
requalificação paisagística da marginal de Cabanas, que inclui um passadiço com cerca de 800 metros suspenso sobre as águas da Ria Formosa, é o próximo passo do programa Polis Litoral, que investiu no primeiro ano 3,5 milhões de euros. O anúncio foi feito durante o balanço desta fase inicial da requalificação da Ria Formosa, em cerimónia realizada terça-feira no moinho de maré do parque natural, com a presença do ministro do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional, Francisco Nunes Correia. Segundo Valentina Calixto, responsável da Sociedade Polis Litoral Ria Formosa, a obra naquela freguesia de Tavira vai avançar nas próximas semanas, tendo um prazo de execução de 10 meses. 2,11 milhões de euros vão ser gastos nesta empreitada, cuja grande novidade será a construção de um passadiço de 800 metros, assente em estacas tubulares e suspenso sobre as águas da Ria Formosa, para circulação de peões, evitando que percorram a estrada marginal, driblando os automóveis em circulação ou estacionados. A reorganização da faixa de rodagem e sua repavimentação com calçada, a plantação de árvores e arbustos ao longo da Avenida Ria Formosa e Rua da Fortaleza e a colocação de mobiliário urbano são outras das obras previstas. Em fase de preparação, estão os planos de intervenção para os ilhotes da Ria Formosa, depois de concluído o trabalho de levantamento de habitações nas ilhas-barreira e ilhotes. Os dados recolhidos por uma empresa especializada, que não incluiu a zona desafectada da Praia de Faro – decorre a elaboração do plano de pormenor específico –, durante seis meses apontam para um total de 2366 habitações (809 das quais na Armona), um aumento de 18,8% relativamente a um estudo efectuado em 1994. Em relação aos planos, a avançar nos núcleos do Farol, Hangares, Culatra, Armona e Fuseta, Ancão e nos ilhotes, avançará a reestruturação e renaturalização até Setembro 2010. “Serão realojados os residentes de primeira habitação”, garante a sociedade. Estão ainda em curso dois estudos sobre a Praia de Faro, um para atestar a viabilidade de uma nova ponte de acesso ou a possibilidade de reabilitar a actual, e outro sobre a possível construção de um parque de estacionamento de apoio, ambos para concluir até final do ano. A Sociedade Polis optou ainda pela elaboração da avaliação ambiental estratégica, embora ressalve “não ser exigida” para o plano estratégico de intervenção na Ria Formosa. A falta desta avaliação, que se encontra em fase de apreciação por parte das entidades envolvidas no processo e deverá estar concluída em Outubro próximo, gerou aliás uma queixa de um grupo de cidadãos, ligados ao «Somos Olhão», junto da Procuradoria-Geral da República e da Direcção-Geral do Ambiente da Comissão Europeia, por entenderem que as directivas comunitárias transpostas para a legislação portuguesa obrigam à elaboração dessa AAE. 4% do investimento global já foi feito Durante o primeiro ano do programa Polis Litoral Ria Formosa, foram investidos 3,5 milhões de euros – apenas 4 por cento do investimento total previsto até 2012 –, que serviram para limpeza de resíduos, derrocada de edifícios em perigo e reabilitação de algumas estruturas. A recuperação do Centro de Educação Ambiental de Marim, na Quinta de Marim, em Olhão, foi a primeira acção no terreno, com intervenções em edifícios, trilhos e espaços verdes. Até final do ano, com o arranque da intervenção em Cabanas e outros projectos, serão gastos mais 7 milhões de euros. No total, até 2012, o investimento global será de 87,5 milhões de euros. O ministro do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional, Nunes Correia, admite alguma “celeuma” por causa das intervenções no terreno, mas afirma que tudo será feito como está delineado. “Está tudo delineado e aprovado, quer pelo governo quer pelas câmaras. Tudo o que se faz, quando se faz, é polémico, mas isto foi discutido e reflectido. Pode haver celeuma, mas há uma linha de rumo e tudo se fará como acordado”, disse. Nunes Correia acredita, contudo, que as populações que habitam na Ria Formosa já compreendem melhor os efeitos que o Polis Litoral vai ter na zona depois de estar concluído. “As pessoas já têm mais consciência do que se vai fazer, têm uma consciência muito clara da renovação que será feita nesta área. Não são apenas intenções, não é um relatório ou um papel, são acções no terreno”, finalizou. A visita de Nunes Correia e o balanço de um ano de actividade do Polis Litoral Ria Formosa encerrou com um sarau cultural no Chalet João Lúcio, em honra do poeta que lhe dá nome, com uma palestra de Nuno Júdice seguida de uma sessão de poesia pelo grupo Experiment'arte.
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