O assunto está a dar que falar e já motivou a convocação de uma reunião extraordinária da Assembleia Municipal. O maior centro comercial da região, um


O assunto está a dar que falar e já motivou a convocação de uma reunião extraordinária da Assembleia Municipal. O maior centro comercial da região, um outro no complexo desportivo, um terceiro retail park, um Feira Nova e um Intermarché estão na iminência de ser construídos no concelho.

Os grandes grupos de retalho e do imobiliário continuam a procurar Portimão para a instalação de grandes superfícies comerciais a um ritmo que promete criar a maior concentração de centros comerciais do país. Nos próximos anos, deverão abrir portas seis novas grandes superfícies comerciais, o equivalente a 100 campos de futebol de áreas de venda.Até ao momento, já está aprovada a construção de um complexo de lojas do Grupo Os Mosqueteiros, na Aldeia do Carrasco, que totaliza quase cinco mil metros quadrados de área de venda. A Comissão Regional de Licenciamento Comercial aprovou ainda a instalação de um conjunto comercial do Grupo Jerónimo Martins – um Feira Nova, uma Electric Co e uma New Code –, com quase três mil metros quadrados nos terrenos da antiga adega cooperativa. A compra da cadeia Plus, que detinha um supermercado junto a estes terrenos, poderá alterar as motivações do promotor, mas conta, desde já, com uma oportunidade de negócio.Junta-se ainda o Portimão Retail Center, com cerca de 12 mil metros quadrados de área de venda, que já se encontra em construção do outro lado da estrada, junto à Boavista. Vão aí abrir portas lojas como Minipreço, Sport Zone, Casa, Casa das Prendas e C&A, todas já aprovadas pela mesma comissão.O maior conjunto comercial é, porém, o Centro Comercial de Portimão, promovido pela multinacional francesa Bouygues Imobiliária. Ao todo, 32 mil metros quadrados de área de venda que só não foram já aprovados, porque a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve teve dúvidas quanto à validade do alvará. A Câmara de Portimão já esclareceu a Direcção Regional de Economia de que o loteamento ainda se encontra em vigor, pelo que deverá merecer a aprovação da Comissão de Licenciamento Regional em Setembro.Na iminência do chumbo está a proposta de construção de um terceiro retail park no concelho, com 30 mil metros quadrados. Mas não porque o projecto fosse descabido num concelho que em breve ficará dotado de dois equipamentos da mesma natureza, num total de 38 metros quadrados de área de venda. Será chumbado porque está em elaboração o Plano de Pormenor da área em que se irá inserir, as Taipas.O «barlavento» apurou, no entanto, junto da Câmara de Portimão, que o plano em elaboração já prevê a construção de um retail park com 24 mil metros quadrados, o que permitirá ao promotor espanhol, a Bogaris, reformular o projecto, aguardar pelo plano e submeter novamente a proposta. A aprovação é praticamente garantida, uma vez que a Direcção-Geral das Actividades Económicas já tinha dado luz verde ao projecto.Há ainda a considerar o centro comercial que irá nascer no Complexo Desportivo, mais cerca de 30 mil metros quadrados de área de venda, num espaço com cinemas, restaurantes, hipermercado, 70 lojas e estacionamentos subterrâneos. A proposta ainda não chegou à Direcção Regional de Economia, mas, tendo já o Grupo Lena manifestado intenção de dar início à terraplanagem dos terrenos em Outubro, é de prever que já tenha parceiro para desenvolver o projecto.A proposta consiste em apenas um edifício «de forma a respeitar as exigências mínimas de volumetria expressas no caderno de encargos do concurso».Este cenário está a preocupar a oposição ao executivo socialista de Portimão, que vai levar o assunto à discussão na Assembleia Municipal, a 3 de Setembro. O concelho conta já com a segunda maior concentração de área de superfícies comerciais por habitante do país – 730 metros quadrados por mil habitantes, quando a média nacional é de 239, valor só batido por Albufeira, com 740 metros quadrados por cada milhar de habitantes (Sales Index, Marktest) – e tanto as associações de comerciantes como os responsáveis políticos temem que o aumento do número e da dimensão das grandes superfícies constitua a «machadada final» no comércio tradicional.O presidente da Câmara Manuel da Luz desdramatiza e argumenta que é preciso ter uma perspectiva prática da problemática. «As grandes superfícies estão onde podem estar e as pessoas vão onde existe comércio atractivo, pelo que, se as grandes superfícies não estiverem cá, estão nos concelhos vizinhos e o efeito sobre o comércio tradicional é o mesmo», refere o autarca para justificar a política de liberalização que tem vindo a implementar.Isto, porém, não significa que a Câmara tenha estado de costas voltadas para o comércio tradicional. Manuel da Luz recorda que, nos últimos anos, a autarquia investiu cerca de 1,5 milhões de euros no Programa Urbcom e prepara-se para investir ainda mais como parceira da Unidade de Acompanhamento e Coordenação recentemente criada. Na quinta-feira foi assinado um contrato-programa, que deverá ser alargado com parcerias com a Sociedade de Reabilitação Urbana em vias de ser criada.«Nos últimos sete anos, apoiámos ainda as principais associações do sector com mais 1,5 milhões de euros para a animação, uma vez que a administração central só apoiou essas iniciativas no primeiro ano de vigência do Urbcom, além de um esforço em criar soluções de acessibilidade ao centro. Não fossem estas medidas, não sei onde já estaria o comércio tradicional com a crise global que o afecta», sustenta o autarca

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