

Entrar na Herdade da Torre de Frade, na região de Elvas, faz-nos recuar no tempo. Rodeada por uma muralha que remonta ao século XIV, e com a torre que lhe dá o nome a dar as boas vindas aos visitantes, estamos mesmo noutro mundo. A calma e o silêncio imperam e fazem esquecer o bulício da capital. À volta apenas o gado que pasta sossegado e à porta o cão que, já velhote, mantém o seu lugar na defesa da propriedade. Não admira, pois, que para Diogo Albino, 26 anos, aquele seja o seu refúgio. Era-o na infância e volta agora a recebê-lo de braços abertos para uma nova aventura.
Foi sempre o sonhador da família e um apaixonado pelas terras onde passava as férias de Verão. Hoje, a fantasia tornou-se realidade e Diogo deixou de lado uma curta carreira na área da comunicação para dedicar-se de alma e coração aos vinhos. Em 2004 fez a primeira colheita do tinto que receberia a marca da herdade da família – Torre do Frade –, e em 2005 obteve a primeira medalha pelo seu esforço na maior prova cega do mundo, a Mundus Vini, realizada na Alemanha.
O projecto que abraçou foi idealizado pelo seu irmão Bernardo e contou com o apoio incondicional do pai, advogado, mas também ele um apaixonado pela terra. “É um novo negócio que vem juntar-se a outros que já existem na empresa da família e que queremos que seja o primeiro passo para torná-la mais competitiva e virada para o mercado”, explica Diogo. A Casa Agrícola Torre do Frade existe desde a década de 80 e tem negócios de criação de gado (carne alentejana e porco preto), cortiça, cereais, azeitona e agora o vinho. São 600 hectares próprios, a que se juntam mais cerca de 1900 arrendados. Destes, apenas 30 são de vinha, seis dos quais vinificados. Em maturação estão mais sete hectares de uva que tem como destino a produção de vinho branco, que neste momento ainda não existe.
Mudar de vida não foi difícil até porque sempre se sentiu muito próximo daquela terra. O gosto pela subjectividade e pela criatividade levou-o a escolher a formação em comunicação empresarial. Mas a verdade é que esta experiência acabou por servir apenas para lhe abrir horizontes e conhecer realidades que agora podem ser muito úteis nas novas funções. É que Diogo é um pouco o “faz-tudo” da empresa. É responsável pelo marketing, branding e New Business, mas também faz a vindima e acompanha todo o processo de produção do vinho.
Para este gestor, o desafio que se avizinha passa por fazer crescer o negócio do vinho e por concretizar o sonho de mudar-se de armas e bagagens para a herdade. “Quero viver aqui, criar os meus filhos, transmitir-lhes o gosto e respeito pela terra”. Apesar de ter vivido sempre em Lisboa, o bichinho do campo nunca desapareceu. Por enquanto divide o tempo entre a capital e o monte, mas a verdade é que passa cada vez mais tempo com as mãos na terra. “Sempre que posso estou aqui”, garante.
Actualmente, cerca de 90% das uvas produzidas ainda são vendidas a terceiros. Contudo, o objectivo é reduzir gradualmente esta percentagem, aumentando a produção própria. “Mas isto só acontecerá quando conseguirmos ter uma adega nossa”, salienta. Até lá, a empresa mantém um espaço em outsourcing numa adega da região. Apesar disso, todo o trabalho de preparação e selecção das uvas e processo de vinificação é feito pelos técnicos da Casa Agrícola e pelo enólogo, Paulo Laureano. “O vinho é como um bebé, todos os dias tem que ser tratado, alimentado e acarinhado”, explica Diogo Albino, reforçando a importância de manter uma equipa própria.
A marca Torre de Frade é, por enquanto, a única que produz. “Foi uma opção porque quisemos posicionar o nosso vinho num segmento supra-premium”, explica o gestor. É também por isso que a estratégia de comercialização passa pela venda directa a restaurantes, hotéis e lojas gourmet (por exemplo, El Corte Inglés), sem a intervenção de distribuidores. Apesar de disso, a criação de novas marcas não está posta de parte, mas não é uma prioridade. A internacionalização é outra das opções em cima da mesa, já com alguns contactos iniciados com um distribuidor em Israel. “O importante é a oportunidade”, garante Diogo. Ou não fosse também esse o grande motivo que o trouxe de volta ao seu refúgio alentejano.
