À avalanche de novos projectos de investimento dos últimos três anos, grande parte deles estrangeiros, promete agora seguir-se um período de maior aca

À avalanche de novos projectos de investimento dos últimos três anos, grande parte deles estrangeiros, promete agora seguir-se um período de maior acalmia.


Até porque não será fácil, face à actual conjuntura económica internacional – à qual Portugal não conseguiu escapar – igualar o pacote angariado: qualquer coisa como 12 mil milhões de euros, ou 7% do Produto Interno Bruto, pelas contas do Governo.

As atenções irão assim centrar-se, sobretudo, na concretização dos projectos já em curso. É o caso da Repsol, Advansa e Galp para Sines, dos novos modelos automóveis da Autoeuropa, ou das 12 plataformas logísticas que irão envolver cerca de 1,5 mil milhões de euros. O mesmo se passa no sector energético, que irá absorver metade dos 12 mil milhões de euros projectados. As futuras centrais de ciclo combinado e o reforço do parque eólico já arrancaram e só estarão concluídos em 2012.

Em contrapartida, é esperado um maior dinamismo nas obras púbicas, tendência típica em véspera de eleições. Os holofotes recaem, em particular, sobre a concessão de 11 novas auto-estradas. Os números do Governo apontam para 3,7 mil milhões de euros de investimento – mas há quem garanta que estão subavaliados. Um passo decisivo será dado no TGV. Em Outubro, termina o prazo para a entrega das propostas para o troço Caia-Poceirão. Em causa estão 1.450 milhões de euros.

Nas telecomunicações, o Governo colocou em marcha dois projectos prioritários: a Televisão Digital Terrestre (TDT) e as redes de nova geração. Para a TDT, os concursos já foram lançados: na corrida para o projecto gratuito, a Portugal Telecom é a única concorrente, mas na TDT paga terá que disputar o prémio com os suecos da Airplus. Independentemente do vencedor, prevê-se que a TDT esteja no terreno a partir do primeiro trimestre de 2009.

Quanto às redes de nova geração que permitem internet ultra-rápida com velocidades que chegam a 100 megas, o Conselho de Ministros de 3 de Julho aprovou uma resolução para que um milhão de utilizadores já esteja ligado até 2010, bem como todas as escolas secundárias, universidades, hospitais e centros de saúde. 

O turismo é outro sector em ebulição. A 8 de Setembro – dia em que faz três anos que foram demolidas as famosas torres de Tróia – serão entregues as chaves das primeiras casas turísticas do projecto. E dos seis projectos anunciados para o Algarve, estão a decorrer as obras do plano de reabilitação da Meia Praia, tendo o Vila Galé Lagos inauguração marcada para o final de 2009. Nesse pacote de 1082 milhões de investimento e 3.039 novos postos de trabalho, inclui-se também o Tivoli Vitória, da Espírito Santo Turismo, que abre em Janeiro. O Conrad Hilton, anunciado como um projecto de seis estrelas na Quinta do Lago, abre ainda no decurso deste ano, assim como o Parkalgar, Autódromo Internacional do Algarve.


Privatizações abrandam em 2009
Alienadas as jóias da coroa, restam apenas participações menores e complexos ‘dossiers’ que se arrastam há anos, como a TAP e a ANA – Aeroportos de Portugal. O desfecho deste último processo continua dependente do modelo de concessão do novo aeroporto da OTA. A única garantia dada recentemente pelo Executivo de Sócrates é que será decidido entre Abril e Maio de 2009. Uma coisa é certa: o modelo de venda adoptado condicionará a sua rapidez. Incógnito permanece o próximo programa de privatizações. Sabe-se, apenas que o Executivo pretende encaixar 900 milhões de euros até ao fim de 2008, o que será assegurado quase na integra pela Galp. A venda dos 7% que a Parpública ainda detém na petrolífera deverão render, a preços actuais de mercado, cerca de 800 milhões de euros. Em curso encontra-se ainda a privatização da ‘golden-share’ de 10% que o Estado tem na Siderurgia Nacional – Produtos Longos, mas o encaixe será reduzido. Sobra a possível venda de 32,72% da Inapa ou a alienação de mais uma fatia do capital da EDP ou REN – adiada para a próxima legislatura.

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