Mas a forma como surgiu a ideia de instalar este investimento no concelho barlaventino não é habitual.


Mas a forma como surgiu a ideia de instalar este investimento no concelho barlaventino não é habitual. «Vinha passear de bicicleta com o meu filho e isto era muito bonito», explicou Martin Verloop, um dos sócios do empreendimento, durante a apresentação do projecto. Após os incêndios em 2003, que destruíram grandes áreas nas serras algarvias, «tudo estava queimado e cheio de cinzas. Parecia um deserto, onde não havia vida», sublinhou o norueguês que vive em Odiáxere há 17 anos. Confrontado com aquelas imagens, decidiu investir no ecoturismo, em conjunto com o seu sócio Arne Laerdal

.O empreendimento baseia-se «na multifuncionalidade, tendo como objectivo o balanço ecológico positivo», afirmou António Marques, arquitecto coordenador do projecto. Ou seja, além de ser reconhecido o papel dos recursos florestais e da actividade silvícola, o ecoresort deverá ter um efeito nulo no ambiente, sendo por isso dependente das energias renováveis, como a solar.Seguindo as normas inscritas no Protal, quanto ao desenvolvimento rural, o projecto inclui «a dinamização de pequenas unidades de transformação de produtos locais, a recuperação do montado, do coberto florestal e o reforço da importância do medronho», garantiu o arquitecto.A primeira fase, já em curso, é a substituição de povoamentos mal adaptados de eucalipto, por espécies autóctones. «O conceito chave de multifuncionalidade transforma a floresta num espaço produtivo, de lazer, criativo e de aproveitamento dos produtos», avançou. A prioridade dada à floresta, como ponto de partida, gera um crédito ambiental, que deverá aumentar à medida que as acções a nível da galeria ripícola (vegetação ao longo das ribeiras) e as plantações sejam executadas. «Até aqui, já foram plantados 45 mil medronheiros e 20 mil medronheiros», garantiu o sócio do projecto. Daqui a alguns anos, será possível ainda retirar matérias como a cortiça ou o medronho. «Vamos fazer o Museu do Medronho e uma destilaria nas ruínas existentes na Herdade. Depois tentaremos vender as garrafas de medronho, com marca própria, nas superfícies comerciais», contou ao «barlavento» Martin Verloop. Por outro lado, essas ruínas que vão albergar os núcleos de valorização dos produtos serão reconstruídas com recurso à taipa, promovendo o aproveitamento de energia e os materiais locais.A nível turístico o empreendimento terá uma Casa do Clube, restauração, campo de golfe, centro hípico, piscina colectiva, campo de jogos, parque aventura, um hotel e um aldeamento com seis núcleos. No entanto, não será um complexo fechado, pois permitirá uma envolvência no meio onde se insere, sendo um resort aberto.O projecto, que já foi entregue na Câmara de Lagos, custará 69 milhões de euros, dos quais 39 milhões correspondem ao hotel e ao aldeamento. O restante montante será dividido pela florestação e regeneração ambiental (13 milhões), pelas infra-estruturas (nove milhões), pelos equipamentos desportivos e de lazer (sete milhões) e pela indústria e equipamento cultural (700 mil).

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