Para conhecer melhor visite www.torredofrade.pt
Fátima Ferrão / Sentido das Letras
Foi sempre o sonhador da família e um apaixonado pelas terras onde passava as férias de Verão. Hoje, a fantasia tornou-se realidade e Diogo deixou de lado uma curta carreira na área da comunicação para dedicar-se de alma e coração aos vinhos. Em 2004 fez a primeira colheita do tinto que receberia a marca da herdade da família – Torre do Frade –, e em 2005 obteve a primeira medalha pelo seu esforço na maior prova cega do mundo, a Mundus Vini, realizada na Alemanha.
O projecto que abraçou foi idealizado pelo seu irmão Bernardo e contou com o apoio incondicional do pai, advogado, mas também ele um apaixonado pela terra. “É um novo negócio que vem juntar-se a outros que já existem na empresa da família e que queremos que seja o primeiro passo para torná-la mais competitiva e virada para o mercado”, explica Diogo. A Casa Agrícola Torre do Frade existe desde a década de 80 e tem negócios de criação de gado (carne alentejana e porco preto), cortiça, cereais, azeitona e agora o vinho. São 600 hectares próprios, a que se juntam mais cerca de 1900 arrendados. Destes, apenas 30 são de vinha, seis dos quais vinificados. Em maturação estão mais sete hectares de uva que tem como destino a produção de vinho branco, que neste momento ainda não existe.
Mudar de vida não foi difícil até porque sempre se sentiu muito próximo daquela terra. O gosto pela subjectividade e pela criatividade levou-o a escolher a formação em comunicação empresarial. Mas a verdade é que esta experiência acabou por servir apenas para lhe abrir horizontes e conhecer realidades que agora podem ser muito úteis nas novas funções. É que Diogo é um pouco o “faz-tudo” da empresa. É responsável pelo marketing, branding e New Business, mas também faz a vindima e acompanha todo o processo de produção do vinho.
Para este gestor, o desafio que se avizinha passa por fazer crescer o negócio do vinho e por concretizar o sonho de mudar-se de armas e bagagens para a herdade. “Quero viver aqui, criar os meus filhos, transmitir-lhes o gosto e respeito pela terra”. Apesar de ter vivido sempre em Lisboa, o bichinho do campo nunca desapareceu. Por enquanto divide o tempo entre a capital e o monte, mas a verdade é que passa cada vez mais tempo com as mãos na terra. “Sempre que posso estou aqui”, garante.
Actualmente, cerca de 90% das uvas produzidas ainda são vendidas a terceiros. Contudo, o objectivo é reduzir gradualmente esta percentagem, aumentando a produção própria. “Mas isto só acontecerá quando conseguirmos ter uma adega nossa”, salienta. Até lá, a empresa mantém um espaço em outsourcing numa adega da região. Apesar disso, todo o trabalho de preparação e selecção das uvas e processo de vinificação é feito pelos técnicos da Casa Agrícola e pelo enólogo, Paulo Laureano. “O vinho é como um bebé, todos os dias tem que ser tratado, alimentado e acarinhado”, explica Diogo Albino, reforçando a importância de manter uma equipa própria.
A marca Torre de Frade é, por enquanto, a única que produz. “Foi uma opção porque quisemos posicionar o nosso vinho num segmento supra-premium”, explica o gestor. É também por isso que a estratégia de comercialização passa pela venda directa a restaurantes, hotéis e lojas gourmet (por exemplo, El Corte Inglés), sem a intervenção de distribuidores. Apesar de disso, a criação de novas marcas não está posta de parte, mas não é uma prioridade. A internacionalização é outra das opções em cima da mesa, já com alguns contactos iniciados com um distribuidor em Israel. “O importante é a oportunidade”, garante Diogo. Ou não fosse também esse o grande motivo que o trouxe de volta ao seu refúgio alentejano.
Para conhecer melhor visite www.torredofrade.pt
Fátima Ferrão / Sentido das Letras
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