade municipal”, tudo devido a “um capricho de alguém que, porventura sem querer, acabará por provocar a destruição da praça e do jardim e, com um lago ‘monstro\’, completamente inútil, desferir um golpe profundo na identidade que os lacobrigenses tanto se orgulham de ter”.



Autarca responde



Contactado pelo Região Sul/DiáriOnline Algarve, Júlio Barroso, presidente da Câmara Municipal de Lagos, confirmou que, “no âmbito do Programa Polis, houve um concurso de ideias, tendo sido premiado em primeiro lugar uma concepção que aponta para a criação de um ‘lago artificial\’” naquela zona, com a possibilidade de, numa segunda fase, “ter ligação com o mar”.



No entanto, sublinhou o edil, trata-se apenas de um “anteprojecto, uma concepção que está em estudo”. “Tudo o resto, é pura especulação. Neste momento, ainda não há projecto. É só uma ideia, que nos agradou, mas ainda está sujeita à execução de um projecto e, até lá chegarmos, ainda ‘muita água correrá por baixo das pontes\’”.



“Essas dúvidas são levantadas de forma extemporânea, alarmista”, sublinhou Barroso ao nosso jornal. “A empresa que ganhou o concurso vai desenvolver esta ideia, que será depois acompanhada pela autarquia, pelos seus presidente, vereadores e técnicos. Se alterarmos a ‘sala de visitas\’ da cidade, queremos fazê-lo reunindo o consenso mais alargado”, finalizou

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