No Algarve há 29 campos de golfe que gastam 10 milhões de metros cúbicos de água por ano, contudo nenhum deles é um "cinco estrelas" ao nível da gestão da água.
TEMAS: Ambiente
O Algarve é considerado um dos melhores destinos de golfe do mundo, contudo o esforço de alguns hoteleiros ainda não merece ser distinguido pelo emblema turístico de cinco estrelas ou de pertencer a um guia Michelin (guia turística consagrado a nível mundial) se fosse comparado a um restaurante.Em declarações à Lusa, o especialista em hidrologia e gestão de recursos hídricos da Universidade do Algarve José Paulo Monteiro explicou que os campos de golfe até podem ser "cinco estrelas" na gestão da rega, mas não tanto na gestão da origem das águas."Não há nenhum campo de golfe de cinco estrelas que congregue, em simultâneo, as boas práticas ao nível da rega, gestão das captações e monitorização dos impactes resultantes do uso da água", sustenta José Paulo Monteiro.O responsável pelo estudo sobre "O Perfil típico de um campos de golfe enquanto consumidor de água", elaborado em parceria com a empresa Águas do Algarve em 2006, a grande fragilidade da gestão da água no golfe são as captações mal dimensionadas e que raramente são alvo de manutenção e testes de rendimento.As captações subterrâneas mal dimensionadas, por vezes herdadas de antigas explorações agrícolas, e que ninguém vê por estarem debaixo da terra, são também fruto, muitas das vezes, do amadorismo de muitas das empresas de perfuração."Há 600 empresas de perfuração de captações de água subterrânea, mas não haverá mais de 10 que o façam com elevado profissionalismo", menciona o especialista da Universidade do Algarve, clarificando que no Algarve há campos de golfe que até podem ter boas práticas de rega, mas depois falham no sector da origem dos recursos hídricos."Nenhum promotor tem na primeira linha a preocupação da forma como vão ser feitas as entradas de água" para o campo de golfe, observa José Monteiro, recordando que a origem de água para rega em 19 dos 29 campos de golfe algarvios é exclusivamente de origem subterrânea.Onze campos de golfe, por seu turno, vão buscar água para regar a relva à superfície e sete campos utilizam, mas de forma parcial, águas residuais tratadas, obtidas em ETAR próprias.No Algarve só existe um campo de golfe que utiliza em exclusivo águas residuais tratadas, neste caso, com origem de uma ETAR camarária, indica o estudo a que a Lusa teve acesso.O especialista constata que o desafio de ter campos de golfe mais sustentáveis a nível ambiental não passa por soluções estandardizadas, mas sim pela adaptação ao local em que se insere cada campo."As soluções têm de ser pensadas localmente, não há uma solução boa para todos os campos de golfe", diz, lembrando que a nível de rega há coisas bem feitas, nomeadamente a utilização de sondas para medir a humidade dos terrenos, estações meteorológicas, etc."Se toda a agricultura portuguesa utilizasse a tecnologia e o "know-how" do golfe em matéria de rega, a gestão de água em Portugal andava 20 anos para a frente", admite, argumentado que a agricultura tradicional é mais prejudicial que o golfe em matéria de impactes ambientais associados ao uso da água.Contudo, as captações de água mal dimensionadas continuam a ser o principal problema no golfe no Algarve.No estudo denominado "Perfil típico de um campo de golfe enquanto consumidor de água", elaborado em parceria com a Águas do Algarve, conclui-se ainda que nos 29 campos de golfe em funcionamento existem 513 buracos.Dez milhões de metros cúbicos de água por ano é o que gastam, em média, os 29 campos de golfe. Cada buraco de golfe no Algarve, por seu turno, absorve, em média, 18 mil metros cúbicos de água por ano, o que significa que o golfe gasta menos de quatro por cento da água da região.A agricultura é a maior consumidora de água na região algarvia.Segundo o estudo, 230 milhões de metros cúbicos de água por ano são gastos na agricultura, o que equivale a 72 por cento da água gasta em toda a região.O abastecimento público gasta 21,9 por cento (pc), a indústria absorve 2,8 pc e o golfe gasta 3,1 pc.Os consumos actuais de água no Algarve são dez vezes superiores aos praticados no final da primeira metade do século XX.A introdução da rega em larga escala devido à introdução da tecnologia de perfuração de furos, nos anos 70, e o crescimento da actividade turística são os dois factores que mais contribuíram para o aumento da procura da água, menciona ainda o documento.
