Os Jardins Históricos em especial os jardins formais desde a sua génese tem características que lhes conferem necessidades especiais.

Pousada da juventude de Sagres Jardim reconstruído pela Ecossistemas 
 
Estes nasceram da disponibilidade de fundos e da riqueza das condições locais. 

E se essas condições essenciais mudarem? 

Ao longo dos anos temos vindo a assistir à degradação de muitos jardins históricos pela passagem do tempo e pela deficiente manutenção. 

Mas num panorama ideal em que a manutenção não é o fator crítico, temos ainda muitos outros fatores a que atender: A disponibilidade de água! 

Os jardins históricos aparecem muitas vezes associados à disponibilidade de recursos de uma região e a um contexto socioeconómico de origem positivo como símbolo de poder e estatuto. 

Um dos elementos associados a que temos mais probabilidade de encontrar jardins históricos na proximidade são os cursos de água. 

 Estes jardins tinham como característica possuir canteiros de flores e de buxo em que a disponibilidade hídrica era decisiva no crescimento e qualidade das plantas. 

 No contexto atual de seca e de Verões cada vez mais longos e quentes, os jardins sofrem um grande stress que condiciona o seu desempenho e longevidade. 

 Não seria problema se as reservas de água não estivessem comprometidas, seria apenas mais dispendioso pois se recorreria à colocação de uma rede de rega. 

 No entanto, sabemos que o consumo de água para esses fins está cada vez mais racionado sob pena de não existir para o próprio consumo humano pelo que temos de repensar o seu uso no jardim. 

 Assim sendo como preservar um jardim histórico com tantas necessidades hídricas sem o gasto excessivo de água? 

O carácter indiferenciado das estações do ano! 

Todos sabemos que os jardins históricos, em especial dos de carcácter formal, vivem muito à custa de plantas anuais que conferem ao jardim um continuo de beleza e interesse todo o ano. Na primavera temos os bolbos e as flores em plantas de cor verde tenro, no verão temos o verde vibrante, no outono assistimos à transformação do jardim e as suas cores invadem o local, no inverno temos as flores típicas que acalentam o ar frio da estação. 

 Ou melhor, tínhamos! O que fazer agora que esta dança sucessiva parece estar toda descoordenada e misturada? 

Doenças e pragas! Não é de novo as doenças e pragas nos jardins, mas a verdade é que temos de estar sempre atentos aos possíveis novos surgimentos que os afetem. 

Com os jardins históricos o panorama piora quando surge uma perturbação que afete a estrutura do jardim. 

Na realidade já surgiu. 

 O fungo que afeta o buxo, essa grande espinha vertebral dos jardins formais! 

 Assistimos hoje à degradação dos canteiros de buxo que estão a morrer por uma doença contagiosa que se dispersa pelo simples toque numa parte de uma planta infectada e o toque numa planta sã! 

Apesar das pesquisas para controlar a praga, como são exclusivamente plantas de jardim os fármacos não estão tão desenvolvidos ou estudados como para plantas agrícolas por razões óbvias económicas. 

 O que fazer se o buxo desaparece dos jardins? 

Recorrer à sua substituição por outros arbustos que possam assumir o seu papel e conservar a memória do local? 

A questão é que qualquer um destes problemas se agudiza em conjunto uns com os outros. 

O que fazer? 

Existem diversos cenários possíveis, a adaptação às alterações climáticas é algo com o que temos de lidar, o mundo nem sempre foi como o conhecemos. Porquê falar em especial dos jardins históricos? 

Porque são criações do homem, muito artializadas que pela sua natureza rígida e dependente do criador, podem não conseguir se adaptar a uma mudança brusca do meio. 

 É claro que isto se coloca porque como seres culturais que somos preservamos a nossa história e cultura e não queremos que estes registos vivos se tornem descaracterizados ou desapareçam. 

Assim sendo há que pensar nos diversos cenários para que não sejamos apanhados desprevenidos e que possamos agir a tempo!

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