Alcançar o equilíbrio certo entre a prevenção do aquecimento global e a adaptação aos seus efeitos é uma das mais importantes -

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Alcançar o equilíbrio certo entre a prevenção do aquecimento global e a adaptação aos seus efeitos é uma das mais importantes - e incómodas - questões políticas do nosso tempo. É também muitas vezes ignorada.De acordo com a visão convencional de muitos ambientalistas, primeiro devíamos fazer tudo o que podemos para mitigar o aquecimento global e só depois definir as estratégias de adaptação. Mas se através da adaptação podermos fazer mais pelas pessoas e pelo planeta, esta visão é errada e mesmo imoral.Além disso, é inconsistente com o facto incontornável de que, independentemente do que se faça, não podemos prevenir todos os efeitos do aquecimento global. Se não estivermos bem preparados, o aquecimento global vai causar mais mortes e devastação, principalmente nos países pobres e nas sociedades mais frágeis. A adaptação significa ainda salvar muitas vidas de catástrofes que não estão relacionadas com o aquecimento global. Se, por exemplo, prepararmos as sociedades para furacões mais intensos no futuro, estamos a ajudá-las a lidar melhor com as condições meteorológicas extremas de hoje.Tem sido feita muita pesquisa sobre a maneira como o ser humano provocou as alterações climáticas e sobre as formas de as reduzir. Mas não sobre a adaptação.É importante reconhecer que algumas estratégias de adaptação vão provocar mais emissões de gases com efeitos de estufa. Responder à escassez de água através da reutilização e tratamento de águas residuais, ou do bombeamento de poços profundos e da dessalinização vai aumentar a utilização de combustíveis fósseis. Utilizar mais aparelhos de ar condicionado para arrefecer as casas durante o Verão também terá o mesmo efeito - no entanto, é vital se queremos salvar vidas. Há ainda outra forma da adaptação aumentar as emissões de carbono: ao reduzirmos os danos e os efeitos do aquecimento global, temos mais tempo para implementar alternativas aos combustíveis fósseis.Estas questões devem impedir-nos de usar estratégias de adaptação? Para chegar a uma resposta informada, temos que pensar em como será o planeta em 2100 se investirmos diferentes montantes na adaptação e na redução das emissões de carbono. Temos que ter em consideração o aumento das emissões provocado pela adaptação.A questão crítica não é a subida ou a descida das emissões mas que danos climáticos podemos evitar. Qual a percentagem do planeta que podemos ajudar ao lidarmos com o aumento do nível da água do mar? Quantas vidas podemos salvar do calor, da fome e da malária?Estas são as verdadeiras questões que nos preocupam sobre o aquecimento global. Alcançar uma resposta apropriada para estas questões exige modelos económicos extensos, com o cálculo de diferentes variáveis e a análise de diferenças regionais. Esta análise foi feita por três economistas italianos, Francesco Bosello, Carlo Carraro e Enrica De Cian e o resultado é um estudo económico importante a favor da adaptação.Os três economistas começaram por analisar as diferentes consequências das alterações climáticas em meados do século. Este trabalho é baseado em cenários clássicos e contém as advertências típicas sobre fazer previsões a longo prazo. Apesar disso, concluíram que muitas das nossas principais preocupações vão passar a ser insignificantes ou mesmo benéficas.O aumento do nível da água do mar será uma preocupação menor, com o impacto financeiro a representar menos de 0,1% do PIB. Os problemas de saúde são insignificantes para quase todas as nações. E o impacto do aquecimento global vai reduzir o consumo de energia em quase todo os países.Os efeitos importantes vão ter lugar na agricultura e no turismo, onde os países vão perder, em média, cerca de 0,5% em cada sector. Mas grande parte deste efeito pode ser evitado se as pessoas escolherem adaptar--se às alterações no seu meio ambiente. Os agricultores vão optar por plantas que resistam ao calor. As novas casas vão ser concebidas para enfrentar temperaturas mais elevadas.Modelos económicos simples, muitas vezes citados nos "media", mostram que o aquecimento global desenfreado pode custar 2% do PIB dos países ricos no final do século. No entanto, estes modelos não têm em consideração que as pessoas vão alterar o seu comportamento quando o ambiente mudar. Se tivermos em conta a adaptação, os países ricos vão adaptar-se às consequências negativas do aquecimento global e aproveitarão das alterações positivas, criando um efeito total positivo do aquecimento global que representa 0,1% do PIB.Os países pobres, no entanto, vão ser mais afectados. A adaptação vai permitir reduzir os prejuízos relacionados com as alterações climáticas de 5% do PIB para menos de 3% - mas continua a ser um impacto significativo. O verdadeiro desafio do aquecimento global reside, assim, em enfrentar o impacto no Terceiro Mundo. Aqui, há muito por fazer, antes e depois da adaptação que vai acontecer naturalmente.Em grande medida, a nova pesquisa mostra que a adaptação pode resolver mais problemas do que as reduções das emissões de carbono. Reduzir as emissões para um nível que não afecte o crescimento económico pode evitar 3 biliões de dólares de danos, enquanto a adaptação pode prevenir danos no valor de 8 biliões de dólares. Por cada dólar gasto na adaptação, poderíamos alcançar 1,70 dólares de efeitos positivos para o planeta.O argumento económico em defesa da adaptação é claro. O próximo passo crucial é garantir que os argumentos económicos passam a ser uma parte importante do nosso debate político sobre a luta contra o aquecimento global.

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