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O Algarve é considerado um dos melhores destinos de golfe do mundo, contudo o esforço de alguns hoteleiros ainda não merece ser distinguido pelo emblema turístico de cinco estrelas ou de pertencer a um guia Michelin (guia turística consagrado a nível mundial) se fosse comparado a um restaurante.Em declarações à Lusa, o especialista em hidrologia e gestão de recursos hídricos da Universidade do Algarve José Paulo Monteiro explicou que os campos de golfe até podem ser "cinco estrelas" na gestão da rega, mas não tanto na gestão da origem das águas."Não há nenhum campo de golfe de cinco estrelas que congregue, em simultâneo, as boas práticas ao nível da rega, gestão das captações e monitorização dos impactes resultantes do uso da água", sustenta José Paulo Monteiro.O responsável pelo estudo sobre "O Perfil típico de um campos de golfe enquanto consumidor de água", elaborado em parceria com a empresa Águas do Algarve em 2006, a grande fragilidade da gestão da água no golfe são as captações mal dimensionadas e que raramente são alvo de manutenção e testes de rendimento.As captações subterrâneas mal dimensionadas, por vezes herdadas de antigas explorações agrícolas, e que ninguém vê por estarem debaixo da terra, são também fruto, muitas das vezes, do amadorismo de muitas das empresas de perfuração."Há 600 empresas de perfuração de captações de água subterrânea, mas não haverá mais de 10 que o façam com elevado profissionalismo", menciona o especialista da Universidade do Algarve, clarificando que no Algarve há campos de golfe que até podem ter boas práticas de rega, mas depois falham no sector da origem dos recursos hídricos."Nenhum promotor tem na primeira linha a preocupação da forma como vão ser feitas as entradas de água" para o campo de golfe, observa José Monteiro, recordando que a origem de água para rega em 19 dos 29 campos de golfe algarvios é exclusivamente de origem subterrânea.Onze campos de golfe, por seu turno, vão buscar água para regar a relva à superfície e sete campos utilizam, mas de forma parcial, águas residuais tratadas, obtidas em ETAR próprias.No Algarve só existe um campo de golfe que utiliza em exclusivo águas residuais tratadas, neste caso, com origem de uma ETAR camarária, indica o estudo a que a Lusa teve acesso.O especialista constata que o desafio de ter campos de golfe mais sustentáveis a nível ambiental não passa por soluções estandardizadas, mas sim pela adaptação ao local em que se insere cada campo."As soluções têm de ser pensadas localmente, não há uma solução boa para todos os campos de golfe", diz, lembrando que a nível de rega há coisas bem feitas, nomeadamente a utilização de sondas para medir a humidade dos terrenos, estações meteorológicas, etc."Se toda a agricultura portuguesa utilizasse a tecnologia e o "know-how" do golfe em matéria de rega, a gestão de água em Portugal andava 20 anos para a frente", admite, argumentado que a agricultura tradicional é mais prejudicial que o golfe em matéria de impactes ambientais associados ao uso da água.Contudo, as captações de água mal dimensionadas continuam a ser o principal problema no golfe no Algarve.No estudo denominado "Perfil típico de um campo de golfe enquanto consumidor de água", elaborado em parceria com a Águas do Algarve, conclui-se ainda que nos 29 campos de golfe em funcionamento existem 513 buracos.Dez milhões de metros cúbicos de água por ano é o que gastam, em média, os 29 campos de golfe. Cada buraco de golfe no Algarve, por seu turno, absorve, em média, 18 mil metros cúbicos de água por ano, o que significa que o golfe gasta menos de quatro por cento da água da região.A agricultura é a maior consumidora de água na região algarvia.Segundo o estudo, 230 milhões de metros cúbicos de água por ano são gastos na agricultura, o que equivale a 72 por cento da água gasta em toda a região.O abastecimento público gasta 21,9 por cento (pc), a indústria absorve 2,8 pc e o golfe gasta 3,1 pc.Os consumos actuais de água no Algarve são dez vezes superiores aos praticados no final da primeira metade do século XX.A introdução da rega em larga escala devido à introdução da tecnologia de perfuração de furos, nos anos 70, e o crescimento da actividade turística são os dois factores que mais contribuíram para o aumento da procura da água, menciona ainda o documento.
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